Receita vai cruzar dados de criptoativos com fiscos do exterior a partir de 2027

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A Receita Federal vai passar a cruzar dados de operações com criptoativos no Brasil com informações recebidas de outros países a partir do próximo ano. A medida foi citada pelo secretário especial da Receita, Robinson Barreirinhas, durante uma coletiva sobre operações contra bets ilegais, e faz parte da adaptação do país ao padrão internacional da OCDE para troca automática de informações sobre ativos digitais.Segundo Barreirinhas, a Receita atualizou sua declaração de criptoativos e alinhou o sistema brasileiro ao modelo da OCDE. Isso permitirá que o Fisco brasileiro receba informações de administrações tributárias estrangeiras e também compartilhe dados com outros países. “O Brasil se agrega essa malha de informação agora do exterior”, afirmou o secretário, ao dizer que a mudança dará à Receita um volume mais consistente de dados para fiscalização e apoio a investigações criminais.A fala ocorreu em meio a uma explicação mais ampla sobre o uso de estruturas empresariais, fintechs, fundos e criptoativos para ocultação de beneficiários finais. Barreirinhas afirmou que a inteligência da Receita já identificava situações de simulação e ocultação em diferentes setores da economia, não apenas em apostas. Ele citou, por exemplo, a inclusão de fintechs na e-Financeira, o reforço da declaração de beneficiário final e a atualização das informações sobre criptoativos como instrumentos para fechar brechas usadas por organizações criminosas.No caso de cripto, o secretário mencionou que a Receita identificou, na Operação Arena, o uso de ativos digitais para ocultar reais beneficiários. A operação, deflagrada duas semanas antes da coletiva, mirou irregularidades tributárias e financeiras ligadas ao mercado de apostas de quota fixa, com evasão fiscal superior a R$ 1 bilhão, segundo o Ministério Público Federal.DeCripto substitui modelo antigo de declaraçãoO avanço no cruzamento internacional de dados está ligado à DeCripto, nova obrigação acessória criada pela Instrução Normativa RFB nº 2.291, de 14 de novembro de 2025. A norma substitui o modelo anterior de prestação de informações, baseado na IN nº 1.888, de 2019, e adapta o Brasil ao Crypto-Asset Reporting Framework (CARF), padrão da OCDE para troca automática de informações sobre criptoativos.Na prática, a DeCripto amplia e reorganiza as informações que devem ser prestadas à Receita sobre operações com ativos digitais. As transações realizadas a partir de julho de 2026 passaram a ser informadas de acordo com o novo modelo, segundo a própria Receita.Leia também: Criptomoedas movimentam R$ 283 bilhões no Brasil no 1º semestre e batem recorde, diz ReceitaO objetivo é aproximar a fiscalização de criptoativos do que já acontece com contas financeiras no exterior. A Receita já participa de mecanismos internacionais de troca de informações financeiras, como CRS e FATCA, e agora passa a integrar também uma rede voltada especificamente a criptoativos. Em relatório de fiscalização, o órgão já havia afirmado que a atualização da regra buscava incorporar a evolução do mercado e alinhar o país ao CARF, ao qual o Brasil se comprometeu a aderir junto à OCDE.A mudança é relevante porque o mercado cripto permite que investidores movimentem recursos entre exchanges, carteiras próprias e plataformas estrangeiras com mais facilidade do que no sistema financeiro tradicional. Sem cooperação internacional, parte dessas informações pode ficar fora do alcance do Fisco brasileiro, especialmente quando envolve prestadores de serviço fora do país.Com o CARF, exchanges e prestadores de serviços de criptoativos em jurisdições participantes passam a reportar dados que podem ser compartilhados entre administrações tributárias. Isso inclui informações sobre usuários, operações e saldos, conforme os leiautes definidos para a DeCripto e o padrão internacional adotado.Stablecoins aumentam importância da fiscalizaçãoO movimento também ocorre em um momento de forte crescimento do volume declarado de criptoativos no Brasil. Dados recentes da Receita mostram que as stablecoins já respondem por cerca de 80% do volume declarado de criptoativos no país, com destaque para tokens pareados ao dólar, como USDT e USDC.Esse avanço ajuda a explicar a preocupação do Fisco. Diferentemente de uma compra pontual de Bitcoin para investimento, stablecoins podem ser usadas para pagamentos, remessas, proteção cambial e movimentação entre plataformas. Isso aumenta o interesse da Receita em rastrear operações que possam envolver omissão de rendimentos, evasão de divisas, lavagem de dinheiro ou ocultação de beneficiários.A coletiva da Receita teve como foco principal operações contra bets ilegais. No caso da Operação Jogo de Sombras, Barreirinhas afirmou que o grupo investigado movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2025 e que a Receita estima lançar cerca de R$ 300 milhões em tributos a partir dos elementos já identificados.Embora o alvo central da operação não fossem criptoativos, a fala do secretário mostra como o tema entrou no radar mais amplo da Receita no combate a estruturas de ocultação patrimonial. A atualização da DeCripto e o futuro cruzamento de dados com fiscos estrangeiros indicam que operações com ativos digitais realizadas fora do Brasil devem ficar menos invisíveis para a fiscalização.Para investidores e empresas, a consequência prática é um ambiente de maior transparência e maior risco de autuação em caso de informações omitidas ou inconsistentes. Para a Receita, o novo modelo amplia a capacidade de cruzar dados declarados no Brasil com informações recebidas do exterior, reduzindo brechas que antes dificultavam a identificação de patrimônio e operações com criptoativos fora do país.Procurando uma alternativa para aumentar seus ganhos? A Renda Fixa Digital do MB é a solução: até 18% de ganho ao ano, risco controlado e a segurança que seu dinheiro merece. Conheça agora!O post Receita vai cruzar dados de criptoativos com fiscos do exterior a partir de 2027 apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.