A defesa de Nicolás Maduro pediu à Justiça dos Estados Unidos que arquive o processo criminal contra o ex-presidente venezuelano, acusado de tráfico de drogas. O pedido foi apresentado nessa quarta-feira (2/9) a um tribunal federal de Manhattan, em Nova York.Os advogados argumentam que Maduro deveria ter imunidade judicial por ter exercido a função de chefe de Estado de um país soberano.Segundo a defesa, as acusações apresentadas pelos Estados Unidos estão relacionadas a atos que teriam sido praticados no exercício de funções oficiais; por isso, não poderiam ser julgadas por uma Corte estrangeira. Leia também MundoMaduro ditou mensagem divulgada nas redes sociais direto da cadeira em NY MundoPerfil oficial divulga fotos de Maduro com uniforme em prisão nos EUA MundoPerfil de Maduro publica carta à Venezuela e fala em “união nacional” MundoDiálogo entre governo da Venezuela e oposição provoca reação de Maduro Maduro foi capturado em janeiro deste ano durante uma operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e levado para o território norte-americano. Ele está detido em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York. O ex-presidente se declarou inocente das acusações.Chefe de EstadoA defesa sustenta que o direito internacional garante imunidade a chefes de Estado em exercício diante da Justiça de outros países. Os advogados também questionam a posição adotada pelo governo dos EUA, que deixou de reconhecer Maduro como presidente legítimo da Venezuela anos antes.Esse ponto pode ser um dos principais obstáculos para a estratégia da defesa. Os Estados Unidos não reconhecem Maduro como presidente venezuelano desde 2019 e contestam a legitimidade de sua permanência no poder.Especialistas em direito internacional avaliam que essa posição do governo norte-americano pode pesar contra o pedido de imunidade.O caso envolve acusações de tráfico de drogas que, segundo os promotores americanos, teriam sido cometidas por Maduro e outros integrantes de seu governo. A acusação afirma que o grupo teria utilizado estruturas do Estado venezuelano para facilitar o envio de grandes quantidades de cocaína aos Estados Unidos.A esposa de Maduro, Cilia Flores, também é ré no processo e apresentou pedido semelhante para que as acusações contra ela sejam rejeitadas com base em imunidade relacionada à condição de primeira-dama. O casal nega as acusações.O juiz federal Alvin Hellerstein deverá analisar os argumentos apresentados pela defesa. A Procuradoria dos Estados Unidos tem até 2 de outubro para responder ao pedido, e uma audiência sobre a tentativa de arquivamento está marcada para 17 de novembro.Caso o processo prossiga, o julgamento de Maduro e Cilia Flores está previsto para começar em 1º de junho de 2027.A decisão sobre o pedido poderá estabelecer um precedente relevante sobre os limites da imunidade de chefes de Estado estrangeiros em processos criminais nos Estados Unidos.