Com a alegação de compra de votos e manipulação do eleitorado, a coligação do candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) pediu, nesta quarta-feira (4/11), que o Tribunal Regional Eleitoral do Rio casse a chapa do governador eleito Douglas Ruas (PL).Reprodução/TwitterSantinho falso Eduardo PaesNo primeiro turno, Ruas teve 49,27% dos votos válidos (4.270.934 votos), ficando à frente de Paes, com 42,76% (3.706.901). Se contabilizados os votos de Anthony Garotinho (Republicanos), que ficou em terceiro lugar, com 3,17% (274.331 votos), haveria segundo turno. Como o Tribunal Superior Eleitoral negou o registro de candidatura de Garotinho e anulou seus votos, Ruas passou para 50,88% dos votos válidos e foi eleito na primeira rodada.O PSD pediu que o Supremo Tribunal Federal suspenda a decisão do TSE que anulou os votos de Garotinho. A medida asseguraria o segundo turno da eleição entre Paes e Ruas.Caso haja segundo turno, será em 6 de dezembro, a última data para eleições suplementares neste ano, conforme a Resolução 567/2025 do TSE. Se não houver decisão até esse dia, o novo pleito só poderia ser organizado no ano que vem.Uma vez que a Justiça Eleitoral permitiu que Garotinho participasse de todo o processo eleitoral e constasse nas urnas, os votos dados a ele devem ser considerados para fins da realização do segundo turno. Caso contrário, haveria desrespeito à soberania popular dos fluminenses, conforme afirmam especialistas ouvidos pela revista eletrônica Consultor Jurídico.Manipulação do eleitoradoPaes argumenta que Douglas Ruas usou uma estratégia coordenada de desinformação, manipulação do eleitorado e compra de votos, que comprometeu a liberdade de escolha dos cidadãos fluminenses e a legitimidade da eleição. Os atos configuram abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e captação ilícita de votos, segundo o ex-prefeito do Rio de Janeiro.A principal acusação diz respeito à distribuição de material de campanha com informações falsas. Um panfleto cuja tiragem ultrapassou 100 mil unidades tinha duas colunas opostas. A de Eduardo Paes tinha o título de “Contra os valores cristãos e da família”; a de Douglas Ruas, de “A favor dos valores cristãos e da família”. No verso, consta a fotografia de Ruas, ao lado do então candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), com a pergunta: “Evangélico, de que lado você está?”“Como fica claro, a peça gráfica não se tratava de legítima propaganda comparativa, mas de instrumento de manipulação discursiva e emocional voltado a induzir o eleitorado conservador e religioso a erro sobre a trajetória e as posições políticas do candidato adversário. O panfleto difamatório imputou ao Requerente [Paes] posturas favoráveis ao aborto, à liberação irrestrita do consumo de entorpecentes, à instalação de banheiros unissex em estabelecimentos coletivos, à desconstrução da família tradicional, à imposição de doutrinação ideológica em creches e escolas da rede de ensino, bem como à difusão da chamada ideologia de gênero”, afirmam os advogados do ex-prefeito do Rio.Outro panfleto, denominado “Rio Escolhe”, teve 1,1 milhão de exemplares encomendados pela campanha de Douglas Ruas, segundo notas fiscais. O material tinha o título “No Rio de Janeiro é fácil escolher” e duas colunas. Na da esquerda, uma foto de Paes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a frase “De um lado, Eduardo Paes governador e Lula presidente”. Abaixo, a inscrição “Lula é 13”.Na coluna da direita, havia uma imagem de Ruas com Flávio Bolsonaro, com os dizeres: “Do outro lado, Douglas Ruas governador e Flávio Bolsonaro presidente”, arrematando com a menção “Bolsonaro é 22”.O objetivo era induzir os eleitores de Paes a anularem involuntariamente seus votos, sustenta o ex-prefeito. Conforme os registros digitais de voto (RDVs) das urnas eletrônicas do estado do Rio, cerca de 204 mil eleitores digitaram o número 13 para o cargo de governador. Todos esses votos foram anulados. O número representa aproximadamente 30% de todos os votos nulos para chefe do Executivo fluminense.Também houve grande distribuição de panfletos e santinhos com fotos e nome de Eduardo Paes, mas com o número 22, de Douglas Ruas. O número correto do ex-prefeito do Rio era 55.Compra de votosA campanha de Paes também cita diversos relatos de compra de votos para Ruas mediante pagamento em dinheiro e coação de eleitores.Postagens no X, Instagram, Threads, Facebook e Reddit relatam pagamentos de R$ 50 a R$ 200 em troca de votos em Ruas.Os advogados de Paes requerem que as plataformas forneçam dados de mais de 60 perfis citados no processo, para que os responsáveis pelas publicações possam ser identificados e ouvidos como testemunhas.Dessa maneira, Paes pede a anulação dos votos dados a Douglas Ruas e sua vice, Fernanda Louback, e a declaração de inelegibilidade deles por oito anos.A coligação de Paes é representada pelos advogados Gustavo Schmidt, André Luiz Miranda, Filipe Orlando Saraiva, Marcio Alvim Trindade Braga, João Ricardo Lutterbach e Hassan Almawy.Clique aqui para ler a petiçãoProcesso 0605082-18.2026.6.19.0000O post Paes pede cassação de Douglas Ruas por panfletos falsos e compra de votos apareceu primeiro em Consultor Jurídico.