Como aproveitar a alta da bolsa americana sem abrir mão da renda fixa brasileira?A bolsa americana e a renda fixa brasileira oferecem, neste momento, duas teses diferentes para o investidor. Enquanto o S&P 500 acumula valorização superior a 10% em 2026, os títulos públicos brasileiros continuam oferecendo juros reais elevados em meio à Selic de 14% ao ano.Para quem não quer escolher entre os dois mercados, uma alternativa é combinar as exposições na mesma carteira. É essa a proposta do GOAT11, ETF da Itaú Asset que destina 80% dos recursos ao IMA-B e os outros 20% ao S&P 500.A estrutura coloca a maior parte do patrimônio em títulos públicos brasileiros indexados à inflação, mas reserva uma parcela para as maiores empresas da bolsa americana. Na prática, o investidor passa a ter exposição a duas fontes distintas de retorno em uma única posição.S&P 500 mantém força em 2026O mercado acionário americano chega aos últimos meses de 2026 com desempenho positivo. O S&P 500 acumulava alta de 12,3% no ano até o fim de agosto, enquanto os resultados das empresas e as expectativas relacionadas aos investimentos em inteligência artificial continuavam entre os fatores de sustentação das ações.O índice reúne 500 das maiores empresas listadas nos Estados Unidos e oferece exposição a setores como tecnologia, saúde, finanças, consumo e indústria. Para o investidor brasileiro, investir em ativos ligados ao S&P 500 também significa diversificar geograficamente o patrimônio, reduzindo a dependência do desempenho da economia doméstica.Renda fixa brasileira segue pagando juros elevadosSe a bolsa americana representa a parcela de crescimento da estratégia, o IMA-B ocupa o outro lado da carteira.O índice acompanha uma cesta de títulos públicos brasileiros atrelados à inflação. São papéis cuja remuneração combina a variação do IPCA com uma taxa de juros real e que também estão sujeitos à marcação a mercado.O cenário atual continua favorável para essa classe de ativos. Mesmo após o início do ciclo de cortes, a Selic permanece em 14% ao ano, enquanto os títulos públicos indexados à inflação seguem oferecendo taxas reais elevadas.Isso cria uma situação interessante para o investidor: não é necessário assumir exposição integral à renda variável para buscar retornos além da inflação. Uma parcela relevante da carteira pode permanecer em títulos públicos, enquanto uma posição menor captura o desempenho das ações americanas.O que acontece se os juros brasileiros caírem?A combinação ganha uma característica adicional quando se olha para a trajetória dos juros. Os títulos que compõem o IMA-B são marcados a mercado. Portanto, uma queda das taxas reais pode provocar valorização dos papéis e beneficiar o desempenho do índice.Isso significa que a parcela de renda fixa do GOAT11 não funciona apenas como um componente defensivo da carteira.Em um cenário de queda dos juros reais, os títulos públicos podem gerar ganhos de capital. Ao mesmo tempo, a parcela de 20% em ações americanas mantém a carteira exposta ao crescimento dos lucros das empresas e ao desempenho de Wall Street.O investidor, portanto, não precisa acertar qual dos dois mercados terá o melhor desempenho para que a combinação faça sentido.O papel do dólarA exposição ao S&P 500 também acrescenta uma variável que não existe na parcela de IMA-B: o câmbio. Como a exposição internacional é feita em dólar, a rentabilidade da parcela americana para o investidor brasileiro resulta da combinação entre o desempenho das ações e a variação da moeda americana frente ao real.Em uma eventual valorização do dólar, por exemplo, o efeito cambial pode ampliar o retorno dessa parcela quando convertido para reais. Se o real se valorizar, o efeito pode ser contrário.Para quem a combinação pode fazer sentido?O GOAT11 pode interessar ao investidor que deseja diversificar geograficamente a carteira, mas ainda considera importante manter uma exposição majoritária à renda fixa brasileira.A estrutura também permite combinar duas teses que podem coexistir no atual cenário: juros reais elevados no Brasil e perspectiva de continuidade dos investimentos e do crescimento dos lucros das empresas americanas.Isso não significa que as duas parcelas necessariamente subirão juntas. O IMA-B pode sofrer com uma abertura das taxas reais, enquanto o S&P 500 pode recuar diante de uma mudança nas expectativas para os juros americanos ou nos resultados das empresas.A vantagem buscada pela composição 80/20 está justamente em não depender de uma única variável. Para o investidor brasileiro, a decisão passa menos por escolher entre “bolsa americana ou renda fixa” e mais por definir quanto do patrimônio deseja manter em cada uma dessas teses.