Produção industrial cresce 0,2% em julho, mas cai na comparação anual; veja os dados do IBGEA indústria brasileira voltou a crescer em julho, mas o avanço foi insuficiente para afastar os sinais de perda de ritmo. A produção industrial aumentou 0,2% na comparação com junho, na série com ajuste sazonal, interrompendo dois meses consecutivos de queda. Em relação a julho de 2025, porém, houve retração de 0,5%, segundo dados do IBGE.O resultado mensal foi o primeiro positivo desde abril, quando a indústria havia avançado 0,7%. Ainda assim, a média móvel trimestral recuou 0,8% no trimestre encerrado em julho, sinal de que a recuperação permanece frágil. No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a atividade industrial cresceu 1,1%. Em 12 meses, a alta é de 0,6%. Produção industrial avança em 13 dos 25 ramosA reação de julho foi disseminada, mas concentrada em alguns segmentos. Treze dos 25 ramos pesquisados pelo IBGE registraram aumento, enquanto três das quatro grandes categorias econômicas tiveram desempenho positivo.O principal destaque foi a produção de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, que avançou 12,2%. O setor havia acumulado queda de 12,5% nos dois meses anteriores.Também contribuíram para o resultado os produtos alimentícios, com alta de 1%, e o grupo de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, que cresceu 1,1%. Outros avanços relevantes apareceram em equipamentos de transporte, máquinas e materiais elétricos, produtos do fumo e confecção de artigos do vestuário.Entre as categorias econômicas, os bens de consumo duráveis tiveram a maior alta, de 3,2%, impulsionados por automóveis, eletrodomésticos da linha branca e motocicletas. A produção de bens de capital cresceu 2,4%, enquanto os bens de consumo semi e não duráveis avançaram 0,5%.Os bens intermediários foram a única categoria a apresentar queda no mês, de 0,2%.Setor extrativo puxa resultado para baixoA principal pressão negativa veio das indústrias extrativas, que recuaram 1% em julho. Foi a terceira queda consecutiva do segmento, que acumulou perda de 4,1% nesse período.Também registraram retração a impressão e reprodução de gravações, com queda de 17,2%, os produtos diversos, que recuaram 9%, a metalurgia, com baixa de 1,4%, os produtos químicos, com queda de 0,8%, e celulose, papel e produtos de papel, que diminuíram 1,3%.O desempenho negativo desses setores limitou o avanço da produção industrial e mostra que a alta do mês não foi suficiente para representar uma retomada uniforme da atividade.Comparação anual mostra indústria ainda enfraquecidaNa comparação com julho de 2025, a produção industrial caiu 0,5% e interrompeu uma sequência de quatro meses de resultados positivos. Doze dos 25 ramos pesquisados tiveram queda nessa base de comparação.Os maiores impactos negativos vieram de produtos farmoquímicos e farmacêuticos, com recuo de 13,7%, produtos diversos, que caíram 12%, produtos químicos, com baixa de 6,9%, máquinas e equipamentos, com retração de 6,3%, e produtos alimentícios, que diminuíram 2,6%.Em sentido contrário, a produção de veículos automotores aumentou 7,6%, enquanto produtos do fumo cresceram 23,6%, bebidas avançaram 5% e máquinas, aparelhos e materiais elétricos tiveram alta de 6,4%.O contraste entre a alta mensal e a queda anual indica que parte do resultado de julho representa uma recomposição após perdas recentes, e não necessariamente uma mudança consolidada de trajetória.Bens de capital acendem alerta sobre investimentosO desempenho dos bens de capital merece atenção porque esse grupo está diretamente ligado à compra de máquinas, equipamentos e outros itens usados na expansão da capacidade produtiva.Embora tenha crescido 2,4% na passagem de junho para julho, o segmento acumula queda de 4,9% no ano. A retração é ainda mais intensa entre os bens de capital agrícolas, que recuaram 20,7%, e os bens de uso misto, com baixa de 15,6%.Para a atividade econômica, o dado sugere cautela das empresas em relação a novos investimentos. A alta dos bens duráveis e de alguns setores industriais ajuda a evitar uma contração mais forte no curto prazo, mas a queda dos bens de capital e da média móvel trimestral aponta para uma indústria ainda pressionada.Assim, a produção industrial inicia o terceiro trimestre com uma reação discreta, mas sem evidências suficientes de uma retomada robusta. O comportamento dos próximos meses será importante para indicar se julho representou apenas uma recuperação pontual ou o começo de uma estabilização da atividade.