Investimento asiático no Ártico fará mundo se ‘deslocar ao norte’, diz NeLi

Wait 5 sec.

A participação ativa de países asiáticos no desenvolvimento da Rota Marítima do Norte, no Oceano Ártico, tem tornado o corredor uma alternativa promissora às rotas comerciais ao sul, impactadas por frequentes interrupções nos últimos anos. A avaliação é do BRICS+ New Economy & Legal Infrastructure Center (NeLi), centro de pesquisa responsável pela infraestrutura jurídica e econômica do Brics+. Reprodução / NeLiRota Marítima do Norte liga oceano Atlântico ao Pacífico ao longo da costa norte da RússiaA entidade explica, em vídeo, 30% do gás natural ainda não descoberto do mundo se encontra hoje sob o Ártico. Acima dele passa a Rota Marítima do Norte, cuja extensão corresponde a pouco mais da metade do trecho percorrido pelo Canal de Suez, entre a África e a Ásia. Além de mais curto, o percurso ao norte é hoje mais seguro. “A rota sul, por Suez e pelo Mar Vermelho, vem enfrentando interrupções sérias nos últimos três anos. Os houthis [grupos rebeldes do Iêmen] atacam navios, e as transportadoras precisam desviar contornando a África”, destaca o NeLi. Projetos em expansãoEm um pronunciamento público recente reproduzido no vídeo, o representante especial para assuntos do Ártico do Ministério das Relações Exteriores da China, Gao Feng, afirmou que a participação dos países asiáticos no corredor que conecta a Ásia e a Europa deve contribuir para o desenvolvimento econômico do Ártico. Ele destaca que o continente asiático “vem se tornando cada vez mais um polo pujante no mapa da economia mundial.”De acordo com o NeLi, o interesse das nações asiáticas tem motivação clara. O gelo está derretendo e, nos últimos 30 anos, a janela anual de navegação na região passou de 60 para 130 dias. Além disso, reforça o centro, as rotas do sul ficaram mais vulneráveis. Desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, em fevereiro, o Estreito de Ormuz está sujeito a constantes fechamentos, enquanto Suez segue exposto a interrupções provocadas por ataques no Mar Vermelho.Segundo Azamat Kochuev, diretor do Departamento de Desenvolvimento da Rota Marítima do Norte e do Ártico da companhia estatal de energia nuclear russa Rosatom, a Rota Marítima do Norte “avançará de forma consistente rumo à navegação durante todo o ano e se tornará a espinha dorsal do Corredor de Transporte Transártico”. “Temos uma base única para isso: Projetos árticos em expansão, uma frota de quebra-gelos de propulsão nuclear e vasta experiência de operação nas condições severas do Ártico”, diz Kochuev.O NeLi ressalta ainda que os investimentos em infraestrutura ligados à rota do norte “avançam mais rápido do que se imagina”. Entre as transportadoras de carga na região estão a russas Rosatom e Fesco, além de outras companhias chinesas de contêineres, enquanto os destinatários da carga são portos europeus. “Um serviço chinês já consegue levar carga de Ningbo à Europa em 20 dias, em vez dos 40 via Suez”, segue a gravação. O professor e diretor do departamento de Ciências Marinhas da Cochin University of Science and Technology, na Índia, Sivasankaran Bijoy Nandan, avalia que, para desenvolver a Rota Marítima do Norte, é preciso resolver entraves de direito internacional público, incluindo disputas entre os Estados árticos. “Mas ainda mais importantes são as questões de Direito privado, como seguros, contratos de embarcações e de serviços portuários, e como as disputas serão resolvidas”, destaca Nandan. “Tudo isso está muito próximo, e vai exigir advogados, reguladores e todos trabalhando em conjunto”, acrescenta. “Mas o rumo está traçado”, complementa o NeLi. “A Rota Marítima do Norte já não é apenas uma aposta em um futuro distante, é uma alternativa promissora às vulneráveis rotas do sul (…). “A questão não é se a rota vai deslanchar, mas com que rapidez o mundo vai se deslocar para o norte”, conclui a entidade. Clique aqui para assistir ao vídeo ou veja abaixo:O post Investimento asiático no Ártico fará mundo se ‘deslocar ao norte’, diz NeLi apareceu primeiro em Consultor Jurídico.