Proton se desculpa após polêmica sobre uso de IA

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Proton afirma que adoção de IA não compromete segurança dos serviços (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog) Resumo Proton pediu desculpas após relatos de pressão interna para ampliar o uso de inteligência artificial no desenvolvimento de software.Funcionários questionaram a segurança dos produtos e temiam perder o emprego em avaliações sobre o uso de IA.Empresa cancelou um processo de entrevistas com funcionários, mas negou monitorar a produção de código com IA. .A Proton, conhecida por serviços de privacidade como Proton Mail e Proton VPN, pediu desculpas após funcionários relatarem pressão para ampliar o uso de inteligência artificial. A empresa também prometeu divulgar mais informações sobre seus processos de desenvolvimento e segurança.A polêmica começou com uma investigação publicada pela 404 Media. O veículo ouviu oito funcionários atuais e um ex-funcionário, além de analisar conversas internas, gravações de reuniões e um manifesto sobre IA elaborado pela direção da companhia.Funcionários criticaram pressão por IAHey everyone, we have heard your concerns about Proton’s AI strategy and culture and after internal discussions, we want to share a few things with you.First, Proton does not install tracking software on employees' laptops to measure how much AI-generated code they produce.…— Proton (@ProtonPrivacy) October 30, 2026A reportagem descreve um ambiente de pressão para acelerar a adoção da tecnologia, mesmo diante de preocupações com a segurança dos produtos. Em uma conversa interna de agosto, um funcionário sugeriu que novos códigos passassem por alguns dias de testes antes de serem disponibilizados. O CEO da Proton, Andy Yen, teria classificado a proposta como “pensamento de perdedor” e defendido que velocidade e segurança poderiam caminhar juntas.O diretor de tecnologia da Proton, Bart Butler, também escreveu um manifesto defendendo uma mudança no papel dos engenheiros. Em vez de programar diretamente, eles deveriam orientar modelos e agentes de IA. Em uma reunião obtida pelo veículo, Butler teria afirmado que 90% do código produzido pela Proton em outubro havia sido escrito com inteligência artificial.A tensão teria aumentado quando a empresa anunciou entrevistas para avaliar como os funcionários utilizavam essas ferramentas. Trabalhadores ouvidos pela reportagem temiam que as avaliações influenciassem a permanência na companhia. Após a repercussão, Yen cancelou as entrevistas.Proton admite falhas e promete mudançasEm um comunicado no X, a Proton reconheceu que não correspondeu às expectativas da comunidade e pediu desculpas pela maneira como conduziu a situação. A empresa contestou parte das acusações e negou ter instalado programas nos computadores dos funcionários para medir quanto código eles produzem com IA.A Proton também rejeitou a ideia de que estaria sacrificando a segurança para acelerar o desenvolvimento e afirmou que novas camadas de revisão foram adicionadas no último ano para identificar vulnerabilidades. Proton promete abrir código de versões internas mais avançadas do Lumo (imagem: divulgação/Proton)A principal promessa é ampliar a transparência sobre o uso de IA. A companhia pretende publicar suas políticas internas, esclarecendo em quais atividades a tecnologia é permitida e quais continuam sujeitas a restrições. Também serão divulgados detalhes sobre revisão de código e testes de segurança para que usuários entendam como os programas são desenvolvidos.Outra medida será disponibilizar o código-fonte de ferramentas internas, incluindo versões avançadas do Lumo. O assistente foi lançado em 2025 com foco em privacidade, com a promessa de proteger conversas e não utilizar dados dos usuários para treinar modelos.A discussão é delicada, tendo em vista que a Proton construiu sua reputação justamente oferecendo alternativas às grandes empresas de tecnologia, com criptografia de ponta a ponta e aplicativos de código aberto. Proton se desculpa após polêmica sobre uso de IA