O ex-diretor-geral da DEAT (Diretoria Geral Executiva da Administração Tributária) da Secretaria da Fazenda de São Paulo, André Weiss, teria utilizado a palavra “rateio” para se referir ao tema de uma reunião reservada com investigados por um esquema de cobrança de propina para interferir em procedimentos de créditos tributários.A informação foi descoberta através de uma gravação ambiental, realizada em 2023, por um dos próprios membros do grupo. Segundo a investigação do MPSP (Ministério Público de São Paulo), na ocasião, Weiss teria feito comentários relacionados a formas de lavagem de dinheiro e à possibilidade de exposição pública e responsabilização penal.Weiss e o advogado João Buttini são alvos de uma operação do Ministério Público na manhã desta quinta-feira (3), que tem como objetivo aprofundar a investigação sobre uma organização criminosa suspeita de atuar no âmbito da Secretaria da Fazenda e Planejamento do estado.São cumpridos dois mandados de prisão preventiva e realizadas buscas em 47 endereços residenciais, profissionais e empresariais, localizados na capital, na Grande São Paulo, no interior paulista e em Mato Grosso do Sul. Leia Mais Ex-chefe da Receita em SC é alvo da PF por propina de R$ 2 milhões Operação mira grupo que fraudou financiamentos durante a pandemia em SP RJ: Operação mira quadrilha que aplicava golpes em servidores públicos “Rateio” e esquema de propinaO Ministério Público aponta a gravação como um dos principais elementos de prova contra André Weiss. O áudio foi encontrado no celular de um dos investigados, que participou do encontro e realizou o registro por conta própria.Segundo a representação da promotoria, na conversa, Weiss usou a palavra “rateio” ao se referir ao tema de uma reunião reservada com um delegado.De acordo com o documento, o ex-diretor-geral ainda teria feito comentários sobre formas de lavagem de dinheiro e sobre a possibilidade de o esquema ser exposto publicamente e resultar em responsabilização criminal. O almoço teria contado com a presença de Weiss e outros cinco homens, sendo um deles responsável pela gravação.A gravação é apontada pelo órgão como uma das quatro frentes de prova relacionadas ao ex-diretor-geral, ao lado da colaboração premiada, de manuscritos sobre “rateio” apreendidos e de elementos financeiros e patrimoniais obtidos a partir de relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e de registros notariais.OperaçãoO MPSP (Ministério Público do estado de São Paulo) realiza a operação, na manhã desta quinta-feira, contra um grupo suspeito de cobrar propina para interferir em procedimentos de créditos tributários na Secretaria da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo.Os principais alvos da ação são o advogado João Buttini e o ex-diretor-geral da DEAT (Diretoria Geral Executiva da Administração Tributária) da Secretaria da Fazenda de São Paulo, André Weiss.Leia mais: MP mira advogado e ex-dirigente da Fazenda por esquema de propina em SPSegundo o Ministério Público, Buttini é apontado como responsável pela captação de grandes contribuintes, negociação dos honorários e dasfacilidades indevidas, definição da parcela atribuída aos integrantes do esquema e pela entrega de valores ao núcleo público, figurando como uma das principais lideranças da estrutura.Buttini teria repassado aproximadamente R$ 13 milhões em vantagens indevidas entre 2021 e 2025. O destinatário dos valores seria o então Delegado Regional Tributário da DRTC-III (Butantã). Do valor recebido, o ex-delegado ainda declarou ter repassado aproximadamente R$ 4,5 milhões, em espécie e geralmente dentro de mochilas, para André Weiss.Weiss é apontado como o chefe do núcleo público do esquema. De acordo com o MP, ele usava da influência interna para manter uma “arquitetura funcional” na Secretaria da Fazenda que favorecesse os interesses do grupo.A CNN Brasil tenta localizar a defesa dos citados. O espaço está aberto para manifestações.O que diz a Fazenda“Desde a deflagração da Operação Ícaro, em agosto de 2025, a Secretaria da Fazenda e Planejamento atua em conjunto com o Ministério Público de São Paulo na apuração rigorosa dos fatos. As ações da pasta resultaram na demissão de cinco envolvidos, além de um exonerado e 17 servidores afastados sem remuneração.As empresas envolvidas também estão sendo responsabilizadas, com autuações específicas que já resultaram na constituição de mais de R$ 3 bilhões em créditos tributários, multas e juros.Qualquer novo fato decorrente dos desdobramentos da operação, inclusive de eventuais acordos de delação ou denúncias, será rigorosamente apurado e, comprovadas irregularidades, serão adotadas as medidas cabíveis.A Secretaria colabora integralmente com as investigações e reafirma seu compromisso com a rigorosa apuração e responsabilização de eventuais desvios, sem qualquer tolerância com condutas irregulares.”