Plano de governo para a educação pesa na escolha do candidato, mostra levantamento; 80% querem alfabetização como prioridade

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Sala de aula vazia em Santa CatarinaRoberto Zacarias/Secom/Divulgação7 em cada 10 brasileiros consideram os planos de ação para educação na hora de decidir em quem votar. É o que revela o levantamento “O que a população pensa sobre a educação 2026”, realizado pelo Instituto IDEIA e encomendado por instituições do terceiro setor divulgado nesta quinta-feira (3).É ainda maior o número de brasileiros que defende que a alfabetização seja uma pauta priorizada pelos governadores nos próximos quatro anos: 8 em cada 10."Quando oito em cada dez pessoas dizem que a alfabetização deve ser uma prioridade dos candidatos nas próximas eleições, fica evidente que a população reconhece a importância dessa etapa. A alfabetização é fundamental para todas as aprendizagens futuras e para que as crianças se desenvolvam plenamente ao longo de sua trajetória escolar. Os candidatos eleitos precisam priorizar a alfabetização na elaboração e na implementação de seus planos de governo", avalia Felipe Proto, vice-presidente de Educação da Fundação Lemann.A pesquisa também mostra que a valorização dos professores por meio de melhoria na remuneração e melhores condições de formação são as principais prioridades consideradas pelos entrevistados. Investimentos em alfabetização e no ensino técnico também são amplamente considerados pela população.O levantamento conclui que a população consegue identificar fragilidades no cenário educacional e reconhece a necessidade de investimentos mais direcionados, e que considera estes pontos ao ponderar as opções de governantes para os próximos anos.Agora no g1Abaixo, veja os principais destaques do levantamento:Valorização dos professores 53% dos brasileiros apontam melhorar salários e condições de trabalho dos professores como prioridade.37% dizem que melhorar a formação dos docentes também é importante; resposta ficou entre as quatro mais citadas.17,8% consideram que a qualidade do ensino é o que define uma “escola de qualidade”; resposta foi a mais citada pelos entrevistados. 13,1% citam diretamente professores e profissionais qualificados, preparados e comprometidos como a chave para uma “escola de qualidade”. Patricia Mota Guedes, superintendente do Itaú Social/Fundação Itaú, avalia que os dados deixam um sinal evidente sobre o que a sociedade espera para o ensino no Brasil. Valorizar o professor é reconhecer a importância desse trabalho e, ao mesmo tempo, garantir que ele tenha a formação e as condições para realizá-lo da melhor maneira. É uma agenda que precisa estar no centro das políticas educacionais porque, quando valorizamos quem ensina, estamos também criando melhores condições para que os nossos estudantes aprendam”.Alfabetização e ensino técnico48% da população apontam a ampliação dos cursos técnicos como uma das principais prioridades para a educação. Quase o mesmo percentual (47%) cita a alfabetização das crianças até os 8 anos (ao final do 2º ano do ensino fundamental).Individualmente, 83% defendem que a alfabetização seja prioridade dos candidatos nas próximas eleições.80% veem importância na ampliação do ensino técnico, para viabilizar mais oportunidades aos jovens.Mas a população também enxerga os desafios dessas pautas: Apenas 25% concordam que as crianças estão aprendendo a ler e escrever no ritmo esperado;E só 27% consideram que a escola pública prepara bem os jovens para o mercado de trabalho.Tempo integral A educação em tempo integral é uma pauta que ganhou popularidade nos últimos anos, mas as informações acerca da política não alcança a população de maneira homogênea. O levantamento revela que a percepção sobre este ponto varia conforme a classe social e o nível de informação sobre a política:71% dos brasileiros dizem que já ouviram falar de escolas públicas em tempo integral.Mas somente 38% afirmam estar bem informados sobre a proposta do modelo. O cenário impacta na adesão do modelo:Mais da metade dos brasileiros que já ouviram falar do modelo (52%) dizem que matriculariam ou já têm filhos matriculados em escolas em tempo integral. Entre os que não conhecem, somente 33% matriculariam.O interesse em aderir à política (ao matricular um filho em escola do modelo) também varia de acordo com a classe social. Pessoas de classe C, D ou E demonstram mais interesse em registrar um filho em uma escola de tempo integral do que aquelas da classe A ou B.Também são essas as classes as que avaliam a política de maneira mais positiva (51%, 49% e 49% respectivamente), se comparadas com as classes A/B (37%).No geral, os brasileiros avaliam que o modelo traz benefícios de curto e longo prazo. A redução do tempo de tela e da exposição à criminalidade estão entre as principais razões citadas. Além disso, mais da metade da população acredita que o modelo prepara melhor os jovens tanto para o Ensino Superior (57%) quanto para o mercado de trabalho (55%).Outro benefício é a percepção de garantia da segurança familiar. 54% da população considera que o ensino integral permite que os responsáveis trabalhem com mais tranquilidade.Segundo Lia Rolnik, diretora-executiva interina do Instituto Sonho Grande, uma possível leitura do maior interesse das classes C, D e E é que as famílias de menor renda percebam com mais clareza o valor da escola integral como espaço de aprendizagem, proteção e acesso a oportunidades que muitas vezes não estão disponíveis fora dela. Ela avalia que os dados educacionais mais recentes reforçam a ideia de que o formato faz a diferença para famílias de menor nível socioeconômico. "Isso reforça que uma jornada integral bem implementada pode fazer ainda mais diferença para quem parte de condições mais desiguais. Não é apenas mais tempo na escola, mas a possibilidade de transformar esse tempo em mais aprendizagem, desenvolvimento e perspectivas de futuro", diz.Cenário atual da educação45% dos brasileiros avaliam como ótima/boa a qualidade das escolas públicas dos seus respectivos estados; 17% consideram ruim/péssima.49% consideram que a qualidade das escolas públicas dos seus respectivos estados nos últimos quatro anos melhorou; 29% dizem que não houve diferença e 17% acham que piorou ou piorou muito.Apesar da maior faixa considerar que houve melhora na educação, 42% dizem que a maioria dos alunos das escolas públicas brasileiras não está aprendendo o que é esperado para a sua idade-série.Sobre o levantamentoO levantamento “O que a população pensa sobre a educação 2026” é uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto IDEIA e encomendada pela Fundação Itaú, Fundação Lemann, Instituto Natura, Instituto Sonho Grande, Instituto Unibanco e Todos pela Educação.Foram ouvidos 20 mil brasileiros a partir de 16 anos, nas 27 unidades da Federação, entre maio e julho de 2026, e o nível de confiança foi de 95% para cada uma das 27 amostras coletadas. A pesquisa conclui que "a população reconhece a importância da educação e espera prioridade para o tema na agenda dos próximos governos. Na educação, os bons resultados são percebidos pela população e podem fazer diferença na hora do voto."