Um estudo publicado na última quarta-feira (02) na revista Nature identificou 1.260 variantes genéticas ligadas à personalidade humana. Segundo os autores, genes explicam entre 4,8% e 13,3% da variação nos cinco grandes traços de personalidade, dependendo do traço e da confiabilidade do instrumento de medição usado.Os cinco traços avaliados são conhecidos como “Os Grandes Cinco”: extroversão, amabilidade, conscienciosidade, neuroticismo e abertura a experiências.Como o estudo foi feitoA pesquisa reuniu dados de 46 grupos com um número de participantes entre 611.037 e 1,14 milhão cada. Os cientistas analisaram genomas de pessoas com ancestralidade europeia e africana.Das 1.260 variantes identificadas, 824 (65%) nunca haviam sido associadas à personalidade antes. Os pesquisadores também usaram dados de 50.725 parentes próximos para testar se os efeitos vinham mesmo dos genes, e não do ambiente familiar compartilhado.O peso genético variou por traço: 9,3% para extroversão, 4,8% para amabilidade, 7,1% para conscienciosidade, 8,3% para neuroticismo e 7,4% para abertura a experiências. Com instrumentos de medição mais confiáveis, esses números sobem até 13,3% no caso da extroversão.Genes influenciam até a forma como somos vistosUsando dados da pesquisa Add Health, nos Estados Unidos, os cientistas também associaram variantes genéticas a características percebidas por terceiros.Pessoas com propensão genética menor a neuroticismo e maior a extroversão, amabilidade e abertura a experiências foram mais frequentemente percebidas como tendo uma personalidade atraente por entrevistadores. Já quem tinha propensão genética maior à amabilidade e conscienciosidade foi percebido como mais bem cuidado na aparência.O estudo também encontrou associações pequenas a moderadas entre propensão genética a neuroticismo – combinada com baixa propensão a amabilidade – e comportamentos como fugir de casa, ser suspenso da escola e já ter apontado uma faca ou arma para alguém.Personalidade genética também prevê onde você vai morarEm uma análise com 419.261 participantes do UK Biobank, perfis genéticos ligados à abertura a experiências previram maior chance de morar em áreas urbanas e cosmopolitas aos 50 anos.Já perfis ligados à conscienciosidade previram maior chance de se mudar para subúrbios de classe média-alta na mesma faixa etária.Usando randomização mendeliana – método estatístico que ajuda a testar relações de causa e efeito –, os autores também encontraram indícios de que a extroversão aumenta o risco de infecção por Covid-19, e que a conscienciosidade reduz o índice de massa corporal e a chance de começar a fumar.Ambiente ainda explica a maior parte da personalidadeApesar dos achados, os próprios autores fazem questão de frisar os limites da descoberta. “Mesmo efeitos genéticos diretos não determinam a personalidade de um indivíduo”, escrevem, no artigo.Os pesquisadores também compararam a previsão genética dentro de famílias com a previsão em nível populacional. A semelhança entre os dois resultados (96%) indica que fatores ambientais compartilhados entre parentes têm pouca influência nos traços de personalidade.O número contrasta com outras características humanas: para escolaridade, essa proporção cai para cerca de 60%; para capacidade cognitiva, para cerca de 80%.O post Seus genes explicam até 13% de quem você é, aponta maior estudo do tipo apareceu primeiro em Olhar Digital.