Decisão do Copom vem da incerteza das contas públicas, diz Rafaela Vitória

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A ausência de diretrizes claras sobre o equilíbrio fiscal para o próximo mandato foi o principal fator por trás da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de manter a taxa básica de juros estável em 13,75%. A avaliação é de Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter, que analisou o cenário econômico após o anúncio da manutenção da Selic ao CNN Prime Time.Segundo Rafaela Vitória, a incerteza decorre do desconhecimento sobre como estarão as contas públicas no próximo ano.“O principal fator para a decisão hoje do Copom foi, de fato, essa incerteza maior”, afirmou. “E essa incerteza vem desse desconhecimento que a gente tem hoje de como vão estar as contas públicas no próximo ano”, avaliou a economista-chefe do Inter.Leia Mais: “Imposto do pecado”: entenda o que muda a partir de 2027 Waack: Juros elevados antecipam a conta do populismo de Lula Totvs tem lucro de R$ 237,2 milhões no 3° tri, alta de 8,8% Crescimento de gastos acima da inflação preocupa mercadoA economista destacou que a campanha eleitoral foi marcada por promessas de aumento de gastos e que o crescimento das despesas públicas deve fechar o ano acima de 6%, superando a inflação.“A média desse período de quatro anos foi próximo a esse montante, 6% de crescimento real dos gastos ao ano”, disse.Esse patamar elevado, segundo ela, vem pressionando a inflação e deteriorando as expectativas, especialmente nas últimas duas semanas.Rafaela Vitória alertou que, caso o ritmo de crescimento dos gastos se mantenha, a inflação poderá acelerar de forma significativa, dificultando a atuação do Banco Central.Diante da incerteza, o Banco Central optou por pausar o ciclo e aguardar as diretrizes da política fiscal para 2027.“Na dúvida, o Banco Central pausou e vai aguardar as diretrizes da política fiscal para 2027”, explicou.Choques inflacionários e risco de estagflaçãoA economista apontou que há uma série de choques inflacionários previstos para o início do ano, como o aumento do IVA (Imposto sobre Valor Agregado) com alíquota acima do esperado, o impacto da escala 6×1 nos preços de serviços, uma eventual retirada de subsídios da gasolina e efeitos remanescentes do El Niño.Em um ambiente de mais gastos, esses choques poderiam resultar em uma inflação mais alta e prolongada ao longo de 2027.Sobre um eventual cenário de estagflação — combinação de PIB (Produto Interno Bruto) fraco com inflação elevada —, Rafaela Vitória foi cautelosa.“Ainda não. O que a gente tem hoje é um cenário de atividade que perde força”, disse. Ela ressaltou que esse risco mais grave se materializaria caso o governo optasse por ampliar ainda mais os gastos, pressionando o câmbio acima de R$ 6 e gerando um processo inflacionário mais recorrente.Por ora, o cenário base é de desaceleração da atividade econômica, com crédito mais caro e escasso limitando o consumo das famílias.Anúncio do ministro da Fazenda pode reduzir volatilidadeQuestionada sobre se o anúncio do nome do novo ministro da Fazenda ajudaria o mercado, Rafaela Vitória foi direta: mais do que o nome em si, o que importa é a mensagem transmitida.“Não só a decisão de um novo nome com credibilidade, mas também de uma direção do que esperar para o fiscal para o próximo ano”, afirmou.A economista observou que anúncios desencontrados de membros do governo e do partido têm gerado ruído e incerteza no mercado financeiro.Ela reconheceu a importância das políticas sociais em um país desigual como o Brasil, mas defendeu que essas políticas precisam ser compatíveis com a restrição orçamentária.“É importante fazer caber essas políticas sociais dentro dessa restrição orçamentária”, concluiu, destacando que uma diretriz fiscal mais clara permitiria construir expectativas para a Selic “com um pouco mais de visibilidade ao longo de 2027”. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.