Itaú e Bradesco avaliam permitir que clientes usem Bitcoin para conseguir empréstimos

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O Itaú e o Bradesco estão avaliando a possibilidade de oferecer empréstimos com Bitcoin (BTC) como garantia no Brasil, permitindo que clientes utilizem suas criptomoedas para obter crédito sem precisar vendê-las. A iniciativa foi discutida nesta quinta-feira (5), durante o OranjeBTC Summit 2026, realizado em São Paulo, e representa uma possível nova etapa da integração dos ativos digitais aos serviços oferecidos pelos grandes bancos brasileiros.Durante o painel “A Próxima Fronteira do Bitcoin”, Guto Antunes, responsável pela área de ativos digitais do Itaú, e Douglas Corazza, executivo da área de produtos digitais da Bradesco Custódia e Serviços Financeiros, abordaram as oportunidades de utilização do Bitcoin em operações financeiras que vão além da compra, venda e custódia de criptomoedas.Os dois executivos reconheceram o potencial do uso do Bitcoin como garantia de crédito, mas ressaltaram que a implementação dessa modalidade ainda depende do desenvolvimento de mecanismos de segurança, controle de riscos e infraestrutura operacional. Nenhum dos bancos anunciou uma data de lançamento ou condições comerciais para o produto.A modalidade permitiria, por exemplo, que um investidor com Bitcoin em sua carteira conseguisse um empréstimo em reais utilizando parte de suas criptomoedas como garantia. Dessa forma, ele teria acesso a recursos financeiros sem precisar vender seus BTC, mantendo sua exposição à eventual valorização do ativo.Essa alternativa pode interessar especialmente a investidores de longo prazo que precisam de liquidez, mas não desejam se desfazer de suas reservas de Bitcoin. Por outro lado, o empréstimo cria uma obrigação financeira e expõe o tomador ao risco de liquidação das garantias caso a criptomoeda sofra uma queda acentuada.A discussão também reflete a evolução da estratégia dos grandes bancos brasileiros em relação aos ativos digitais. Depois de iniciarem sua atuação com serviços de investimento e infraestrutura de custódia, instituições como Itaú e Bradesco começam a avaliar aplicações mais amplas das criptomoedas no sistema financeiro tradicional.Itaú já realizou testes de empréstimos com ativos tokenizadosEmbora os empréstimos com Bitcoin ainda estejam em fase de avaliação, o Itaú já realizou testes envolvendo ativos digitais utilizados como garantia em operações de crédito.Em setembro, Guto Antunes revelou que a instituição havia testado, durante o projeto-piloto do Drex, uma operação de financiamento para pessoa física utilizando um Certificado de Depósito Bancário (CDB) tokenizado como garantia.Nesse modelo, o título bancário é representado digitalmente em uma infraestrutura baseada em registros distribuídos. Contratos inteligentes podem ser utilizados para vincular o ativo à operação de crédito, impedindo, por exemplo, que ele seja oferecido como garantia em mais de um empréstimo ao mesmo tempo.A tecnologia também pode automatizar procedimentos como o bloqueio e a liberação das garantias, conforme as condições estabelecidas no contrato.O teste, entretanto, envolveu um CDB tokenizado, e não Bitcoin. A utilização da criptomoeda exigiria mecanismos adicionais de proteção, principalmente por causa das oscilações de preço do ativo.Na ocasião, Antunes também revelou que o Itaú registrou um crescimento de 252% na base de clientes que utilizam serviços de criptomoedas desde a expansão da oferta ao varejo, em dezembro de 2024. No mesmo período, a quantidade de transações aumentou 369%, enquanto o volume financeiro negociado avançou 340%.O executivo afirmou que o banco trabalha no desenvolvimento de novas funcionalidades, incluindo compras recorrentes de criptomoedas, além de avaliar a inclusão de outros ativos digitais em sua plataforma.Para Antunes, a tendência é que os ativos digitais deixem de funcionar como um segmento isolado e passem a fazer parte de diferentes produtos e serviços do sistema financeiro. Isso inclui não apenas investimentos, mas também pagamentos, liquidação de operações e mecanismos de crédito.Durante o evento desta quinta-feira, o executivo também destacou a importância da educação financeira para a expansão desse mercado. Segundo ele, a adoção de novos produtos exige que os clientes compreendam tanto as possibilidades de utilização dos ativos digitais quanto os riscos envolvidos.O Bradesco, por sua vez, também está desenvolvendo a infraestrutura necessária para ampliar sua atuação no setor. Douglas Corazza destacou que operações de crédito garantidas por Bitcoin apresentam oportunidades, mas exigem soluções robustas de custódia, governança e segurança.Entre os principais desafios está a definição de mecanismos que permitam aos bancos acompanhar continuamente o valor das garantias e agir quando a cotação da criptomoeda sofrer oscilações expressivas.Como funcionaria um empréstimo com Bitcoin como garantia?O uso de Bitcoin como garantia em operações de crédito já é uma realidade em outros mercados. