União Europeia suspende entrada de carne brasileira; entenda impactos

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União Europeia suspende entrada de carne brasileira; entenda impactosA União Europeia interrompeu nesta quinta-feira (3) a entrada de novas cargas de proteínas animais brasileiras no bloco, em um embargo que coloca em risco até US$ 2 bilhões por ano em exportações do país. Carne bovina, frango, suína, mel, pescados e ovos estão entre os produtos impedidos de chegar às 27 nações do bloco a partir de hoje.O bloqueio tem origem regulatória, não sanitária. A UE não apontou irregularidades em lotes de carne brasileira. O que motivou a exclusão do Brasil das listas de países habilitados foi a avaliação europeia de que o controle nacional sobre o uso de antimicrobianos na pecuária é insuficiente. O bloco proíbe o emprego dessas substâncias para estimular o crescimento animal e veda também o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de infecções humanas.O instrumento legal que formaliza o veto é o Regulamento de Execução (UE) 2026/1189, assinado pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 4 de junho de 2026 e publicado no Jornal Oficial da UE no dia seguinte. O peso econômico da decisão da União Europeia Só a carne bovina respondeu por cerca de US$ 1,7 bilhão em exportações brasileiras à UE em 2025, o equivalente a aproximadamente 15% de tudo que o Brasil vendeu ao exterior nesse segmento. Somados os demais itens bloqueados, o impacto potencial chega a US$ 2 bilhões anuais, segundo estimativa do InvestNews.Entre as empresas com maior exposição ao mercado europeu estão JBS (JBSS32), BRF (BRFS3), Marfrig (MRFG3) e Minerva (BEEF4).O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) contestou o embasamento da restrição e afirmou que a legislação brasileira já limita o uso de antimicrobianos como promotores de crescimento, em linha com as diretrizes da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) e do Codex Alimentarius. A documentação técnica enviada à Comissão Europeia para comprovar essa equivalência, porém, não foi aceita a tempo de suspender o regulamento.Auditoria em curso e possível reversãoA decisão pode ser revertida dependendo do andamento das negociações entre o Brasil e a UE. Nesta semana, o bloco realiza no país uma auditoria nas cadeias de produção de frango e mel, com conclusão prevista para esta sexta-feira (4). O resultado ainda passará por análise interna europeia, processo estimado em cerca de dois meses. Uma porta-voz da Comissão Europeia disse à AFP, na segunda-feira (31), que o bloco trabalha de forma próxima com as autoridades brasileiras para garantir o cumprimento das exigências e que, assim que essa conformidade for comprovada, as exportações poderão ser retomadas.A retirada da lista não é permanente por definição. Outros países já foram reincluídos após apresentar as garantias exigidas pela União Europeia. O prazo para eventual reabilitação do Brasil depende da velocidade com que o país formalizar e entregar as comprovações técnicas aceitas pela União Europeia.