O papel das Indicações Geográficas (IGs) na valorização de territórios, preservação de saberes tradicionais e na abertura de mercados é o tema central da Conferência Internacional sobre Fortalecimento de Projetos de Cooperação em Indicações Geográficas, em Alicante, na Espanha. O encontro, com programação nos dias 5 e 6 de novembro, reúne especialistas de vários continentes para celebrar duas décadas de cooperação e desenhar o futuro do setor.O evento é promovido pelo Instituto da Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO) e pela organização não governamental oriGIn (Organization for an International Geographical Indications Network). O Sebrae é convidado dos organizadores do evento, por meio da participação da coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro da instituição, Hulda Giesbrecht.Com a marca de 173 IGs reconhecidas em 26 unidades da federação, a instituição chega ao encontro internacional destacando a metodologia de apoio integral aos pequenos negócios, que vai do mapeamento das potenciais IGs à maturidade de mercado, com previsibilidade financeira e capacidade de escala.Levamos a tese de que a IG é uma ferramenta tecnológica de desenvolvimento territorial. Comprovamos que a IG resulta em produtos com maior valor agregado, no desenvolvimento da cadeia produtiva, na fixação das pessoas em suas regiões de origem, no estímulo à maior participação das mulheres na produção local e no desenvolvimento do turismo de experiência em cada território.Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae NacionalForça da produção colaborativaO modelo brasileiro faz parte da programação do evento com a IG do café do Caparaó, na divisa de Minas Gerais e Espírito Santo. Esse caso de sucesso demonstra como o cooperativismo e o rigor técnico transformaram uma região de montanha em referência global de cafés arábica de alta qualidade.“O Caparaó é uma IG formada por 95% de pequenos produtores que investem de forma colaborativa nas práticas de melhoria contínua da qualidade e controle, o que tem resultado na obtenção de premiações nos concursos de qualidade, como o Coffee of the Year (COY), o principal concurso de cafés especiais do Brasil. Em 2025, entre os 10 ganhadores na categoria Arábica, oito são do Caparaó”, pontua Hulda.A primeira IG brasileira registrada pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) foi a dos vinhos do Vale dos Vinhedos (RS), em 2002. Apesar do crescimento de registros nas últimas décadas, o Sebrae aponta que o ecossistema de IGs enfrenta novos desafios estratégicos.Entre eles, estão o aprimoramento de mecanismos de controle e auditoria com apoio de tecnologias digitais de rastreabilidade, a garantia de proteção e reciprocidade jurídica dos selos brasileiros em outros países e a estruturação de uma governança orientada a modelos de negócios sustentáveis para as associações.A próxima geração de iniciativas de cooperação internacional deve considerar a formação de uma rede de proteção e de inteligência de dados das Indicações Geográficas, que seja capaz de mostrar o seu impacto no desenvolvimento dos territórios e que possa prover tratamento diferenciado às IGs no acesso a crédito, no acesso a mercados e nas ações de vigilância no mercado.Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional