Foto: Gabriel LeiteNascido e criado em Mirandópolis, Márcio Higino Antonine, de 41 anos, cresceu na lavoura e desde os 9 anos tem as motos como uma de suas paixões. O interesse pelo esporte off-road aumentou com o tempo e, em 2014, ao lado de amigos, ajudou a criar o De Cara na Lama Trilha Clube. Há 16 anos, Márcio trabalha como motorista em uma usina e, há cerca de dois anos, preside o De Cara na Lama. Entre trilhas e eventos, encontrou uma forma de reunir amigos e também ajudar quem precisa. O grupo já realizou ações em benefício da AMAI, do Hospital do Amor de Jales e do Fundo Social de Mirandópolis.Como foi sua infância?Minha infância foi no campo. Meu pai era agricultor e minha mãe, dona de casa. Tenho mais três irmãos e fomos criados na lavoura, plantando e cuidando de sítio. A gente cresceu junto, trabalhando na roça e ajudando em casa.Quando começou sua paixão pelas motos?Desde os 9 anos eu já estava em cima de uma moto. Tinha um primo que trazia motos e isso despertou meu interesse. Primeiro vieram aquelas motos mais velhas, para empinar nos encontros de Moto Fest. Depois conheci o off-road, com motos mais preparadas, e comecei a fazer trilhas.Como surgiu o De Cara na Lama?Em 2014, já éramos um grupo chamado Trilheiros de Mirandópolis. Fizemos amizades com pessoas de Araçatuba, Guaraçaí, Andradina e outras cidades e tivemos a ideia de criar nossos próprios eventos. Começamos em um sítio, depois fomos para o Pé de Galinha e, com o tempo, levamos o evento para a cidade. O nome De Cara na Lama foi dado pelo Chiquinho (In Memoriam), irmão do Sagui, que também faz parte do nosso grupo.Doações realizadas pelo De Cara na Lama nos últimos meses. Fotos: DivulgaçãoComo é estar à frente do De Cara na Lama?Eu tinha medo, mas acabei topando e falei que íamos tocar juntos. A equipe ajuda muito e está sendo uma experiência boa. Fazer um evento dá medo, porque é um risco, mas, graças a Deus, nunca tivemos nada muito grave. O que mais gosto é a amizade. O trilheiro não faz diferença pelo preço da moto. Se você comprar uma amanhã e quiser fazer parte, será bem-vindo. Acho que isso atrai o pessoal e foi assim que fiz muitas amizades.Qual viagem mais marcou você?A Serra da Canastra. Levamos as motos de caminhão e fizemos as trilhas. Foi muito legal conhecer lugares e pessoas diferentes. Parece outro mundo. Sua família participa dessa paixão?Sou muito grato por ter meu filho Gustavo perto de mim. Ele participa dos eventos, anda comigo e é um excelente piloto. Minha esposa, Iara também sempre acreditou nessa paixão. Minha família também ajuda nos eventos no que for preciso. Hoje temos duas motos. Reformei uma e dei a outra para o meu filho.Como surgiu o lado solidário?A gente viu que podia ajudar quem precisa. O Ser Criança cuida do bar do evento desde o ano passado e, neste ano, também fizemos outras doações: R$ 2,5 mil em fraldas para a AMAI, uma máquina de cortar cabelo e R$ 5,5 mil em alimentos para o Hospital do Amor de Jales. A entrada solidária ainda arrecadou mais de 500 quilos de alimentos para o Fundo Social de Mirandópolis.Que mensagem deixa?Hoje vemos tantas coisas ruins no mundo, como drogas e bebidas. Não precisa ir para esse lado para ser feliz. Existem outros caminhos. Para mim, a moto é uma forma de espairecer a cabeça. Às vezes você está cheio dos seus problemas, sai andando e se distrai. Cada pessoa pode encontrar algo que faça bem. Aproveito e agradeço aos meus parceiros, me sinto muito orgulhoso em fazer parte desse grupo. Aos patrocinadores, que sempre ajudam, e à minha família, que está junto em tudo. Se não tem a família ao seu lado, você não consegue fazer nada. O post Márcio Antonine: das primeiras aventuras sobre duas rodas ao trabalho solidário do De Cara na Lama apareceu primeiro em AGORA NA REGIÃO.