Sede do Ministério da Educação, em Brasília. MEC vai adotar medidas em relação aos cursos de medicina que tiveram notas 1 e 2 no EnamedAngelo Miguel / MECO Pé-de-Meia Universitário deve começar a funcionar em 2027, segundo o ministro da Educação, Leonardo Barchini. O programa será destinado a estudantes de baixa renda matriculados em universidades públicas e terá como objetivo garantir a permanência dos alunos no ensino superior até a conclusão da graduação.Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do Canal Gov, nesta quarta-feira (4), Barchini afirmou que o Ministério da Educação (MEC) está na fase final de elaboração do benefício, após quatro anos de análises.A criação do Pé-de-Meia Universitário foi uma promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que anunciou a proposta em outubro, durante a disputa pela reeleição. Na ocasião, Lula prometeu pagamentos de R$ 700 mensais aos universitários e a formação de uma poupança que poderia ser sacada após a conclusão do curso.Agora no g1Veja o que já se sabe sobre o programa.Quando começa o Pé-de-Meia Universitário?A previsão do Ministério da Educação é que o programa seja implementado em 2027.Segundo Leonardo Barchini, o MEC está finalizando o desenho da iniciativa. O ministro, no entanto, não informou uma data específica para o início dos pagamentos.Quem terá direito ao benefício?De acordo com o ministro, o Pé-de-Meia Universitário será voltado a estudantes de universidades públicas inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico).O objetivo é oferecer assistência financeira a universitários de baixa renda, reduzindo o risco de abandono dos cursos por dificuldades econômicas.Ainda não foram detalhados todos os critérios de seleção dos beneficiários.O CadÚnico é o principal instrumento para a inclusão de famílias de baixa renda em programas federais, como o Bolsa Família, a Tarifa Social de Energia Elétrica e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).Podem se inscrever no Cadastro Único (CadÚnico) famílias com renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa, o equivalente a R$ 810,50 em 2026. Famílias com renda superior a esse limite também podem ser cadastradas, desde que o registro seja exigido para acesso a programas ou serviços sociais específicos.Importante: estar inscrito no CadÚnico não garante automaticamente o recebimento do Pé-de-Meia Universitário. O MEC ainda precisa detalhar as regras de elegibilidade do novo programa.Qual será o valor do Pé-de-Meia Universitário?Segundo o ministro da Educação, a estrutura financeira prevista para o programa terá duas modalidades de pagamento:Bolsa mensal de R$ 700: paga durante dez meses do ano letivo, totalizando R$ 7 mil por ano.Poupança de R$ 250 por mês: depositada durante dez meses por ano, mas com o dinheiro retido até a conclusão da graduação.Ao final de um curso de quatro anos, o estudante poderá sacar R$ 10 mil, mais correção pela inflação, referentes aos valores acumulados na poupança.Considerando uma graduação de quatro anos, os pagamentos e depósitos poderão somar R$ 38 mil por estudante, sendo R$ 28 mil em bolsas e R$ 10 mil em poupança, sem contar a correção inflacionária.Quando o estudante poderá sacar o dinheiro?A bolsa de R$ 700 está prevista para ser paga mensalmente durante dez meses do ano letivo.Já os depósitos de R$ 250 ficarão retidos em uma poupança, que poderá ser resgatada após a conclusão da graduação.Segundo Barchini, o recebimento do benefício estará associado à permanência na universidade e à conclusão do curso dentro do prazo previsto."A contrapartida também vai ser permanecer na universidade, concluir o curso de uma forma integral, no tempo certo, para que a gente possa de fato transformar ainda mais esse país", afirmou o ministro.Como fazer a inscrição no Pé-de-Meia Universitário?O MEC ainda não divulgou como será o processo de ingresso no programa, nem informou se os estudantes precisarão fazer inscrição específica.Também não foram detalhados os procedimentos de verificação dos requisitos e de pagamento dos benefícios.O que Lula prometeu durante a campanha?O Pé-de-Meia Universitário foi anunciado por Lula em 13 de outubro de 2026, durante a campanha pela reeleição.Na ocasião, o presidente prometeu criar uma versão do programa para estudantes do ensino superior a partir de 2027, com pagamentos de R$ 700 por mês durante dez meses e depósitos anuais de R$ 2,5 mil em uma poupançaA proposta apresentada na campanha previa o atendimento de cerca de 1 milhão de estudantes por ano, com custo estimado de R$ 4,6 bilhões, financiado com recursos do Fundo Social do Petróleo.O ministro não confirmou, na entrevista desta quarta-feira, se essas estimativas de público, custo e financiamento serão mantidas no formato final do programa.Por que o governo quer criar o programa?Segundo Barchini, a iniciativa busca acompanhar a mudança no perfil dos estudantes das universidades federais.O ministro afirmou que, há duas décadas, cerca de dois terços dos universitários vinham de escolas privadas. Atualmente, segundo ele, essa proporção se inverteu, e dois terços dos estudantes são oriundos da rede pública.Para Barchini, a ampliação do acesso ao ensino superior precisa ser acompanhada de políticas que garantam a permanência dos alunos até a formatura."Porque acessar é uma das etapas que esse estudante vence, mas permanecer é uma outra batalha igualmente difícil", disse.O que muda no Pé-de-Meia do ensino médio em 2027?Além de anunciar a previsão de início do Pé-de-Meia Universitário, Barchini afirmou que o governo pretende universalizar o Pé-de-Meia do ensino médio público a partir de março de 2027.Atualmente, o benefício é destinado a estudantes da rede pública que pertencem a famílias inscritas no CadÚnico.Com a ampliação anunciada pelo ministro, a previsão é que todos os alunos do ensino médio público passem a ser contemplados, independentemente da inscrição no cadastro.O MEC ainda está estudando como implementar a mudança.Criado em 2024, o Pé-de-Meia do ensino médio pode pagar até R$ 9,2 mil por estudante que cumpra os critérios de frequência e conclusão escolar.Segundo dados apresentados pelo ministro, o programa contribuiu para uma redução de 61% no abandono escolar e de 62% na reprovação no ensino médio público entre 2022 e 2025. No mesmo período, a distorção idade-série caiu 28%.