Um veterano parlamentar árabe em Israel afirma que seu bloco está disposto a romper com décadas de precedente e se articular com partidos liderados por judeus para tentar encerrar o longo período do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu no poder.“Queremos fazer coisas que não fizemos no passado para remover este governo criminoso”, disse Ahmad Tibi, integrante sênior da Lista Conjunta Árabe, à Associated Press.A aproximação, porém, é politicamente sensível para ambos os lados. Para a Lista Conjunta, significaria dar sustentação a um governo que dificilmente poria fim às guerras de Israel ou frearia a expansão de assentamentos na Cisjordânia ocupada. Para os adversários de Netanyahu, implicaria se associar a partidos que criticam as políticas israelenses e rejeitam a identidade do país como Estado judeu.Após uma participação recorde de eleitores, que ampliou a presença de siglas árabes no Parlamento, Tibi disse que a Lista Conjunta está disposta a apoiar um governo anti-Netanyahu sem integrar formalmente a coalizão. O arranjo poderia reduzir a resistência de partidos judeus que veem o bloco com desconfiança e, ao mesmo tempo, preservar influência política para a Lista Conjunta.Apenas um partido árabe já participou de um governo em Israel, em 2021. Essa sigla, o Raam, é considerada mais conciliadora e tinha menos cadeiras. O Raam afirma estar disposto a participar de outro governo anti-Netanyahu, mas uma alternativa desse tipo ainda dependeria, direta ou indiretamente, do apoio da Lista Conjunta.Tibi disse que, se os partidos liderados por judeus rejeitarem qualquer parceria, isso evidenciaria que Israel é “uma etnocracia, não uma democracia absoluta para todos os cidadãos”.Os árabes israelenses e seus descendentes representam cerca de 20% da população. Ainda assim, partidos liderados por árabes são historicamente vistos com suspeita por parte da sociedade judaica, percepção reforçada por declarações de parlamentares que já defenderam ou elogiaram adversários de Israel. A Lista Conjunta, coalizão de três partidos de esquerda e nacionalistas, critica o que chama de “consenso sionista racista”, defende parceria com judeus israelenses favoráveis a um Estado palestino na Cisjordânia, em Gaza e em Jerusalém Oriental e pede igualdade plena de direitos para todos os cidadãos.Leia tambémDemocratas vão investigar negócios de Trump de olho na disputa eleitoral de 2028Os democratas assumiram o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Deputados nas eleições de meio de mandato de terça-feiraFrança muda de última hora local da reunião ministerial do G7 em meio a protestosAs forças de segurança vêm enfrentando grande sobrecarga desde setembro devido a um movimento de protesto estudantil em andamento que se expandiu para manifestações mais amplasEm meio à guerra, muitos judeus israelenses interpretam essas posições como alinhamento com inimigos do país. Netanyahu tem explorado esse sentimento, acusando sem provas partidos árabes de fraude eleitoral e retratando-os como ameaça à segurança nacional.O cenário pressiona a oposição, liderada pelo ex-general Gadi Eisenkot. Seu grupo, que acusa Netanyahu de corrupção e de ter falhado em impedir o ataque de 7 de outubro de 2023, obteve 48 cadeiras no Knesset (120), contra 53 da coalizão do premiê. A Lista Conjunta e o Raam elegeram 11 e 8 parlamentares, respectivamente, tornando-se decisivos para a formação de uma maioria anti-Netanyahu.A Lista Conjunta poderia viabilizar um governo oposicionista votando a favor ou se abstendo para reduzir o patamar necessário de maioria, sem entrar na administração e sem ter de participar de um gabinete responsável por guerras às quais se opõe. Entre aliados de Eisenkot, há defensores e críticos do apoio árabe, que citam declarações antigas de líderes do bloco.Tibi disse não esperar que uma eventual mudança de governo encerre guerras ou leve à criação de um Estado palestino, mas afirmou que um “governo de reparação” poderia melhorar a vida dos cidadãos palestinos ao pôr fim ao governo Netanyahu e abrir espaço para tratar de problemas como a violência em comunidades árabes.Eisenkot já afirmou que, em qualquer parceria, partidos árabes deveriam cumprir condições, como classificar o Hamas como grupo terrorista e defender sua destruição. Tibi contestou, dizendo que tais exigências não se aplicariam a um apoio externo. A Lista Conjunta e o Raam condenaram o ataque de 7 de outubro e a violência contra civis, mas se recusam a chamar o Hamas de terrorista ou pedir sua destruição, por avaliarem que isso justificaria a campanha militar israelense em Gaza. Tibi disse que tanto o ataque quanto a resposta de Israel foram imorais.Ele lembrou ainda que, em 2019, Netanyahu usou o slogan “Bibi ou Tibi?” para alertar que a oposição dependeria de partidos árabes. Agora, afirmou, a frase se inverteu: “Quando ele disse ‘Bibi ou Tibi’, ele incitou contra os árabes. Agora, é ‘Tibi’, porque os eleitores árabes foram de forma muito maciça participar das eleições. Desta vez, definitivamente, é a nossa história.”The post Partidos árabes sinalizam apoio para derrubar Netanyahu appeared first on InfoMoney.