Após sediar a COP30 no ano passado em Belém (PA) o Brasil chega à próxima COP (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que acontece em Antália, na Turquia, com o desafio de consolidar o protagonismo internacional na agenda climática e transformar os compromissos climáticos em resultados concretos.A avaliação foi feita por especialistas nesta quinta-feira (5) durante painel do CNN Talks – A Economia da Transição sobre os desafios da próxima conferência e o papel brasileiro nas negociações globais.O painel “COP31: os desafios da próxima conferência e o papel do Brasil” reuniu os especialistas para discutir os caminhos do Brasil diante da próxima conferência climática. Para eles, o país reúne vantagens importantes tanto na transição energética, quanto na capacidade de desenvolver soluções para enfrentar as mudanças climáticas.Entretanto, o desafio agora é transformar esse potencial em políticas duradouras, investimentos e oportunidades de desenvolvimento econômico e social, e dependerá da capacidade de transformar o discurso em implementação, com continuidade das políticas públicas, participação da sociedade e investimentos.Leia Mais: Eventos climáticos atingem 85% das cidades brasileiras, diz secretário Com eventos climáticos extremos, saneamento ainda precisa se adaptar Transição energética abre negócios para mineração, energia e transporte Regina Alvalá, diretora do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), destacou os avanços do Brasil na elaboração do Plano Clima, que reúne metas e ações para enfrentar os impactos das mudanças climáticas em diferentes setores. “O Brasil fez um trabalho muito importante e relevante a partir desses últimos quatro anos, mas que se consolidou depois da COP30 aqui no Brasil, que foi o Plano Clima. É indiscutivelmente um plano extremamente robusto, com muitas metas e ações”, afirmou.Regina Alvalá, Diretora do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) no CNN Talks – A Economia da Transição: Da Agenda ao Negócio • AtacamaSegundo a diretora, o país precisa avançar na preparação para eventos extremos, como inundações, enxurradas, secas e incêndios, cujos impactos vão além das cidades e atingem também setores como saúde e geração de energia. Para ela, estudos, pesquisas e investimentos são fundamentais para ampliar a capacidade de prevenção e resposta.Desafio é desenvolver vantagem competitivaJá na avaliação de Rosana Santos, diretora-executiva do Instituto E+ e integrante do Observatório do Clima, o Brasil também precisa melhor sua posição na transição energética para se apresentar ao mundo como fornecedor de soluções, e não apenas de matérias-primas. “A primeira coisa é a gente, como sociedade brasileira, realmente se convencer de que nós somos bons nesse negócio”, afirmou.A diretora também ressaltou que o país construiu, ao longo de décadas, uma matriz energética com participação expressiva de fontes renováveis, como eólica e solar, e desenvolveu experiência em biocombustíveis.Agora, o desafio é transformar essa vantagem comparativa em desenvolvimento industrial, geração de empregos e renda. “A industrialização dessa vantagem comparativa parte por financiamento, capacidade tecnológica. (…) A gente tem que colocar todas as nossas forças, Executivo federal, estadual e municipal, para que a gente se venda lá fora como capaz de ser um provedor de soluções, mais do que um exportador de matéria-prima de baixo processamento”, disse.Rosana Santos, Diretora-executiva do Instituto E+, integrante do Observatório do Clima no CNN Talks – A Economia da Transição: Da Agenda ao Negócio • AtacamaA especialista também destacou uma contribuição brasileira para as discussões internacionais: o conceito de mutirão, que foi apresentado em Belém, e estimula a união de países, empresas e organizações em torno de soluções concretas, mesmo quando não há consenso entre todas as nações.Garantir participação socialO coordenador do GovAmb (Grupo de Pesquisa em Governança Ambiental) da USP, Pedro Roberto Jacobi, chamou atenção para a necessidade de garantir que a transição energética e ambiental seja acompanhada de participação social e justiça. “A primeira palavra que eu utilizaria é que a transição seja justa, ou seja, uma transição ambiental, energética, justa”, afirmou.Jacobi também apontou a necessidade de ampliar o letramento ambiental e melhorar a comunicação sobre os riscos climáticos, sem alimentar uma percepção de catástrofe. Na avaliação dele, um dos principais obstáculos brasileiros está na implementação das políticas públicas.Pedro Roberto Jacobi, coordenador do Grupo de Pesquisa em Governança Ambiental – GovAmb/USP no CNN Talks – A Economia da Transição: Da Agenda ao Negócio • AtacamaEntre os desafios, o professor destacou o de garantir a continuidade das ações nos diferentes níveis de governo e a ampliação da capacidade técnica dos municípios para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. “Boa parte dos municípios brasileiros não tem recursos humanos com a qualificação para enfrentar esses problemas”, alertou.