O som do sino da B3 tocou nesta quarta-feira (2) para anunciar a chegada do DINF11, novo ETF da BTG Pactual Asset Management em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).O DINF11 estreia com uma estrutura inédita dentro do segmento de infraestrutura: combina ações e renda fixa em um mesmo veículo. O produto replica o Índice Teva Infraestrutura Híbrido e destina 80% da carteira a ações de empresas ligadas à infraestrutura brasileira e os outros 20% a debêntures incentivadas ou títulos do Tesouro IPCA+.Na estreia, a parcela de renda variável reúne 16 ações – como Axia (AXIA3), Motiva (MOTV3) e Allos (ALOS3) – , enquanto a carteira de crédito conta com mais de 230 debêntures.Com isso, o investidor consegue acessar, por meio de uma única cota de R$ 10, empresas e títulos de setores como energia elétrica, saneamento, concessões rodoviárias e outros segmentos ligados à infraestrutura.O produto também foi selecionado em uma chamada pública do BNDES que prevê investimentos de até R$ 200 milhões em cada um de até cinco ETFs voltados ao mercado de infraestrutura.Por que infraestrutura?Para a BTG Asset, a escolha do setor não é por acaso. Segundo Tiago Lima, sócio e head de distribuição da gestora, existe uma demanda estrutural por investimentos em áreas como logística, mobilidade, energia e transmissão, além de espaço para expansão da infraestrutura brasileira como um todo.“A gente tem muito espaço para crescer”, afirmou ao Money Times, durante evento de lançamento do produto financeiro.Na avaliação de Lima, o DINF11 também atende a um público diferente daquele tradicionalmente associado aos ETFs voltados ao varejo. Apesar de constar para o público geral, o fundo foi estruturado para atrair também investidores institucionais, inclusive internacionais, interessados em apoiar o desenvolvimento do mercado brasileiro e projetos de médio e longo prazo.A aposta é que o formato do ETF permita reunir, em um único veículo, exposição a diferentes ativos e setores de infraestrutura, combinando diversificação e acesso simplificado ao mercado.ETFs ganham espaço no BrasilO lançamento do DINF11 ocorre em meio à expansão acelerada da indústria de ETFs no país. Para Lima, não existe um único fator responsável pelo avanço do segmento, mas uma combinação de mudanças regulatórias, maior oferta de produtos, acesso à informação e evolução do comportamento do investidor. “Não teve um só, não teve uma bala de prata. Todos eles juntos culminaram nesse crescimento”, afirmou.Entre esses fatores, o executivo cita as mudanças regulatórias dos últimos dois anos, que reduziram o espaço para modelos de distribuição de produtos financeiros baseados em comissões e aumentaram a busca por produtos considerados mais eficientes e transparentes para o cliente.Nesse contexto, os ETFs ganharam espaço por características como liquidez, transparência, eficiência tributária e a possibilidade de concentrar diferentes ativos e estratégias em um mesmo veículo.A popularização do assunto nas redes sociais e o lançamento de novos produtos, especialmente ligados à renda fixa, também ajudaram a ampliar o acesso dos investidores a esse tipo de aplicação, segundo o executivo.Apesar do crescimento, Lima avalia que a indústria brasileira ainda está longe de atingir seu potencial. A participação dos ETFs no mercado local permanece pequena quando comparada à de mercados mais maduros, como o norte-americano.Para o BTG, portanto, a expansão do segmento ainda está no início — e a estratégia da gestora é ocupar uma fatia maior desse mercado com produtos voltados a diferentes perfis de investidores.BTG acelera aposta em ETFsO DINF11 chega à B3 menos de um mês depois de outro lançamento da BTG Asset. Em agosto, a gestora colocou em negociação o AMAB11, fundo de índice voltado ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. O produto replica o Índice Teva Amazonia Bonds e foi desenvolvido com foco em ativos relacionados à região.A sequência de lançamentos mostra a estratégia da casa de ampliar a presença no mercado de ETFs e criar produtos para diferentes teses de investimento.No caso do AMAB11, a proposta está ligada ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Já o DINF11 mira a infraestrutura brasileira e combina renda variável e renda fixa dentro de uma mesma carteira.A própria evolução dos recursos administrados pela gestora ajuda a dimensionar o movimento. Segundo Lima, o BTG tinha cerca de R$ 1 bilhão sob gestão em ETFs em dezembro de 2024. Em junho de 2026, o volume havia saltado para R$ 20 bilhões.Para o executivo, a tendência é que a indústria continue crescendo à medida que novos investidores conheçam os produtos e mais gestoras passem a disputar esse mercado.