O governo do Distrito Federal pediu nesta quinta-feira (5) ao STF (Supremo Tribunal Federal) que mande identificar e preservar ativos do Banco Master ligados aos mais de R$ 12,2 bilhões transferidos pelo BRB (Banco de Brasília) à instituição, investigada por suspeita de fraudes. A intenção é impedir que esses recursos sejam vendidos ou repartidos entre os credores antes de se decidir se devem voltar ao banco público.A petição foi apresentada pela PGDF (Procuradoria-Geral do Distrito Federal) ao presidente da corte, ministro Edson Fachin, no inquérito que apura irregularidades nas operações entre os dois bancos.Leia Mais: Lula prepara ida à COP31 com relevância de 1ª agenda externa após reeleição Planalto vê saída de Peña como novo revés da direita na região Lula diz que discutirá criação do Ministério da Segurança nesta sexta Pelo pedido, a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., responsável pela liquidação extrajudicial do Master, deveria identificar e separar, entre os bens arrecadados, aqueles relacionados aos repasses feitos pelo BRB. O objetivo é impedir que esses ativos sejam vendidos ou distribuídos aos credores antes de uma decisão sobre sua restituição ao banco público.“A liquidação extrajudicial não altera essa natureza. A autoridade liquidante arrecada os bens da instituição liquidanda para a satisfação dos credores, mas o produto do crime pertencente à vítima não integra a massa”, diz.O governo do DF diz que esse dinheiro é produto dos crimes investigados e que o BRB, como “vítima”, tem prioridade na recuperação. Para a PGDF, a liquidação não anula esse direito, já que bens de vítimas de crimes não deveriam entrar no patrimônio usado para quitar dívidas do banco.Caso não seja possível determinar de imediato a quem pertencem os ativos, a Procuradoria pede que os recursos identificados sejam depositados no BRB, mas permaneçam bloqueados e sob a administração do liquidante até uma decisão definitiva do STF sobre sua restituição.R$ 2,2 bi de Henrique VorcaroO requerimento complementa outro, apresentado no mesmo dia, em que a Procuradoria solicitou a transferência imediata de R$ 2,2 bilhões bloqueados de Henrique Moura Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.O dinheiro estava em conta de Henrique na CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, antiga Reag, e foi localizado na segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal.Nessa primeira petição, o governo havia pedido que o BRB e o Distrito Federal fossem reconhecidos como vítimas e que o patrimônio bloqueado do pai de Vorcaro fosse usado para reparar os prejuízos do banco público.A PGDF diz que os pedidos são complementares e que valores recuperados por uma via serão descontados da outra, para evitar reparação em duplicidade. Os pedidos ainda serão analisados pelo STF.