A história da Tia Sônia – segunda maior fabricante de granolas do país, que produz cerca de 300 toneladas por mês –, começou com um acidente gravíssimo. Marcos Fenício, CEO e fundador, tinha 17 anos, na década de 1990, quando caiu de moto. “Tive que amputar minha perna, e isso me fez buscar um sentido para a vida”, disse Marcos, em entrevista a Mariana Amaro, apresentadora do podcast Do Zero ao Topo. Entre várias transformações, parou de comer carne.Para complementar a alimentação, Marcos levou para casa um punhado de granola. Não aquela que todo mundo adora. Uma versão menos interessante. “Naquela época, as granolas tinham muito fibra, não eram tão saborosas como hoje”, conta. “Minha mãe olhou aquilo ali e falou: ‘peraí’. Ela é cozinheira de mão cheia. Pegou aquilo e ‘abaianou’ o negócio”.Pronto, estava nascida uma granola deliciosamente abaianada. Mas pouca gente soube disso naquele momento. Em busca de um sentido para a vida, Marcos resolveu fazer uma trilha no Peru. “Alternativo, naquela época, tinha que ir para Machu Picchu”, recorda. Para se alimentar na viagem, em meados dos anos 1990, sua mãe preparou um pacote de seis quilos. Como era muito, ele deixou um pouco com os amigos. Conheceu lugares, tirou boas fotos e, na volta ao Brasil, encontrou o sentido da (sua) vida.Marcos Fenício, fundador e CEO da Tia Sônia, marca de alimentos, em viagem ao Peru (Foto: Arquivo pessoal)“Quando eu voltei, meus amigos estavam enlouquecidos com a granola. Perguntaram quando teria mais”, conta Marcos. “Respondi que ia demorar, porque a minha mãe fazia grandes quantidades, de muito em muito tempo”. Foi quando um amigo perguntou: “Por que você não faz para vender?”Aos 30 anos, Marcos era engenheiro agrônomo, mas a profissão mal pagava as contas. “Voltei para casa e pedi R$ 40 emprestados à minha mãe”, recorda. “Não sei qual taxa de juros ela colocou, mas sei que aquele empréstimo está rendendo até hoje”. Pediu também algo muito mais valioso: a fórmula secreta da granola.Dos 15 quilos às 300 mil toneladasMarcos começou sua produção em uma bacia. Fez 15 quilos de granola e fracionou em potinhos de plástico. A etiqueta, feita na impressora de um computador 386, trazia a lista de ingredientes (aveia, gérmen de trigo, amendoim, manteiga, sal marinho e côco), a validade (120 dias), o peso (140 gramas) e a data de fabricação: 14 de maio de 1996, 30 anos atrás. Trazia também a marca da recém-criada empresa.Leia mais: “‘Eu não acredito em herdeiros’: a visão do executivo que assumiu a Cory AlimentosE também: Food To Save transformou comida que iria ao lixo em um negócio de R$ 220 milhõesQuase que a fábrica de granola nasce com o nome errado. “Pensei em chamar de Granola Baiana, mas um amigo disse: ‘é Tia Sônia, não tenha dúvida, é o nome da sua mãe’”, conta Marcos. Era uma homenagem à mãe, criadora da receita, investidora-anjo do capital inicial de R$ 40 e apoiadora do negócio, mesmo quando pouca gente acreditava.Por muito tempo, só a Sônia, mãe de Fenício, acreditou no sucesso da Tia Sônia, a empresa. “A maioria falava assim, ‘ah, isso é comida de passarinho’”, conta Marcos. “Algumas pessoas falavam ‘rapaz, você é engenheiro agrônomo formado, por que quer mexer com esse negócio?”.Marcos Fenício, fundador e CEO da Tia Sônia, marca de alimentos (Foto: Divulgação)Malhação deu uma forçaAté que veio a Malhação, misto de seriado e novelinha jovem das tardes da Rede Globo, com 27 temporadas entre 1995 e 2020. Na trama, um dos pontos de encontro dos personagens era a lanchonete Guaca Mole, que começou a servir tigelas de açaí com… granola.Leia mais: Como montar um plano de negócios?E também: “Já existe o ‘sabor’ chocolate. Daqui a pouco terá só o aroma”, diz fundador da Dengo“Granola era um produto restrito à turma da alimentação macrobiótica, vendido em lojas especializadas em produtos naturais, como a Mundo Verde”, conta Marcos. “Mas, quando apareceu na televisão, virou tendência entre praticantes de jiu-jitsu e de surfe. Os supermercados começaram a comprar, a abrir prateleira. Aí, o negócio voou”.Para saber mais detalhes sobre a Tia Sônia, veja o episódio completo no Do Zero ao Topo. O programa está disponível em vídeo no YouTube e em sua versão de podcast nas principais plataformas de streaming como ApplePodcasts, Spotify, Deezer, Spreaker, Castbox e Amazon Music.Sobre o Do Zero ao TopoO podcast Do Zero ao Topo é uma produção do InfoMoney e traz, a cada semana, a história de mulheres e homens de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.The post Como um grave acidente e a novela Malhação deram impulso à uma indústria de alimentos appeared first on InfoMoney.