Visita de André Janones à Argentina causa polêmica com Milei e aliados

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Deputado brasileiro vai ao país vizinho para repassar técnicas usadas na campanha de reeleição de LulaA visita do deputado federal André Janones (Rede-MG) à Argentina causou um burburinho no governo de Javier Milei. A chegada do político brasileiro ao país, na segunda-feira 2, foi comentada nas redes sociais pelo próprio presidente e figuras próximas a ele.No X, antigo Twitter, o mandatário argentino republicou diversas postagens que abordavam o assunto. “O peronismo está tão perdido que precisa pedir aos brasileiros que o ensinem a fazer uma campanha eleitoral. Depois, vêm falar de soberania nacional”, afirma uma das publicações compartilhadas por Milei.“100% lobotomizados”, disse o economista Felipe Núñez, diretor do Banco de Investimento e Comércio Exterior da Argentina (Bice), em outra mensagem divulgada pelo ultraliberal. “Já imagino a campanha suja que vem por aí com os ‘estrategistas’ (mercenários) do Brasil que estão de visita e realizando reuniões com figuras deploráveis da política”, escreveu uma conta chamada Escola Austríaca de Economia, cujo post também foi republicado por Milei.Um influenciador argentino conhecido como Gordo Dan, Daniel Parisini, criticou duramente a visita de Janones à Argentina. “Já faz 20 anos que os esquerdistas denunciam o entreguismo e a interferência estrangeira, e agora trazem dirigentes brasileiros para ensinar como ganhar eleições na Argentina”, afirmou. A publicação também foi compartilhada na conta do mandatário argentino.Reuniões com peronismoA um ano das eleições argentinas, que acontecem em outubro de 2027, Janones viajou a terras portenhas para repassar um pouco das técnicas que usou na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre suas ações mais eficazes, está a criação de um canal no WhatsApp chamado “Exército do Lula”, no qual o parlamentar passava “missões” para os eleitores cumprirem dentro do ambiente digital. O mecanismo já foi copiado pelos peronistas argentinos, bem como forças de esquerda na França e Espanha, que enfrentam eleições acirradas nos próximos meses.Antes de aparecer na TV argentina, o deputado brasileiro se reuniu com Sergio Massa e Cristina Kirchner, o ex-ministro da Economia e a ex-presidente, respectivamente. Ambos estão profundamente ligados à oposição ao governo Milei. Massa concorreu contra o ultraliberal nas eleições de 2023 e é um dos nomes cotados para combater a extrema direita no pleito de 2027. Já Kirchner foi presidente do país de 2007 a 2015 e hoje em dia cumpre prisão domiciliar por corrupção.A visita também trouxe à tona uma antiga acusação de que Lula teria financiado a campanha de Massa em 2023. A afirmação já foi repetida por Milei diversas vezes, sem apresentar evidências. A justificativa por trás da acusação sem fundamentos seria a presença de publicitários ligados ao PT na campanha de Massa, que já contava com a participação de profissionais de outras partes do mundo.“Mas quem poderia imaginar que o Lula vai bancar a campanha do kirchnerismo no ano que vem?! De jeito nenhum um estadista desse porte vai interferir em uma eleição no exterior! Milei está totalmente maluco ao acusá-lo de ter financiado o Massa em 2023”, disse o economista Pablo Wende em outro post republicado pelo ultraliberal.Seguindo o mesmo raciocínio, o chanceler Pablo Quirno escreveu em suas redes sociais que a visita do petista era “mais cantada que Despacito”, em referência ao hit do cantor porto-riquenho Luis Fonsi e à proximidade entre os setores de esquerda brasileiro e argentino.Fuga de Flávio BolsonaroJá Santiago Caputo, assessor político de Milei, manifestou-se no X sem mencionar Janones nominalmente. “Não importa quantas ferramentas tecnológicas você tenha à disposição — se a sua mensagem for uma merda, não há nada que te salve”, publicou em sua conta na plataforma.“Desejo muita sorte a vocês tentando convencer a sociedade argentina de que não são um bando de criminosos, repetindo as mesmas ideias que fracassaram ao longo de 100 anos, cercados pelas mesmas figuras que nos arruinaram”, acrescentou.Caputo ganhou atenção nas últimas semanas por ter sido apontado por diversos veículos como um dos atores centrais da fuga de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos a partir de Puerto Iguazu. Segundo informações apuradas pela imprensa argentina, ele teria acompanhado de perto a operação de fuga do ex-candidato presidencial, que foi proibido de deixar o Brasil por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF) devido a investigações ativas, após a derrota nas urnas para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).O possível envolvimento de Milei na fuga causou uma tempestade política para a Casa Rosada. Setores da oposição no Congresso argentino iniciaram pedidos de informação exigindo esclarecimentos de ministros de Milei e cobrando o reconhecimento formal da eleição de Lula.Questionado sobre o conhecimento do ultraliberal a respeito da operação, o porta-voz do governo argentino, Adrián Ravier, afirmou em uma entrevista coletiva nesta terça: “Não sei”. “Não temos muito mais a dizer a esse respeito e, para nós, o assunto está encerrado. Não houve um pedido de captura internacional, nem qualquer irregularidade por parte do governo argentino em relação a (Flávio) Bolsonaro, à sua entrada na Argentina e à sua viagem aos Estados Unidos com escala no Equador”, acrescentou.O Itamaraty convocou, na última quinta-feira 29, a encarregada de negócios da Embaixada da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, a prestar esclarecimentos sobre o contexto da fuga de Flávio. A Casa Rosada, no entanto, nega que a convocação tenha ocorrido.Com VejaO post Visita de André Janones à Argentina causa polêmica com Milei e aliados apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.