Coinext encerra operações, culpa BC e amplia onda de fechamento de corretoras cripto no Brasil

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A corretora brasileira de criptomoedas Coinext anunciou nesta quinta-feira (3) o encerramento das operações de varejo da Coinext Exchange, em mais um sinal de pressão da nova regulação do Banco Central sobre empresas do setor. Segundo a companhia, o processo será feito com devolução integral dos ativos e recursos de titularidade dos clientes. A decisão não afeta a Coinext Asset, braço de gestão de ativos do grupo, segundo comunicado divulgado pela empresa.No anúncio, a Coinext afirmou que avaliou alternativas para continuar operando dentro do novo cenário regulatório, incluindo conversas com potenciais parceiros, mas concluiu que nenhuma das opções analisadas era viável. A exchange atribuiu o fechamento ao avanço das regras para prestadoras de serviços de ativos virtuais, que passaram a exigir autorização do Banco Central, requisitos prudenciais, governança, segregação patrimonial e controles mais robustos.A partir desta quinta, a corretora deixou de aceitar novos cadastros e novos depósitos em reais ou criptomoedas. Novas adesões a staking também ficaram indisponíveis, e as posições já existentes entraram em resgate automático a partir de 3 de setembro. As negociações de compra e venda de ativos ficarão disponíveis até 15 de outubro, enquanto os saques em cripto poderão ser feitos até 20 de outubro.A Coinext informou ainda que eventuais saldos em cripto que não forem sacados ou vendidos até os prazos definidos serão convertidos automaticamente para reais a partir de 26 de outubro. A plataforma seguirá disponível para acesso a documentos e consulta de históricos até 30 de novembro. A partir de 1º de dezembro, o atendimento e o suporte permanecerão ativos por prazo indeterminado para solicitações de relatórios, históricos e demais necessidades dos clientes.Em mensagem aos clientes, José Artur Ribeiro, CEO e cofundador da Coinext, afirmou que a empresa encerra a operação depois de quase dez anos de atividade. Segundo ele, a corretora foi criada em 2017 com a proposta de permitir que brasileiros acessassem o mercado cripto “com segurança e confiança”. A própria Coinext informa em seu site que reúne mais de 420 mil clientes no Brasil e atua como prestadora de serviços em ativos virtuais nas modalidades de intermediação de compra e venda, custódia e staking.A Coinext indicou o Mercado Bitcoin e OKX como alternativas para clientes que queiram continuar operando. A empresa ressaltou, porém, que não haverá transferência automática de contas, saldos ou ativos. A migração deverá ser voluntária e dependerá dos processos de cadastro, verificação e compliance de cada instituição.A Coinext Asset, por sua vez, continuará funcionando normalmente, com foco na estruturação de fundos de investimento para clientes institucionais, incluindo estratégias que vão além do universo cripto.Regulação aperta cerco sobre exchangesO fechamento ocorre em meio à entrada em vigor do novo arcabouço regulatório de criptoativos no Brasil. O Banco Central publicou em novembro de 2025 as Resoluções BCB nº 519, 520 e 521, que disciplinam o processo de autorização, o funcionamento das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais e regras para operações com ativos virtuais relacionadas ao mercado de câmbio e capitais internacionais.Pelas novas regras, empresas que prestam serviços de ativos virtuais precisam pedir autorização ao Banco Central para continuar operando. A Resolução BCB 520 disciplina a constituição e o funcionamento das sociedades prestadoras de serviços de ativos virtuais, além da prestação desses serviços por instituições já autorizadas pelo BC.O novo modelo também estende às empresas de cripto obrigações já conhecidas do sistema financeiro, como proteção e transparência na relação com clientes, prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo, requisitos de governança, segurança, controles internos e prestação de informações ao regulador.Além disso, as exigências de capital e patrimônio variam conforme o risco e o conjunto de atividades exercidas, com valores que vão de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões, segundo análise regulatória sobre as normas do Banco Central.Para empresas menores ou com modelo mais enxuto, o custo de adaptação se tornou um dos principais desafios. O Banco Central defende que a regulação aumenta a segurança do mercado, mas o efeito prático tem sido também uma aceleração da consolidação, com empresas encerrando operações, buscando parceiros ou reduzindo produtos.Coinext se junta a NovaDAX e DigitraA Coinext é mais uma corretora brasileira de criptoativos a anunciar encerramento ou descontinuação relevante de operações em meio ao novo ambiente regulatório. Antes dela, a NovaDAX anunciou a descontinuação de sua operação no formato de exchange, enquanto a Digitra.com informou que não submeteria pedido de autorização ao Banco Central e encerraria de forma ordenada suas atividades de negociação e custódia de ativos digitais no Brasil.No caso da Digitra, a empresa afirmou expressamente que decidiu não pedir autorização para funcionar como prestadora de serviços de ativos virtuais. A plataforma também informou que, pela regulação do Banco Central, não poderia continuar mantendo ativos virtuais de clientes após 30 de outubro de 2026.A NovaDAX, por sua vez, já havia encerrado negociações e paralisado seu motor de matching, mantendo apenas etapas de descontinuação e retirada de recursos pelos clientes.O movimento reforça a mudança de fase do mercado cripto brasileiro. Depois de anos de crescimento com regras mais fragmentadas, exchanges passam agora a operar sob supervisão direta do Banco Central. Para investidores, a tendência é de um setor com menos empresas, mas com regras mais próximas das exigidas de instituições financeiras tradicionais. Para corretoras independentes, o desafio será provar que conseguem cumprir os novos padrões de capital, controles e governança sem perder escala ou competitividade.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? No MB, você começa em poucos cliques e de forma totalmente segura e transparente. 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