Os gestores do mercado entraram na semana do penúltimo Comitê de Política Monetária (Copom) do ano com expectativas muito diferentes ante as projeções para bolsa, dólar, Selic e economia de antes das eleições presidenciais.A pesquisa pré-Copom da XP, com 20 gestoras multimercados, mostra uma forte mudança de posicionamento dos investidores profissionais após a reprecificação dos ativos brasileiros observada nas últimas semanas.A combinação de menos exposição à bolsa, mais apostas no dólar e uma visão mais pessimista para a economia levou também a uma mudança nas expectativas para a política monetária.Segundo o levantamento, 75% dos gestores esperam manutenção da Selic na reunião desta quarta-feira (4), enquanto 25% projetam um corte de 0,25 ponto percentual (p.p.).A percepção de que o Banco Central teria espaço para seguir reduzindo os juros perdeu força depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a visão de que a condução da política fiscal não será suficiente para o ajuste das contas públicas.Essa percepção acompanhou um movimento expressivo de reajuste de expectativas nos mercados locais.O Ibovespa acumulou queda de 13,9% em um único pregão após o resultado eleitoral, enquanto o dólar avançou aproximadamente 8% frente ao real. Ao mesmo tempo, a curva de juros abriu mais de 250 pontos-base, refletindo uma percepção maior de risco para os ativos brasileiros.Todo esse movimento aconteceu junto às carteiras dos gestores multimercados.A pesquisa mostra uma redução acentuada das apostas na valorização da bolsa brasileira.Em setembro, 70% dos gestores consultados estavam comprados em ações locais. Dois meses depois, esse percentual caiu para apenas 25%. Já as posições vendidas, que eram inexistentes na pesquisa anterior, avançaram para 30%.Segundo a XP, é a primeira vez ao longo de 2026 em que os gestores pessimistas superam os otimistas em relação ao mercado acionário nacional.O dado sugere que boa parte dos investidores profissionais optou por reduzir exposição ao risco doméstico diante das incertezas sobre inflação, atividade econômica e trajetória fiscal.A principal beneficiada pela mudança de humor foi a moeda norte-americana.As posições compradas em dólar saltaram de 36% para 70% entre setembro e novembro, tornando-se uma das apostas mais consensuais entre os gestores multimercados.Ao mesmo tempo, apenas 30% dos entrevistados mantêm posições vendidas na moeda norte-americana.O movimento aparece com ainda mais clareza quando observadas as apostas direcionais no real. A parcela de gestores comprados na moeda brasileira despencou de 75% para 21%, enquanto as posições vendidas avançaram de 25% para 79%.Por fim, a pesquisa registrou uma deterioração expressiva das expectativas macroeconômicas.A fatia de gestores que classificam o cenário econômico brasileiro como negativo passou de 55% para 95% — o maior nível da série histórica acompanhada pela XP.Nenhuma das 20 gestoras declarou ter uma visão positiva para a economia brasileira neste momento.A expectativa mediana para a inflação de 2026 subiu de 4,97% para 5,24%, afastando-se ainda mais da meta perseguida pelo Banco Central, de 3%. Já a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) caiu de 1,78% para 1,68%.Embora a maior parte dos gestores espere manutenção da Selic nesta reunião do Copom, o levantamento mostra que o mercado não abandonou completamente a expectativa de juros menores mais adiante.A projeção mediana para a Selic terminal em 2027 está em 13,04%.