Arqueólogos encontram “porta” de 4,7 mil anos que ligava mundo dos vivos ao dos mortos

Wait 5 sec.

Arqueólogos que escavam a necrópole de Saqqara, no Egito, fizeram uma nova descoberta impressionante: uma tumba que remonta ao Reino Antigo, período de aproximadamente 4,7 mil a 4,2 mil anos atrás. O local fica a cerca de 40 quilômetros a sudoeste do Cairo e é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO.Segundo os hieróglifos encontrados na tumba, o sepultamento pertencia a um alto funcionário chamado Sekhentyu-Ptah. As inscrições registram uma longa lista de funções exercidas por ele, incluindo os cargos de camareiro real, supervisor das obras do rei, supervisor dos documentos reais, sacerdote da deusa Maat e supervisor dos escribas.A importância do homem também é indicada pelos objetos encontrados dentro da tumba. Os arqueólogos localizaram mais de 100 estatuetas, que teriam a função de servir ao falecido na vida após a morte.A equipe também encontrou três sarcófagos de pedra ainda selados e em suas condições originais, além de uma figura de falcão feita de madeira, cerâmicas e outros artefatos.Uma passagem entre dois mundosUm dos elementos mais interessantes da descoberta está diante de uma chamada porta falsa da tumba. No local havia objetos funerários, incluindo uma mesa de oferendas, um disco de oferendas e uma bacia de purificação.Apesar do nome, a porta falsa não tinha como objetivo enganar ladrões de tumbas. Na verdade, ela desempenhava uma função simbólica e espiritual: era considerada uma espécie de passagem entre o mundo dos vivos e o dos mortos, permitindo que os espíritos transitassem entre os dois.A tumba, no entanto, acabou sendo saqueada em algum momento ao longo dos milênios.Vista dos hieróglifos no túmulo – Imagem: Ministério do Turismo e Antiguidades do EgitoLeia mais:Após 4 mil anos, é revaledo o segredo das princesas do Egito AntigoPirâmide de Gizé resiste a terremotos há mais de 4 mil anos; entenda comoGrande Pirâmide do Egito foi preparada para resistir a terremotos, revela estudoSaqqara ainda guarda surpresasA nova descoberta se soma a uma longa lista de achados arqueológicos realizados em Saqqara. A necrópole abriga pirâmides reais e ruínas de pirâmides, incluindo a Pirâmide de Djoser, considerada a mais antiga pirâmide conhecida do Egito;O local também abriga uma das múmias mais antigas e bem preservadas conhecidas do Egito antigo;As escavações em Saqqara são realizadas desde meados do século XIX, mas a região continua revelando novas descobertas. O Egito também renovou os esforços para transformar o sítio em um importante polo de turismo e arqueologia;Apesar de ser considerada tão fascinante quanto outros locais históricos do país, Saqqara ainda recebe menos visitantes. Entre os motivos estão as condições das estradas, a falta de banheiros e cafeterias e a distância maior em relação ao Cairo.Segundo o egiptólogo Magdy Shaker, a diferença em relação a Gizé está justamente na variedade histórica de Saqqara.“Gizé é arquitetonicamente e historicamente restrita: é fundamentalmente um campo de pirâmides da Quarta Dinastia. Saqqara, por sua vez, abriga pirâmides, templos, tumbas privadas, uma necrópole subterrânea de animais e um mosteiro, abrangendo praticamente toda a história do Egito antigo”, afirmou Shaker.O post Arqueólogos encontram “porta” de 4,7 mil anos que ligava mundo dos vivos ao dos mortos apareceu primeiro em Olhar Digital.