Um documento obtido com exclusividade pelo Metrópoles mostra que o ministro André Mendonça recebeu um advogado para discutir uma ação sobre precatórios dias após reunir-se com Daniel Vorcaro.O memorial reforça a versão do ministro sobre o encontro com o banqueiro. Segundo Mendonça, Vorcaro abordou a Suspensão de Tutela Provisória (STP) 976 na reunião, uma ação sobre precatórios de interesse do Banco Master. Leia também BrasilMendonça confirma encontro com Vorcaro antes de relatar Master Blog do NoblatMendonça derruba sigilo, e PGR pede anulação de relatório que cita Moraes BrasilMendonça x Moraes: Fachin decidirá se relatório sobre Master vai a plenário A peça é assinada pelo advogado Wilson Ramalho Cavalcanti Neto, do escritório WTL, em nome da Agro Industrial Tabu, usina do setor sucroalcooleiro. Nela, a empresa pede ao ministro que acolha embargos e rejeite a suspensão, impetrada pela União, de um precatório milionário. Em nota divulgada nesta quarta-feira (2/9) o ministro disse ter ouvido Vorcaro “uma única vez”, por iniciativa do próprio empresário, e ter atendido também o advogado do banqueiro no mesmo mês. Em todas as ocasiões, segundo o gabinete, o tema foi o processo no Supremo sobre esses créditos.O memorial reconstrói a origem da dívida: uma ação de 1990 da Tabu e de outras 26 usinas contra a União, por prejuízos causados quando o governo fixou preços do setor abaixo dos custos. A Justiça Federal deu ganho de causa às empresas. A decisão transitou em julgado em março de 1999. A Tabu sustenta que o Supremo partiu de premissas erradas ao suspender o precatório e pede que a Corte corrija o rumo — inclusive em divergência ao voto do então relator, Luís Roberto Barroso.Mendonça registrou que, na data exata da reunião, o processo estava com pedido de vista de outro ministro. Esse pedido havia sido feito por Alexandre de Moraes em novembro de 2024, quando o placar já era 6 a 0. O julgamento permanecia parado quando Vorcaro foi recebido.O ministro afirmou ainda que sua atuação posterior foi contrária à posição defendida pelo empresário e que Vorcaro buscou interlocução semelhante com outros integrantes da Corte.O Metrópoles apurou que o banqueiro fez uma espécie de peregrinação por gabinetes para tratar do assunto. Os precatórios da Tabu e de outras usinas eram de interesse do Master, que operava na antecipação desses créditos — comprando o direito de receber no futuro e lucrando quando o poder público quitasse a dívida.Em abril de 2026, a revista Veja noticiou que Vorcaro transitou por gabinetes para tratar do assunto. Um dos ministros procurados foi Gilmar Mendes, que também não atendeu ao pleito do banqueiro.O memorial chegou à mesa de Mendonça três dias depois da data apontada em mensagens sobre o encontro em São Paulo. A reunião ocorreu cerca de um ano antes de o ministro assumir a relatoria das investigações da Operação Compliance Zero no Supremo, em fevereiro de 2026.