Ex-número 3 da Fazenda queria abrir sauna para justificar dinheiro vivo

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Preso nesta quinta-feira (3/9) durante operação contra um suposto esquema de propinas em troca de créditos de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), André Weiss sugeriu comprar uma sauna para lavar dinheiro, afirmou o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Weiss, que foi número três da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP), é apontado pela investigação como líder do núcleo público do esquema.A ação desta quinta-feira é um desdobramento da Operação Ícaro, deflagrada em 2025, que resultou na prisão preventiva de executivos de grandes empresas, como a Ultrafarma e a Fastshop, e desarticulou um esquema de fraude tributária arquitetado pelo ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto.Na Operação Ícaro, as autoridades apreenderam o celular do ex-auditor e encontraram uma gravação, em áudio, de uma reunião dele com outros auditores, além de Weiss, em julho de 2023. Um dos objetivos da conversa seria discutir a centralização dos processos de ressarcimento de três grandes contribuintes.Weiss afirma ter pensado em pegar dinheiro e comprar uma sauna em São Paulo para fazer reuniões, mas também porque seria bom para lavagem de capitais. Aos presentes, ele afirmou que quase todas as pessoas pagam em dinheiro e que ninguém usa cartão para pagar saunas, o que é descrito pelo MPSP como um clássico negócio de fachada.Em outro momento, o MPSP descreve que Weiss revelou consciência das fraudes ao afirmar que não poderia ostentar carros de luxo, porque o fato acabaria noticiado pelos jornais e ele poderia ser preso. A conversa gravada revela, segundo o MPSP, que a prática de corrupção e o recebimento de propina eram tratados com extrema naturalidade no âmbito da Secretaria da Fazenda, sendo inclusive motivo de piadas e risadas entre os fiscais presentes.Entenda o esquemaAs empresas que pagavam propina para os fiscais envolvidos na fraude eram privilegiadas na fila do ressarcimento de ICMS – processo que pode durar anos.Os investigadores também constataram que, por vezes, o crédito de ICMS era inflacionado pelos auditores corruptos.Como esses créditos podem ser revendidos no mercado, na prática, o pagamento de propina dava dinheiro aos empresários que participavam do esquema.A Smart Tax, empresa de contabilidade registrada no nome da mãe de Artur Gomes da Silva Neto, emitiu mais de R$ 1 bilhão em notas fiscais, que seriam usadas para dar legitimidade ao valor obtido por propina.A Fast Shop, que segundo o MPSP recebeu R$ 936,4 milhões em vantagens no esquema, terá de pagar multa de R$ 1,04 bilhão – a maior multa já aplicada na história com base na Lei Anticorrupção.Desde novembro de 2023, primeiro ano do mandato de Tarcísio de Freitas (Republicanos), Weiss ocupou o terceiro cargo mais poderoso da Secretaria da Fazenda paulista. Ele deixou o posto em maio de 2026. A organização criminosa contava com a ajuda de Weiss. O esquema mantinha delegados tributários que faziam favores às empresas mediante suborno. Leia também São PauloQuem são os alvos de operação contra a Máfia do ICMS em SP Ramiro BritesAdvogado preso recebia 3% em rateio da propina da Máfia do ICMS, diz MPSP Ramiro BritesMáfia do ICMS: ex-número 3 da Fazenda de Tarcísio é preso após ação do MPSP São PauloFraude bilionária no ICMS pode ter se espalhado pelo país, diz MPSP Quando o caso ganhou destaque, após a prisão do empresário Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, Weiss foi o responsável por escalar oito auditores fiscais para formar grupo de trabalho de combate à fraude.Quanto custa uma delegacia tributáriaWeiss recebeu, de acordo com a investigação do Grupo de Atuação Especial de Repressão aos Delitos Econômicos (Gedec) do MPSP, R$ 4,5 milhões do auditor fiscal Paulo Sérgio Siqueira Prado, conhecido como PP.A propina começou a ser paga em abril de 2023, quando Weiss assumiu o comando da Diretoria de Fiscalização (DIFIS), cargo que ocupou até ser promovido à chefe da Deat. Em troca, o diretor devia manter Paulo Prado como chefe da Delegacia Tributária do Butantã, onde o esquema funcionava.Quem são os alvos da operaçãoJoão André Buttini de MoraesButtini de Moraes Sociedade de AdvogadosBM Tax / Buttini de Moraes Consultoria Ltda.BM Investimentos e Participações Ltda.BM Gestão Patrimonial Ltda.Flávia Buttini de MoraesJuri Consultoria Empresarial Ltda.Marilda Peres de MoraesPatricia Peres de MoraesAmanda Nadal GazzanigaRicardo AdatiAdilson Moreira Gomes e A.M. Gomes Sociedade Individual de AdvocaciaVidal & Mendes (Sociedade de Advogados e Assessoria Empresarial)Fábio Guardia Mendes e Fabiano Cunha Vidal e SilvaAndré WeissBeatriz Helena Sbrissa Lucafó (companheira de André Weiss)Nilo Fernando Sbrissa LucafoHeva Gestão e Participações Ltda. e Biscayne Administração e ParticipaçõesCelso Luiz Profeta da Cruz – diretor financeiro da BM TaxKelly Tatiana Lima CarvalhoMauro Luís Almeida dos AnjosMárcio Miranda Maia e Vitor Manuel dos Santos Alves JuniorLisandra Cristina Greco MarqueziAldo Misael Pires GomesCarmine Lourenço Del Gaiso GianfrancescoJosé Gianfrancesco NettoCarlos Eduardo de Oliveira PereiraJoão Carlos de OliveiraBruno Alves de OliveiraHerman Brian Elias MouraFernando Santiago Miguel GonzalezAnderson Aparecido CarratuSegundo o MPSP, a propina foi paga em parcelas de R$ 250 mil até chegar a R$ 4,5 milhões. O dinheiro tinha origem no escritório do advogado João André Buttini de Moraes. Os clientes do Buttini de Moraes Sociedade de Advogados e da consultoria BM Tax pagavam honorários milionários em troca de vantagens tributárias.Paulo Prado fez, recentemente, acordo de colaboração premiada, em que confirmou o repasse de dinheiro guardado em mochilas entregues a Weiss em restaurantes e cafés da zona oeste de São Paulo.Em nota, a Secretaria da Fazenda e Planejamento afirmou que atua em conjunto com o MPSP na apuração rigorosa dos fatos. “As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, além de um exonerado e 17 servidores afastados sem remuneração.”A pasta informou que as empresas envolvidas também estão sendo responsabilizadas, com autuações específicas que já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.“Qualquer novo fato decorrente dos desdobramentos da operação, inclusive de eventuais acordos de delação ou denúncias, será rigorosamente apurado e, comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.”“A Secretaria reafirma seu compromisso com a rigorosa apuração e responsabilização de eventuais desvios, sem qualquer tolerância com condutas irregulares.”