Revolut anuncia investimento de US$ 1 bilhão na América Latina e coloca Brasil no centro da expansão

Wait 5 sec.

A Revolut anunciou nesta quinta-feira (05) que prepara um investimento inicial de US$ 1 bilhão na América Latina para acelerar sua expansão na região. Brasil e México estão entre os principais mercados da estratégia, que também prevê a entrada em Colômbia, Peru e Argentina. A ambição da fintech britânica é que a região responda por um em cada quatro novos clientes conquistados no mundo em 2027. O plano foi apresentado por executivos da companhia durante um encontro com jornalistas em São Paulo nesta noite. Segundo Carlos Daniel Urrutia, head de expansão global da Revolut, a América Latina ganhou importância na estratégia internacional da empresa, que já reúne 80 milhões de clientes globalmente. De acordo com os executivos, o aporte de US$ 1 bilhão não será destinado exclusivamente à oferta de crédito. Os recursos devem financiar a expansão das operações como um todo, incluindo o desenvolvimento dos negócios e a estruturação das equipes e dos serviços em cada mercado. Veja também: De fintech a gigante de US$ 115 bilhões: Revolut dá novo salto em valuation e mira 100 milhões de clientesAlém disso, segundo os executivos, o montante total ainda poderá crescer à medida que os projetos avancem. Brasil e México concentram parte importante da estratégia O Brasil já é a maior operação da Revolut em termos de estrutura na América Latina, embora a empresa não divulgue o número de clientes no país. A fintech também vê o mercado brasileiro como um dos principais motores de crescimento para os próximos anos. Um dos destaques locais é o desempenho do plano Ultra, modalidade premium que reúne benefícios como acúmulo de milhas, experiências e gift cards. De acordo com Ignacio Zunzunegui, diretor de crescimento da Revolut, o Brasil é atualmente o mercado em que a base de usuários do produto mais cresce. “Se tivessem me dito isso no início, quando lançamos, eu não teria acreditado”, afirmou o executivo. No México, a Revolut alcançou 1 milhão de clientes em oito meses de operação, após o lançamento em janeiro deste ano. Um dos fatores apontados pela companhia para a rápida expansão foi a entrada no país já com licença bancária completa, o que permitiu oferecer um portfólio mais amplo de produtos desde o início. A experiência deve orientar os próximos passos da fintech na região. Em vez de começar com poucos serviços e ampliar a oferta gradualmente, a empresa pretende entrar em novos mercados com uma gama mais abrangente de soluções financeiras. Colômbia, Peru e Argentina na próxima etapa da Revolut A expansão latino-americana já tem próximos destinos definidos. Na Colômbia, a Revolut obteve autorização bancária completa e está na fase final de testes internos e externos antes de iniciar as operações. Na Argentina, a fintech europeia adquiriu um banco inativo, anteriormente denominado Banco Argentina, assumiu seu controle operacional e pretende rebatizá-lo como Revolut Bank Argentina. A expectativa é começar a oferecer contas em meados do segundo semestre de 2027. No Peru, a companhia recebeu a primeira etapa da autorização regulatória para constituir um banco e avançar para a auditoria pré-operacional. O Chile também está no radar, mas ainda não há previsão para o início das atividades no país. “É uma questão de quando, não de se”, disse Urrutia. Segundo os executivos, a escolha dos mercados leva em conta fatores como potencial de digitalização dos serviços financeiros, perfil demográfico da população e condições regulatórias para a entrada de novos concorrentes. Crédito entra no plano, mas Revolut quer controlar riscos Além de conquistar novos mercados e clientes, a Revolut pretende ampliar a oferta de crédito na América Latina. A companhia vê empréstimos e financiamentos como produtos relevantes para aprofundar o relacionamento com os consumidores da região, mas afirma que pretende avançar sem elevar excessivamente a exposição ao risco. “Vemos o crédito como uma necessidade fundamental dos clientes nesses mercados e queremos aprofundar sua penetração”, afirmou Urrutia. Segundo o executivo, a orientação é manter o risco do balanço patrimonial o mais baixo possível, recorrendo também a instrumentos disponíveis no mercado para administrar a exposição. De acordo com Glauber Mota, CEO das operações no Brasil, a relação entre empréstimos e depósitos da Revolut ainda está entre 3% e 4%, o que, na avaliação da companhia, deixa espaço para ampliar a operação. Uma das ferramentas previstas para administrar os riscos é a securitização de carteiras. A ideia é expandir a oferta de crédito sem concentrar todo o risco dos empréstimos no balanço da fintech. Revolut quer chegar a 100 países A expansão na América Latina faz parte de um plano mais amplo de transformar a Revolut em um banco global. Atualmente, a empresa opera em 40 mercados e tem como meta de longo prazo estar presente em até 100 países, com licenças bancárias completas em todos eles.