O julgamento de Lindsay Clancy, enfermeira americana acusada de matar seus três filhos em 2023, foi anulado pelo juiz William Sullivan, após o júri não chegar a um veredito final unânime.O voto final foi de 11 a 1 em relação à absolvição de Clancy. A defesa da enfermeira chegou a enviar um apelo de sete páginas ao juiz, alegando que uma “intervenção é necessária neste caso para evitar a anulação — evitável — de um processo que demanda tanto tempo e esforço e que despertou tamanha atenção pública”.Segundo o documento enviado pela equipe do advogado de defesa, Kevin Reddington, o raciocínio do jurado que se opôs à absolvição “reflete um preconceito contra aqueles que sofrem de doenças mentais debilitantes”, e que, devido a seu viés, o juiz teria que removê-lo do caso. Leia Mais Entenda a "Lei Rouanet" que Trump quer implementar para Hollywood Julgamento de enfermeira acusada de matar filhos termina sem veredito Agente do ICE enfrenta acusação federal por mentir sobre morte de imigrante Reddington também afirmou que o jurado estaria se recusando a seguir as instruções de Sullivan sobre dúvida razoável, citando informações dadas pelo júri à corte.Contudo, Sullivan afirmou que não acreditava que seria possível continuar questionando o jurado sobre suas deliberações.Após o apelo, o juiz decidiu manter sua decisão, definindo que o caso fosse anulado e abrindo precedentes para um novo julgamento.Entenda o casoClancy, de 36 anos, respondia por três acusações de homicídio em primeiro grau pelas mortes dos filhos Cora, de 5 anos; Dawson, de 3; e Callan, de 8 meses. Os jurados também poderiam considerar acusações menos graves de homicídio em segundo grau e homicídio culposo.Ela não nega ter estrangulado os filhos no porão da casa da família, em janeiro de 2023. A defesa, porém, argumentou que ela não deveria ser responsabilizada criminalmente porque sofria de psicose pós-parto na época das mortes e da tentativa de suicídio.O julgamento, transmitido pela televisão, reacendeu debates de longa data sobre como a saúde mental pós-parto das mulheres é tratada nos EUA e como o sistema jurídico do país lida com casos em que mães matam seus filhos.Ninguém contesta o fato de que Clancy estrangulou até a morte seus três filhos em janeiro de 2023, utilizando faixas elásticas de exercícios no porão de sua casa em Duxbury, um subúrbio de Boston. Em seguida, ela se feriu com uma faca e saltou de uma janela do segundo andar, em uma tentativa frustrada de tirar a própria vida, que a deixou paralisada.Durante o julgamento, seu advogado, Kevin Reddington, tentou convencer os jurados de que ela deveria ser considerada inocente por motivo de insanidade, argumentando que ela era uma mãe amorosa que estava passando por um episódio psicótico quando matou as crianças.A acusação concentrou-se em evidências mostrando que, pouco antes dos assassinatos, Clancy havia enviado seu então marido, Patrick Clancy, para buscar um pedido de comida e ir a uma farmácia, depois de verificar no celular quanto tempo ele levaria para retornar para casa.Ao retornar, ele a encontrou caída no chão do quintal, com cortes nos pulsos e no pescoço. Após a chegada das equipes de emergência, Patrick disse que correu para o porão — onde a esposa havia dito que as crianças estavam — e as encontrou com faixas elásticas de exercício amarradas ao redor do pescoço.Ele e outras testemunhas relataram que Clancy lhes disse, posteriormente, ter ouvido a voz de um homem dizendo que, se ela não agisse, perderia a oportunidade. Reddington argumentou que isso era uma evidência de que ela sofria de psicose pós-parto no momento da tragédia, após meses de luta com sua saúde mental.(Com informações da CNN e supervisão de Malu Baccarin)*