Brasil é um dos países mais afetados por AVC no mundo; entenda riscos

Wait 5 sec.

O Brasil é um dos países com a maior população afetada por AVC (Acidente Vascular Cerebral) no mundo, segundo dados da SBAV (Sociedade Brasileira de AVC). No país, a doença se tornou uma das principais causa de mortes, ultrapassando a média global.Segundo a associação, entre janeiro e março de 2026, o total de mortes por AVC foi de 20.461, o que representa cerca de 229 por mês, ou seja, 9 mortes a cada uma hora pela doença.No ano passado, este número chegou ao total de 89.490, perdendo apenas para óbitos por infarto, que totalizaram 91.912 casos, segundo o levantamento do Ministério da Saúde. Leia Mais Maya Massafera: tratamento hormonal pode aumentar o risco de AVC Caso Maya Massafera: o que é princípio de AVC e como evitar doença OMS destaca AVC como prioridade global de saúde pública Mas, afinal, o que é um AVC?Recentemente, a doença voltou aos holofotes após a influenciadora Maya Massafera ser hospitalizada para investigar uma suspeita do diagnóstico. O Acidente Vascular Cerebral ocorre quando vasos que levam sangue ao cérebro entopem ou se rompem, provocando uma paralisia da área cerebral.Existem dois tipos de AVC, que ocorrem por motivos diferentes:AVC hemorrágico: Ocorre quando há rompimento de um vaso cerebral, provocando hemorragia. Esta hemorragia pode acontecer dentro do tecido cerebral ou na superfície entre o cérebro e a meninge. É responsável por 15% de todos os casos de AVC, mas pode causar a morte com mais frequência do que o AVC isquêmico.AVC isquêmico: Ocorre quando há obstrução de uma artéria, impedindo a passagem de oxigênio para células cerebrais, que acabam morrendo. Essa obstrução pode acontecer devido a um trombo (trombose) ou a um êmbolo (embolia). O AVC isquêmico é o mais comum e representa 85% de todos os casos.No caso de Maya, ela não chegou a ter um AVC. A influenciadora teve uma suspeita, que é chamada de Ataque Isquêmico Transitório (AIT). No caso dela, o  médico identificou níveis muito altos de colesterol, impulsionado pelo uso de hormônios.O uso de hormônios pode aumentar o risco de AVC?Para a Dra. Renata Bussuan, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Transgênero e endocrinologista, o risco associado à terapia hormonal depende de fatores, como o tipo de hormônio utilizado, a dose e a via de administração.“Pessoas com obesidade, com diabetes ou com hipertensão têm maior risco de AVC em uso de hormônios. E a terapia hormonal também varia muito, tanto a feminilizante quanto a masculinizante, e aí você vai ter padrões diferentes de risco. Por exemplo, o estrogênio aumenta o risco de trombose; a testosterona aumenta o hematócrito, e aí alguns eventos vasculares realmente podem acontecer”, explica a Dra. Renata.Ainda de acordo com a médica, no caso do estrogênio, a principal preocupação está relacionada ao aumento do risco de trombose. Já em pessoas que utilizam testosterona, é importante monitorar o hematócrito, especialmente quando há uso de doses elevadas ou intervalos muito curtos entre as aplicações.AVC não é sentença de morte, aponta especialistas | CNN Sinais Vitais“Então, isso é mais um ponto de atenção para o paciente estar sempre em contato com o seu médico, sempre fazendo a avaliação do hemograma, dos níveis hormonais, da função hepática, de tudo que tem que ser controlado”, diz Dra. Renata.Como prevenir um AVC?A neurologista Carolina Alvarez aponta que uma vida saudável é o principal fator para evitar acidente vascular cerebral, também conhecido como derrame. “Hábitos como não fumar, praticar atividade física, manter uma alimentação equilibrada e controlar pressão alta, diabetes e colesterol ajudam a reduzir o risco cardiovascular”, explicou a neurologista.  Segundo a médica, um possível aumento de risco não significa que a terapia hormonal deva ser evitada. “Com avaliação individualizada e acompanhamento adequado, é possível escolher o tipo, a dose e a via de administração mais apropriados para cada pessoa”, ressalta.