Fim da taxa das blusinhas não contempla proposta para fibra natural

Wait 5 sec.

A Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) afirmou que seguirá defendendo políticas públicas de incentivo ao uso de fibras naturais e de conscientização sobre os impactos dos microplásticos após a tramitação da Medida Provisória nº 1.357/2026, conhecida como “MP das blusinhas”.Durante as discussões no Congresso nesta primeira semana de setembro, a entidade apresentou informações técnicas sobre o avanço das fibras sintéticas no mercado brasileiro, os impactos associados aos microplásticos e a importância de ampliar a participação de fibras naturais, como o algodão.Entre as propostas defendidas pela Abrapa estava a Emenda nº 52, apresentada pelo senador Carlos Fávaro (PSD-MT), que previa a criação de uma contribuição sobre a importação de produtos têxteis acabados que contenham fibras sintéticas. Leia Mais Entenda o que muda após Câmara aprovar fim da taxa das blusinhas Motta e Alcolumbre prometem força-tarefa para aprovar taxa das blusinhas Congresso instala hoje comissão para analisar MP da "taxa das blusinhas" A medida tinha como objetivos reduzir a poluição provocada por microplásticos e estimular a produção, o consumo e a inovação em fibras naturais. A emenda, porém, não foi incorporada ao texto da medida provisória.Durante a tramitação, a avaliação foi de que a proposta criaria uma nova contribuição e extrapolaria o objeto principal da MP, além de envolver questões que demandariam uma discussão específica.Para a Abrapa, a retirada da emenda não encerra o debate. A entidade informou que pretende manter ações de comunicação, conscientização e produção de informações sobre microplásticos e fibras naturais.Segundo a associação, o tema também poderá voltar a ser discutido no Congresso por meio de um projeto de lei específico a partir da próxima legislatura, o que permitiria uma análise mais ampla da questão.“O debate dentro da MP não encerra a pauta. Vamos continuar contribuindo com informações e dialogando para que o Brasil possa construir políticas públicas que estimulem escolhas mais sustentáveis e ampliem o espaço do algodão”, afirmou o presidente da Abrapa, Gustavo Piccoli.A entidade avalia que a tramitação da MP ajudou a ampliar a discussão sobre o avanço das fibras sintéticas e os impactos ambientais relacionados ao uso desses materiais.Fim da Taxa das BlusinhasO eventual fim da “Taxa das Blusinhas”, tributação sobre compras internacionais de pequeno valor do programa Remessa Conforme, deve pressionar os preços e diminuir a demanda doméstica por algodão, segundo representantes do setor. Atualmente, cerca de um terço da produção brasileira de algodão permanece no país para ser transformada em produto final.Márcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, destaca que a demanda interna por algodão tende a diminuir com o fim da taxa, o que resulta em um efeito que atinge a cadeia de produção. “Com o fim da taxação, os consumidores podem voltar a priorizar o comércio on-line de roupas importadas e não fabricadas no Brasil, o que representa um risco para toda a cadeia têxtil nacional”, disse à CNN Brasil.“Caso haja uma redução da demanda interna por algodão, a tendência é que os produtores busquem novos mercados internacionais capazes de absorver essa produção, ampliando o volume exportado de algodão brasileiro”, explicou.O diretor reforça ainda que, em um cenário em que os produtores já operam com margens apertadas, uma eventual queda no consumo interno também pode pressionar e desvalorizar os preços do algodão em pluma, o que motiva uma possível diminuição na área plantada.O fim da tributação ainda pode impactar significativamente a indústria de varejo, que depende da pluma brasileira e busca maior competitividade frente aos concorrentes internacionais. O programa impõe um imposto de 20% sobre compras de até US$ 50 em sites do exterior e 60% para compras de US$ 50,01 a US$ 3 mil.Segundo dados da Receita Federal, o Remessa Conforme arrecadou R$ 9,6 bilhões desde sua implementação em agosto de 2024, ano em que a captação com o imposto chegou a R$ 2,88 bilhões. Em 2025,  R$ 5 bilhões foram captados pela medidaSegundo dados da Abrapa, o setor têxtil e de confecção, amplamente abastecido pela pluma, fatura R$ 221 bilhões e exporta US$ 908 milhões por ano. As importações, mesmo com a “taxa das blusinhas” ainda são soberanas em US$ 6,6 bilhões, o que ocasiona déficit de US$ 5,7 bilhões sobre a balança comercial. O setor emprega, segundo dados, 1,31 milhão de pessoas em mais de 25 mil empresas no Brasil.Algodão brasileiro mira acordo comercial para avançar na Índia