ECA Ambiental na prática: escolas aproximam alunos da natureza

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Um pátio alagado, antes visto como um problema, tornou-se um jardim de chuva e um espaço para aulas sobre o ciclo da água na Escola Municipal Enock Amaral, em Lauro de Freitas (BA). A transformação envolveu cerca de 600 estudantes e a comunidade escolar em ações de cuidado com a natureza e na criação de um espaço naturalizado. A experiência é um dos exemplos de práticas de educação baseada na natureza que já vêm sendo desenvolvidas em escolas brasileiras e que ganharam respaldo com a sanção do ECA Ambiental, no final de setembro.Uma das cinco vencedoras do Prêmio Escolas Baseadas na Natureza 2025, a escola baiana integra o programa de mesmo nome, uma iniciativa do Instituto Motiva, em parceria técnica com a Crescer (organização especializada no desenvolvimento e na implementação de projetos de impacto social), e o Instituto Alana. Lançado no ano passado, o projeto tem como objetivo formar educadores para que possam identificar, a partir das características de seus territórios, oportunidades de aprendizagem que aproximem os estudantes da natureza e ampliem seu protagonismo nesse processo.De acordo com Vania Silva, coordenadora pedagógica da Secretaria de Educação de Lauro de Freitas, a implementação começou com rodas de conversa e vivências com a comunidade escolar. “A partir da escuta das crianças, que queriam um pátio com flores, árvores, terra para brincar, água para sentir e bichinhos para observar, a escola criou um mapa afetivo do pátio, uma minifloresta agroecológica e o grupo Guardiões do Pátio Vivo. O espaço passou a ser usado também nas atividades pedagógicas, com relatos de maior concentração e curiosidade dos estudantes e rotinas mais calmas e colaborativas”, explica.Foto: Ksenia Makagonova | UnsplashA iniciativa também ampliou a relação dos estudantes com os espaços públicos do entorno. Após a implementação do projeto na Escola Enock Amaral, houve aumento de 24% no número de educadores que passaram a realizar atividades em praças e parques da comunidade. A proposta está alinhada ao ECA Ambiental, que defende o acesso à natureza também como uma questão de convivência comunitária e participação no território.Sancionado pela Presidência da República no final de setembro, o projeto de lei conhecido como ECA Ambiental estabelece o direito de crianças e adolescentes à natureza e prevê a adoção de políticas públicas de educação baseada na natureza. Para Luciana Allan, diretora do Crescer, a experiência do programa Escolas Baseadas na Natureza demonstra que a aplicação desses princípios depende da combinação entre formação, práticas pedagógicas e transformação dos espaços escolares. “Naturalizar a escola não significa simplesmente plantar árvores ou criar uma horta. Essas mudanças físicas são importantes, mas só ganham sentido quando são acompanhadas de uma transformação na forma de ensinar”, afirma. Atualmente, o programa contabiliza 5.738 escolas participantes, das quais 4.674 são públicas, distribuídas por 1.784 municípios das 27 unidades da Federação. Entre janeiro de 2025 e setembro de 2026, 11.802 novos educadores ingressaram na plataforma, o que representa um alcance indireto das práticas educacionais a 354 mil alunos.Segundo Luciana Allan, há seis principais pontos de convergência entre o ECA Ambiental e o Escolas Baseadas na Natureza: formação de educadores; natureza como espaço de aprendizagem; transformação dos espaços escolares; protagonismo e participação dos estudantes; integração da escola com a comunidade e o território; e preparação para os desafios climáticos. “São princípios previstos no ECA Ambiental que o Escolas Baseadas na Natureza pode mostrar como fazer na prática”, afirma. Leia também: 1.Senado aprova garantia do direito à natureza para crianças e adolescentes 2.Educação ao ar livre: escola, criança e natureza integradas O parágrafo VI do artigo 19 do ECA Ambiental, por exemplo, prevê o incentivo à criação de pátios escolares naturalizados que favoreçam experiências de aprendizado, convivência e contato com a natureza. A promoção da biodiversidade também está entre as diretrizes da legislação, que associa a educação baseada na natureza ao uso de espécies nativas, ao plantio e à criação de hortas e jardins com a participação dos estudantesOutra experiência vem da Escola Estadual de Ensino Fundamental Simão Kappel, em Triunfo (RS), onde as crianças estão construindo uma estufa para plantio. “A prática tem proporcionado uma experiência prática e significativa de aprendizagem. As crianças participam do planejamento e da montagem, levam garrafas PET de casa e acompanham cada etapa do projeto. Além de aproximá-las da natureza e do cultivo de plantas, a atividade estimula o trabalho em equipe, a responsabilidade e a reflexão sobre sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente”, conta a professora Maria Cristina da Rosa Silva.Para Luciana Allan, essas experiências indicam caminhos para a implementação do ECA Ambiental como política pública. “Quando uma política pública passa a reconhecer a importância desses espaços e dessas práticas, ela ajuda a dar escala a experiências que muitas escolas já estão construindo. O desafio é fazer com que isso chegue ao cotidiano: na formação dos professores, no planejamento das aulas, na organização dos espaços e na participação das crianças e das comunidades”, conclui.The post ECA Ambiental na prática: escolas aproximam alunos da natureza appeared first on CicloVivo.