Paraguaios vão às ruas em protesto após quebra de banco digital e renúncia do presidente do BC

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Paraguai vive onda de protestos em meio a crise bancáriaMilhares de paraguaios foram às ruas de Assunção nesta terça-feira (3) para exigir acesso ao próprio dinheiro após uma crise envolvendo o Ueno, um dos maiores bancos digitais do país, com cerca de 3 milhões de clientes.📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do diaO Banco Central do Paraguai iniciou um procedimento para proteger os depositantes e limitar os impactos sobre o sistema financeiro. O caso levou à renúncia do presidente do BC, Carlos Carvallo, e aumentou a pressão sobre o governo de Santiago Peña.A instituição, maior emissora de cartões de crédito do Paraguai, enfrenta problemas financeiros e é alvo de investigações. Após ajustes em seus balanços, o índice de solvência do banco, que mede sua capacidade de honrar compromissos, caiu para menos da metade do mínimo exigido por lei.LEIA TAMBÉM: Paraguai: entenda a crise que colocou banco sob suspeita e levou à renúncia do presidente do BCManifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital UenoDaniel Duarte / AFPA crise afetou diretamente os clientes. Nesta terça-feira, pessoas que foram às agências do Ueno encontraram as portas fechadas. Aplicativos e cartões também deixaram de funcionar, prejudicando inclusive aposentados que recebem benefícios do governo por meio da instituição.O banco administra aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos no Paraguai, incluindo valores do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos públicos de previdência.Diante da situação, clientes foram às ruas para cobrar a liberação dos valores depositados. Houve confrontos entre manifestantes e policiais em Assunção.Manifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital UenoDaniel Duarte / AFP"Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno", disse à agência Reuters Manuel Cáceres, morador de Ñemby, nos arredores da capital paraguaia. "Infelizmente, muita gente, inclusive eu, está passando a manhã assim."Para tentar conter os efeitos da crise, o presidente Santiago Peña anunciou um acordo com líderes do Congresso para acelerar a votação de um projeto que autoriza o uso do Fundo de Garantia do país para realizar pagamentos aos depositantes.Peña afirmou também que a medida deve assegurar a devolução de recursos públicos mantidos no banco, incluindo valores do IPS e de outros fundos de previdência.Manifestantes foram às ruas no Paraguai depois da crise no banco digital Ueno.DANIEL DUARTE/AFPInvestigação e pressão sobre o governoO Ministério Público pediu a abertura de uma investigação criminal sobre o caso e determinou a prisão de oito pessoas ligadas ao Ueno. Os detidos incluem integrantes da direção e do grupo controlador da instituição.O banco já estava sob maior fiscalização nos últimos meses. Órgãos reguladores investigavam se o Ueno havia financiado indiretamente a venda de uma carteira de ativos de uma empresa ligada ao Grupo Vázquez, seu controlador. A instituição negava ter participado da operação.O episódio também trouxe desgaste ao governo de Peña. O presidente paraguaio foi sócio do grupo controlador do Ueno até março de 2025.Além disso, Carvallo, que comandou o próprio banco até agosto de 2023, vinha sendo criticado por parlamentares pela supervisão da instituição. As críticas também atingiam o Banco Central, cuja cúpula teve a saída pedida por congressistas após rejeitar um relatório sobre o Ueno por considerá-lo incompleto.Ao anunciar sua renúncia, Carvallo afirmou que permaneceria no cargo durante o procedimento adotado pelas autoridades para lidar com a crise. Segundo ele, a saída ajudaria a reduzir a controvérsia em torno do Banco Central e permitiria que a instituição e a Superintendência de Bancos trabalhassem sem disputas políticas e pressão da imprensa.O Banco Central afirmou que o caso do Ueno é isolado e não representa problemas mais amplos no sistema financeiro paraguaio. Peña também tentou afastar preocupações sobre a estabilidade do setor."Este é um caso específico de uma entidade, não do sistema financeiro nacional", declarou o presidente.Peña acrescentou que os responsáveis pelo caso "devem responder perante o Judiciário, sem exceções e sem privilégios".A Superintendência de Bancos deverá nomear auditores para verificar a situação dos ativos do Ueno.A crise também chegou aos mercados financeiros. As preocupações com o banco pressionaram os títulos em dólar da instituição com vencimento em 2031 e os próprios títulos da dívida pública do Paraguai.* Com informações da agência de notícias Reuters