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Coinbase lançou em janeiro de 2025 um serviço que permite obter empréstimos em USDC, stablecoin vinculada ao dólar, utilizando BTC como garantia. As operações são realizadas por meio do protocolo descentralizado Morpho, na rede Base.Nesse modelo, o cliente não precisa vender suas criptomoedas para receber o empréstimo. Em vez disso, deposita uma quantidade de Bitcoin como garantia e recebe um valor correspondente a uma parcela do montante depositado.A proporção entre o valor emprestado e a garantia é conhecida como loan-to-value (LTV). Em uma operação hipotética com LTV de 50%, um investidor que oferece R$ 100 mil em Bitcoin poderia obter um empréstimo de R$ 50 mil.Entretanto, como o preço da criptomoeda pode variar significativamente, o valor da garantia precisa ser monitorado continuamente. Caso o Bitcoin sofra uma desvalorização expressiva, o investidor poderá ser obrigado a depositar mais criptomoedas ou amortizar parte da dívida para manter a operação dentro dos limites estabelecidos.Se essas exigências não forem atendidas, o banco poderá executar a garantia, vendendo os bitcoins utilizados para assegurar o pagamento.Na Coinbase, por exemplo, as condições divulgadas para determinadas operações preveem a liquidação automática quando o valor devido alcança 86% do valor da garantia. Nesse caso, também pode ser aplicada uma penalidade sobre a operação.Para os bancos brasileiros, a implementação desse modelo exigiria não apenas controles para lidar com a volatilidade, mas também estruturas seguras para armazenar as criptomoedas, verificar sua disponibilidade e executar as garantias quando necessário.A questão regulatória também representa um desafio. O Banco Central estabeleceu novas regras para a prestação de serviços de ativos virtuais no Brasil, incluindo exigências de governança, segurança, controles internos e proteção dos clientes.Em setembro, Nagel Paulino, chefe de divisão do Banco Central, afirmou que o setor de criptomoedas poderá evoluir para oferecer serviços de crédito, mas ressaltou que esse tipo de atividade precisa respeitar as exigências aplicáveis ao mercado financeiro.Segundo ele, o mercado de crédito é altamente regulado e a integração de ativos virtuais a essas operações exige mecanismos que preservem a segurança e a estabilidade das instituições.A utilização de Bitcoin como garantia já aparece também em operações envolvendo empresas brasileiras. A OranjeBTC, por exemplo, informou em suas demonstrações financeiras que contratou, em março de 2026, um empréstimo de US$ 10 milhões em USDC junto à Maple International Operations, oferecendo aproximadamente 250 bitcoins como garantia.A operação previa um LTV inicial de 60%, exigência de garantias adicionais caso o indicador alcançasse 70% e liquidação da posição se chegasse a 80%. O empréstimo demonstra como o Bitcoin já pode ser utilizado para obter financiamento sem a necessidade de venda imediata do ativo, embora o contrato tenha características diferentes das operações de crédito voltadas ao varejo.Para Itaú e Bradesco, a possibilidade de oferecer produtos semelhantes a pessoas físicas e empresas representaria uma expansão importante de sua atuação no mercado de criptomoedas.Por enquanto, entretanto, as discussões permanecem em fase de avaliação. Os bancos não divulgaram taxas de juros, limites de financiamento, regras de custódia ou uma previsão para o lançamento dos serviços.A sinalização dos executivos mostra, contudo, que a presença do Bitcoin no sistema bancário brasileiro poderá avançar além das plataformas de investimento, abrindo espaço para que a criptomoeda também seja utilizada como garantia em operações tradicionais de crédito.O post Itaú e Bradesco avaliam permitir que clientes usem Bitcoin para conseguir empréstimos apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.