Suzano (SUZB3) bate recorde histórico após negócio bilionário: o que fez a receita disparar 36%?A Suzano (SUZB3) alcançou a maior receita líquida trimestral de seus 102 anos de história. No terceiro trimestre de 2026, a companhia faturou R$ 16,5 bilhões, crescimento de 36% em relação ao mesmo período do ano passado. Por trás desse recorde está uma mudança importante nos negócios da fabricante de celulose: a incorporação dos resultados da Arbex, empresa criada em parceria com a Kimberly-Clark.O balanço, divulgado nesta quinta-feira (5), também mostrou resultado positivo de R$ 2,1 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado, indicador que mede o desempenho operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, alcançou R$ 5,7 bilhões, alta de 9% na comparação anual. A geração de caixa operacional somou R$ 3,8 bilhões, avanço de 12%.A diferença entre o crescimento de 36% da receita e o avanço de 9% do EBITDA ajustado ajuda a entender por que o recorde não pode ser explicado apenas pelo aumento das vendas de celulose. A Suzano passou a consolidar uma nova operação, ampliando sua presença no mercado internacional de produtos de higiene e modificando a composição de suas receitas.A Black Friday da Suno já começou! Aproveite a oportunidade de desbloquear mais de R$ 300 mil em bônus e acessar um plano de investimentos para os próximos três anos. Confira as condições da campanha.Como a Arbex fez a receita da Suzano (SUZB3) disparar?Criada em julho deste ano, a Arbex é uma joint venture formada pela Suzano e pela Kimberly-Clark, na qual a companhia brasileira detém 51% de participação. A operação marcou a ampliação dos negócios da Suzano no segmento de bens de consumo, que inclui produtos como papel higiênico, guardanapos e outros itens de higiene.Embora tenha adquirido uma participação de 51%, a Suzano passou a incorporar 100% das receitas, despesas e demais indicadores financeiros da Arbex em seu balanço consolidado. Isso acontece porque, pelas regras contábeis aplicáveis, a companhia consolida integralmente os resultados da empresa que controla, enquanto os 49% pertencentes à Kimberly-Clark são registrados como participação de acionistas não controladores.Na prática, a nova operação acrescentou uma fonte relevante de faturamento ao grupo. A unidade de Bens de Consumo, que agora reúne os negócios da Arbex e as operações da Suzano no Brasil, registrou receita líquida de R$ 5 bilhões no trimestre, dos quais R$ 4,2 bilhões vieram do mercado internacional.O EBITDA ajustado dessa divisão somou R$ 803 milhões, enquanto a geração de caixa operacional alcançou R$ 609 milhões.A incorporação também mudou a maneira como a companhia apresenta seus resultados. Antes, os negócios eram divididos entre Celulose e Papel e Embalagens. Agora, a Suzano passa a reportar três unidades: Celulose, Bens de Consumo e Papel e Embalagens, permitindo acompanhar separadamente o desempenho dos produtos de higiene.Segundo o presidente da Suzano, Beto Abreu, a mudança amplia a atuação geográfica e o portfólio da companhia. “Este trimestre inaugura uma nova fase na trajetória da Suzano. Com a Arbex, somos agora uma companhia com atuação mais ampla, tanto geograficamente quanto em nosso portfólio de produtos”, afirmou.Quanto a Suzano vendeu no terceiro trimestre?Além da incorporação da Arbex, o balanço apresentou os volumes comercializados pelas diferentes unidades de negócios da companhia.Entre julho e setembro, a Suzano vendeu 3,2 milhões de toneladas de celulose, matéria-prima utilizada na fabricação de papéis para higiene, embalagens e outros produtos.Na divisão de Papel e Embalagens, as vendas totalizaram 374 mil toneladas. Já a unidade de Bens de Consumo, que inclui a nova operação internacional, comercializou 299 mil toneladas.Esses números ajudam a mostrar a dimensão da mudança na estrutura da Suzano. A companhia continua tendo a celulose como um de seus principais negócios, mas passa a reunir também uma operação internacional mais ampla de produtos destinados diretamente ao consumidor.Por que a dívida da Suzano aumentou após o negócio bilionário?A aquisição da participação na Arbex também trouxe efeitos para o endividamento da companhia. A Suzano desembolsou US$ 1,3 bilhão para adquirir 51% da nova empresa e encerrou setembro com alavancagem financeira de 3,7 vezes, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado em dólar.Esse indicador compara o endividamento líquido da companhia com sua geração operacional de resultados em um período de 12 meses. Quanto maior a relação, maior é a dívida em comparação com o EBITDA utilizado no cálculo.Segundo a Suzano, a alavancagem de 3,7 vezes reflete não apenas o desembolso para a aquisição, mas também a incorporação integral da dívida líquida da Arbex. Ao mesmo tempo, o cálculo considera somente três meses de EBITDA ajustado da nova empresa, já que a operação passou a ser consolidada em julho.Isso significa que a dívida da joint venture já aparece integralmente no balanço, enquanto sua contribuição para o EBITDA acumulado em 12 meses ainda será incorporada gradualmente.Para demonstrar essa diferença, a companhia apresentou um cálculo pró-forma, que considera como seria a relação caso o EBITDA ajustado da Arbex nos últimos 12 meses já estivesse incluído. Nesse cenário, a alavancagem seria de 3,4 vezes, abaixo das 3,7 vezes efetivamente registradas.A Suzano informou que a incorporação de 12 meses completos do EBITDA ajustado da Arbex ao cálculo da alavancagem ocorrerá até o encerramento do segundo trimestre de 2027.Com a nova estrutura, a Suzano (SUZB3) passa a reunir os negócios tradicionais de celulose, papel e embalagens com uma operação internacional ampliada de bens de consumo. A incorporação da Arbex foi o principal fator por trás do crescimento de 36% da receita e do recorde de R$ 16,5 bilhões registrado no terceiro trimestre.