O Itaú Unibanco (ITUB4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 12,6 bilhões no terceiro trimestre de 2026 (3T26), alta de 6,7% na comparação anual e de 2,5% frente ao trimestre anterior. O resultado vem praticamente em linha com as expectativas do mercado, que projetava lucro médio de R$ 12,584 bilhões, segundo o consenso da Bloomberg. “A consistência dos nossos resultados reflete uma estratégia de longo prazo, sustentada pela disciplina na gestão, pela concessão responsável de crédito e pela qualidade da nossa carteira. Seguimos crescendocom rentabilidade, ao mesmo tempo em que mantemos investimentos sólidos e contínuos em tecnologia e inteligência artificial, fundamentais para ampliar nossa capacidade de servir cada vez melhor os clientes”, afirma Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, em nota.O balanço chega em um momento importante para o maior banco privado do país. Depois de resultados que trouxeram pontos de preocupação para os investidores em Santander Brasil (SANB11) e Bradesco (BBDC4), o Itaú tem a oportunidade de mostrar se continua conseguindo sustentar a rentabilidade elevada e preservar a qualidade da carteira de crédito mesmo em um cenário mais difícil para o setor. Além do lucro, a atenção do mercado se voltou para o retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado (ROAE), que atingiu 23,6%, tímida expansão de 0,3 ponto percentual na comparação anual, mas 0,7 p.p. abaixo do trimestre anterior. A diferença em relação aos concorrentes segue expressiva: o Santander Brasil (SANB11), por exemplo, encerrou o trimestre com ROE de 11,9%, após queda de 28% no lucro líquido, enquanto o Bradesco (BBDC4) fechou com rentabilidade de 16,1%.Crescimento do crédito e inadimplência seguem no radar A carteira de crédito ampliada do Itaú cresceu 10,9% em relação ao terceiro trimestre de 2025 e avançou 2,2% frente aos três meses anteriores, alcançando R$ 1,54 trilhão. Em um ambiente de maior preocupação com a inadimplência no sistema financeiro, a capacidade de preservar a qualidade dos empréstimos é um dos principais pontos de atenção dos investidores — e também uma das vantagens que os analistas atribuem ao Itaú. Mas, pela primeira vez em tantos meses, os calotes voltaram a dar sinal no balanço do Itaú. A inadimplência acima de 90 dias (NPL) avançou 0,1 ponto percentual na comparação anual e na base trimestral, encerrando o período em 2%. Já as provisões para perdas com crédito (PDD), recursos reservados para cobrir eventuais calotes, cresceram 9,6% em relação ao mesmo período do ano passado, somando R$ 10,7 bilhões. Enquanto isso, o custo do crédito aumentou 10,2% na comparação anual e 2,7% frente ao trimestre anterior, totalizando R$ 10,4 bilhões.Outros destaques do balanço do Itaú (ITUB4) no 3T26 A margem financeira — que reúne os resultados das operações de crédito e de tesouraria — terminou o trimestre em R$ 34,6 bilhões, avanço de 7,8% sobre um ano antes. A margem financeira com clientes registrou alta de 6,9% na base anual e de 2,6% frente ao trimestre anterior, encerrando o período em R$ 33,3 bilhões. Já a margem financeira com o mercado, que reflete o desempenho das operações de tesouraria, saltou 46,9% na comparação anual e 42,3% na trimestral, para R$ 1,3 bilhão. As receitas com prestação de serviços ficaram praticamente estáveis no trimestre, com tímida expansão de 0,2% frente ao trimestre passado e leve contração de 0,1% na comparação anual, atingindo R$ 11 bilhões. Do lado das despesas, os gastos não decorrentes de juros avançaram 2,4% frente trimestre anterior e 1,7% ao mesmo período de 2025, encerrando o trimestre em R$ 17,1 bilhões. O controle desses custos é outro fator importante para a sustentação da rentabilidade do banco. *Conteúdo em atualização.