Autópsia de 66 milhões de anos mostra como maior T. rex do mundo morreu

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Paleontólogos e físicos encontraram pistas sobre a possível causa da morte do maior Tyrannosaurus rex já registrado. Preservado há 66 milhões de anos, o fóssil conhecido como Scotty tinha uma costela fraturada, provavelmente após um confronto com outro dinossauro.O ferimento acabou revelando um achado ainda mais raro: uma rede de vasos sanguíneos mineralizados preservada no osso. A estrutura foi identificada com técnicas de imagem que permitiram analisar o fóssil sem danificá-lo.Uma fratura na costela do predador revelou tecidos moles e vasos sanguíneos mineralizados de 66 milhões de anos. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT/Olhar Digital)As dimensões do predador do CretáceoCom cerca de 4 metros de altura até o quadril, mais de 13 metros de comprimento e peso estimado em 8,8 toneladas, Scotty é o maior T. rex conhecido. Como ocorre com muitos fósseis da espécie, não foi possível determinar com segurança se o animal era macho ou fêmea.O tamanho, no entanto, não é o aspecto mais surpreendente do exemplar. Na costela fraturada, pesquisadores encontraram uma extensa rede de vasos sanguíneos mineralizados. A preservação de tecidos moles por dezenas de milhões de anos é extremamente rara na paleontologia.A marca do tecido fossilizadoA preservação também ajuda a reconstruir o que pode ter acontecido com o animal. Depois que a costela se rompeu, sangue rico em ferro teria coberto a região lesionada. O organismo respondeu formando pequenos vasos sanguíneos para acelerar a cicatrização.É como ganhar na loteria. A costela de Scotty contém uma vasta rede de vasos sanguíneos mineralizados que nunca havia sido observada em um fóssil.Mauricio Barbi, Físico da Universidade de Regina, em nota.A briga e o pântano salgadoA fratura indica que Scotty pode ter sofrido o ferimento durante uma briga com outro dinossauro. A reação de cicatrização, porém, não teria sido suficiente. O animal morreu pouco depois em um pântano salgado, onde as condições do ambiente retardaram a decomposição.A imagem por nêutrons permitiu observar elementos mais leves presentes no fóssil.Os raios X ajudaram a analisar elementos mais pesados.A radiação síncrotron e outras técnicas de microscopia permitiram estudar os tecidos em escala celular.O ambiente salgado pode ter contribuído para a preservação dos vasos sanguíneos.Análises de imagem indicam que a causa da morte de Scotty foi uma lesão grave provocada em um embate com outro dinossauro. – Imagem criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)Análise profunda sem danificar a peçaPesquisadores do Laboratório Nacional de Oak Ridge, nos Estados Unidos, utilizaram imagens por nêutrons em conjunto com outras técnicas para investigar a costela. O método também ajudou a confirmar descobertas feitas anteriormente com radiação síncrotron.Leia mais:O primeiro dinossauro encontrado no BrasilMais de 30 pontos de coleta de fósseis cercam um município paulistaFormações de pedra no interior gaúcho guardam um dos capítulos mais antigos da história dos dinossauros“Os nêutrons não apenas corroboraram o que encontramos com as técnicas de radiação síncrotron que levaram à descoberta dos vasos sanguíneos na costela de Scotty”, explicou Marcella Berg, física da Universidade de Regina. “Eles também provaram ser uma adição altamente valiosa aos nossos estudos atuais em busca da preservação de tecidos moles em fósseis.”O caso de Scotty mostra como um ferimento registrado em um osso pode preservar pistas sobre os últimos momentos de um animal que viveu há 66 milhões de anos. Com técnicas de imagem não destrutivas, pesquisadores agora conseguem investigar essas estruturas sem comprometer o fóssil.O post Autópsia de 66 milhões de anos mostra como maior T. rex do mundo morreu apareceu primeiro em Olhar Digital.