Área de estudo pesa mais no emprego dos diplomados do que a instituição, revela estudo

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O percurso profissional dos diplomados portugueses depende mais da área de formação do que de terem estudado numa instituição pública ou privada, universitária ou politécnica. A conclusão pertence ao estudo Resultados no Mercado de Trabalho dos Diplomados do Ensino Superior Português, divulgado pelo EDULOG, think tank para a Educação da Fundação Belmiro de Azevedo.A investigação compara duas gerações em diferentes momentos da transição para o mercado de trabalho: os diplomados de 2016/17, inquiridos cinco anos depois de concluírem o curso, e os de 2020/21, ouvidos um ano após a formação.Os resultados mostram que a área escolhida não condiciona apenas o risco de desemprego. Também influencia o salário, a estabilidade contratual, a satisfação profissional e a correspondência entre as qualificações e as funções desempenhadas. Artes, Psicologia e Humanidades enfrentam maior risco de desempregoOs diplomados em Artes, Psicologia, Ciências Naturais, Matemática e Estatística, Humanidades e Línguas apresentam uma probabilidade de desemprego pelo menos 10 pontos percentuais superior à dos que concluíram cursos de Engenharia, Indústrias Transformadoras e Construção. Embora estas diferenças percam alguma expressão ao longo do tempo, continuam a ser estatisticamente significativas cinco anos depois da conclusão do curso.Entre as características individuais analisadas, a média final é a variável mais consistentemente associada ao desemprego: quanto melhor o desempenho académico, menor a probabilidade de ficar sem trabalho. A experiência profissional anterior também parece facilitar a entrada inicial no mercado, embora o seu efeito deixe de ser significativo ao fim de cinco anos.Já a idade e a experiência internacional durante o curso não apresentam efeitos significativos. O tipo de instituição frequentada também não influencia, de forma geral, o risco de desemprego, reforçando a importância da área de formação. Mestrado oferece uma vantagem que se dilui com o tempoTer um mestrado está associado a uma menor probabilidade de desemprego quando comparado com uma licenciatura. No entanto, essa vantagem deixa de ser estatisticamente significativa ao fim de cinco anos. Quando analisado por área de estudo, o efeito favorável do mestrado surge apenas entre os diplomados mais recentes e em três áreas: Línguas; Ciências Sociais, Jornalismo e Informação; e Gestão e Administração.Os dados aconselham, assim, alguma prudência na utilização da empregabilidade como único critério para avaliar cursos ou instituições. O estudo sugere que importa considerar não apenas a obtenção de um emprego, mas também a sua qualidade e adequação às competências adquiridas. Metade dos diplomados em Humanidades e Serviços está sobrequalificadaConseguir trabalho não significa necessariamente desempenhar uma função compatível com o nível de formação. A sobrequalificação, definida como possuir uma escolaridade superior à habitualmente exigida para determinada função, é a forma de desalinhamento mais frequente identificada pelo estudo.Entre os diplomados de 2020/21, a sobrequalificação chega aos 50,6% em Humanidades, aos 50% em Serviços e aos 46,3% em Artes. Em Medicina e Medicina Dentária, o valor é de apenas 6,2%.Os diplomados com mestrado e com formação de ciclo curto apresentam também maior probabilidade de exercer funções abaixo do respetivo nível de escolaridade do que os licenciados. Os resultados expõem uma das contradições do país: ao mesmo tempo que as empresas relatam escassez de talento qualificado, Portugal revela dificuldades em aproveitar plenamente as qualificações dos seus diplomados.As áreas de Tecnologias da Informação e Comunicação e de Engenharia destacam-se pelos diferenciais salariais positivos e níveis mais elevados de satisfação profissional. As TIC surgem igualmente associadas a uma maior estabilidade contratual. Em sentido contrário, algumas formações em Artes, Humanidades, Bem-estar e Serviços apresentam resultados menos favoráveis em diferentes dimensões. Mulheres acumulam salários mais baixos e menor estabilidadeAs desigualdades entre homens e mulheres atravessam as duas gerações estudadas. As diplomadas apresentam, em geral, menor estabilidade contratual, remunerações significativamente inferiores e níveis mais baixos de satisfação com o emprego.As mulheres registam também maior risco de sobrequalificação nas duas coortes. Entre os diplomados de 2016/17, apresentam ainda uma probabilidade significativamente mais elevada de desemprego cinco anos depois da conclusão do curso.Este cenário acompanha outras desigualdades já identificadas no acesso das mulheres ao mercado e à liderança: apesar do crescimento do talento qualificado feminino, continuam a existir diferenças na remuneração, estabilidade e progressão profissional. Só 7,8% dos diplomados mais recentes não enfrenta qualquer desvantagemPara avaliar a acumulação de condições desfavoráveis, o estudo criou um Índice de Desvantagem Cumulativa, que reúne cinco fatores: salário baixo, ausência de contrato sem termo, insatisfação profissional, sobrequalificação e fraco alinhamento entre formação e emprego.Entre os diplomados de 2016/17, 14,1% não registava qualquer uma destas desvantagens. Na geração de 2020/21, a percentagem desce para apenas 7,8%.Em sentido inverso, a proporção de diplomados que acumula as cinco condições adversas sobe de 1% para 2,8%. As mulheres, os estudantes com resultados académicos mais baixos, os diplomados de percursos não universitários e os trabalhadores a tempo parcial apresentam maior probabilidade de acumular dificuldades.Mais do que estabelecer uma hierarquia simplista entre cursos, os resultados apontam para a necessidade de aproximar a formação da realidade profissional, acompanhar os diplomados e melhorar a informação disponível. Num mercado que exige novas competências e no qual os jovens valorizam crescimento e aprendizagem, conseguir emprego é apenas uma parte da equação: importa perceber se esse emprego valoriza verdadeiramente o conhecimento adquirido.O conteúdo Área de estudo pesa mais no emprego dos diplomados do que a instituição, revela estudo aparece primeiro em Revista Líder.