O ouro encerrou as negociações desta quarta-feira (4) em forte alta e voltou ao nível de US$ 4 mil por onça-troy com os investidores digerindo as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e as possível repercussões na política externa do governo Trump. Na Comex, divisão de metais da New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro para dezembro encerrou em salto de 3,36%, a US$ 4.073,00 por onça-troy.Já a prata para dezembro avançou 5,08%, a US$ 52,28 por onça-troy.O que movimentou o ouro hoje?O metal precioso foi impulsionado pelo enfraquecimento do dólar e dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries, em reação às eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. Os democratas conquistaram a maioria tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado norte-americano. Também tiveram vitórias importantes nas disputas de governos estaduais, como no Texas — o segundo maior Estado do país e onde uma vitória democrata não era vista há mais de 30 anos, além de elegerem pela primeira vez uma mulher de origem na latina como governadora. A ‘onda azul’, na avaliação dos analistas, deve servir como em contrapeso às políticas do presidente Donald Trump. Com isso, há expectativa de que a Casa Branca possa concentrar esforços na política externa e recuar na guerra contra o Irã, além de outros conflitos geopolíticos. “A vitória democrata nas eleições de meio de mandato pode levar o presidente Trump a afirmar sua autoridade na política externa, área em que o resultado da eleição pouco influencia seus poderes e onde ele pode buscar deixar sua marca”, avalia Neil Shearing, economista-chefe da Capital Economics. Segundo ele, “é possível que Trump busque recuar, com o recente aumento da atividade diplomática oferecendo uma possível saída”. O economista-chefe também vê a possibilidade de um acordo geopolítico mais amplo. “Além do Irã, as possibilidades são vastas. Algumas teriam implicações limitadas para a economia global. Trump poderia, por exemplo, tentar incentivar uma mudança de regime em Cuba.” Para a Julius Baer, no entanto, os resultados das eleições provavelmente não mudaram a perspectiva para o ouro e para a prata, já que os metais preciosos tendem a não ser muito sensíveis à política. O banco mantém uma visão construtiva para o ouro e neutra para a prata.