As exportações brasileiras de carne bovina in natura para a China despencaram em agosto e registraram o pior resultado desde dezembro de 2021. O Brasil embarcou apenas 16 mil toneladas para o mercado chinês no mês, queda de 89,83% em relação às 158 mil toneladas exportadas em agosto de 2025.Segundo Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, o volume exportado em agosto foi excepcionalmente baixo.“16 mil toneladas de carnes exportadas em agosto pra China, pior desempenho desde dezembro de 2021.”O analista destaca que o resultado representa uma forte desaceleração dos embarques brasileiros para o principal destino da carne bovina do país.“Fazia muito tempo que eu não via um desempenho assim tão ruim assim””, comentou. Leia Mais Exportações brasileiras à China caem 10,9% em agosto ante igual mês de 2025 China confirma que cota para carne bovina brasileira atingiu 78,9% Cota da China altera estratégia e preocupa setor da carne bovina brasileira A retração ocorre após o Brasil ultrapassar a cota tarifária estabelecida pela China para as importações de carne bovina. Com o limite atingido, o volume excedente fica sujeito à tarifa integral de importação, reduzindo a competitividade do produto brasileiro no mercado chinês.Segundo dados do Secex (Secretária do Comércio Exterior), compilados pela Safras & Mercado, o Brasil exportou 1,205 milhão de toneladas de carne bovina para a China entre janeiro e agosto de 2026. O volume equivale a 108,99% da cota anual de 1,106 milhão de toneladas.O ritmo de embarques acelerou principalmente no segundo trimestre deste ano. O pico dos embarques foi registrado em maio, o Brasil exportou 154,8 mil toneladas para a China, alta de 39,42% em relação ao mesmo mês de 2025. Em junho, foram 158,3 mil toneladas, avanço de 17,81% na comparação anual.Depois disso, o fluxo começou a perder força e em julho, os embarques recuaram para 82,7 mil toneladas, queda de 47,78% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em agosto, o volume desabou para 16,08 mil toneladas.O cenário também aumenta a pressão sobre os frigoríficos brasileiros, que precisam buscar destinos alternativos para parte da produção. A China concentra uma parcela relevante das compras externas de carne bovina do Brasil, e substituir rapidamente esse volume por outros mercados não é simples.Enquanto o Brasil já ultrapassou sua cota anual, outros fornecedores ainda possuem espaço relevante para ampliar as vendas ao mercado chinês. Até julho, a Argentina havia utilizado 52,40% de sua cota de 511 mil toneladas, enquanto o Uruguai havia utilizado apenas 28,05% de um limite de 324 mil toneladas.A Nova Zelândia também tinha utilizado 36,44% de sua cota de 206 mil toneladas. Os Estados Unidos, por sua vez, haviam utilizado apenas 0,60% de um limite de 164 mil toneladas.Mesmo diante da forte redução das exportações para a China, o analista aponta que a arroba do boi gordo permanece sustentada no mercado físico brasileiro. Um dos principais fatores de suporte está na menor disponibilidade de animais prontos para o abate no segundo semestre.https://stories.cnnbrasil.com.br/?post_type=web-story&p=530122