“Bola no chão”: BC sinaliza independência contra pressão, dizem economistas

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 O Banco Central evitou ceder a pressões e buscou um ponto “no meio do caminho” ao manter a Selic intocada, segundo economistas ouvidos pelo CNN Money.Ao mesmo tempo que reforçou sua independência ao não seguir apelos do governo e aliados por corte de juros, o Copom (Comitê de Política Monetária) subiu a régua contra expectativas de elevação das taxas.“Está tentando ‘colocar a bola no chão’ dizendo: ‘olha, mercado, você está prevendo Selic de 15,5% na curva de juros no futuro. O cenário não é nem tanto para lá e nem tanto para cortar'”, pondera Fernando Honorato, economista-chefe do Bradesco. Leia Mais Decisão do Copom vem da incerteza das contas públicas, diz Rafaela Vitória Banco Central foi menos explícito em relação ao fiscal, diz Loyola BC vê inflação mais elevada em todo horizonte até 2028 Honorato acredita que o BC poderia considerar um corte de juros nessa reunião, não fosse pelas discussões dos últimos dias.A tensão entre governo e mercado se acentuou quando começaram a circular rumores de que o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniria com André Lara Resende, um dos “pais” do Plano Real. Posteriormente, a organização de um encontro foi negada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.A tese mais aceita no mercado e entre economistas ortodoxos é de que os juros vão se manter elevados à medida que a dívida pública continuar subindo. Nesse sentido, vem a cobrança dos agentes econômicos por uma política de ajuste fiscal crível por parte do governo.Em setembro, artigo de Lara Resende discutia a redução de juros como caminho para conter o crescimento da dívida e propunha a criação de um comitê para tratar políticas fiscal e monetária concomitantemente. Além disso, Lara Resende acusava “interesses” por trás das taxas elevadas do país.A discussão escalou nas redes sociais, envolvendo desde influenciadores de finanças e o economista norte-americano no qual Lara Resende se embasa, até quadros do Partido dos Trabalhadores.Selic: Eleição estressou a curva de juros, diz economista do Daycoval | MONEY NEWS“Um ponto importante é o fato de que, apesar de todas as pressões do PT para que o Banco Central continue reduzindo a taxa Selic, a diretoria resolveu parar de cortar a taxa de juros, o que muito provavelmente vai gerar uma certa insatisfação”, escreve José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos.“Mas é um sinal de que o Copom continua independente e continua tentando tomar suas decisões sem interferência política. Esse é um bom sinal para os próximos meses, se por acaso os dados persistirem nessa trajetória de pressionar a taxa de inflação no futuro”, conclui.Com esse cenário e as expectativas de inflação desancorando, Fabio Kanczuk, ex-diretor do Banco Central e fundador da consultoria FKX.Macro, define que seria “gravoso” o BC cortar a Selic.Kanczuk ressalta que a comunicação do BC “chega no meio do caminho”, que seria a intenção do colegiado: “não brigo com ninguém”.Após as discussões em torno das propostas de André Lara Resende, Honorato reafirma que o BC busca “colocar a bola no chão” ao apelar que o debate “saia do mundo da teoria e venha para a observação”.Ainda nessa linha, o economista-chefe do Bradesco aponta que o caminho escolhido tenta “achar um meio termo para dizer que ainda tem racionalidade na política monetária”.Juros altos desencorajam consumo e podem frear economia; entenda