A alta cúpula do PSD avalia que o crescimento repentino de Augusto Cury (Avante) na disputa pela Presidência da República pode ter relação com uma atuação coordenada nas redes sociais, incluindo o possível uso de robôs e perfis impulsionados para aumentar o engajamento em torno do candidato, conforme apuração da reportagem da Jovem Pan.A avaliação, feita nos bastidores do partido de Gilberto Kassab, é de que a forte exposição digital teria ajudado Cury a ganhar visibilidade, atrair eleitores e avançar nas pesquisas de intenção de voto. Não há, porém, até o momento, comprovação de que o candidato ou sua campanha tenham contratado robôs ou pago influenciadores de forma irregular.PF investiga o casoO movimento chama ainda mais atenção dentro do PSD e de outras siglas porque ocorreu ao mesmo tempo em que Cury ultrapassou Caiado e outros candidatos que tentam ocupar o espaço de terceira via na disputa presidencial.As suspeitas sobre a origem do engajamento ganharam força depois que páginas de grande alcance que publicaram conteúdos favoráveis a Cury foram relacionadas a outra investigação conduzida pela Polícia Federal.A PF apura a atuação de influenciadores que teriam recebido dinheiro para promover uma campanha coordenada contra o Banco Central durante a crise envolvendo o Banco Master.Isso não significa, no entanto, que a investigação da PF tenha identificado pagamento da campanha de Cury a esses perfis. A apuração policial mencionada até agora está relacionada à atuação dos influenciadores no caso Banco Master. A eventual existência de uma operação paga para favorecer o candidato do Avante é uma suspeita levantada por adversários políticos e ainda não comprovada.Augusto Cury nega e comemoraCury nega qualquer irregularidade. Nesta quarta-feira (2), durante agenda em Belo Horizonte, afirmou que o movimento de apoio à candidatura nas redes sociais foi “completamente espontâneo e maravilhoso”.O candidato disse ainda que sua campanha desembolsa entre R$ 20 mil e R$ 50 mil com impulsionamento digital e comparou o valor aos gastos dos adversários. Cury afirmou não ter conhecimento de eventuais irregularidades envolvendo os perfis que publicaram conteúdos em seu favor e defendeu que qualquer ilegalidade seja investigada.A campanha também nega compra de seguidores e contratação irregular de influenciadores. O argumento da equipe é de que o crescimento foi provocado pela maior exposição de Cury, especialmente depois do debate da Band e das sabatinas realizadas durante a campanha.O avanço nas pesquisas ocorreu praticamente em paralelo à explosão de engajamento nas redes.Alta nas pesquisasNa pesquisa BTG/Nexus divulgada na segunda-feira (31), Cury saltou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma rodada e assumiu o terceiro lugar. No mesmo levantamento, Lula (PT) apareceu com 39% e Flávio Bolsonaro (PL), com 33%.A AtlasIntel também registrou uma mudança significativa: Cury passou de 1,6% para 7,8%. Já o Real Time Big Data, divulgado na terça-feira (1º), mostrou o candidato com 11%, novamente na terceira colocação.Na quarta-feira (2), a Quaest reforçou o novo patamar eleitoral do escritor. Cury apareceu com 10%, atrás de Lula, com 37%, e Flávio Bolsonaro, com 29%. E um levantamento Futura/Apex divulgado nesta quinta-feira (3) voltou a colocar Cury próximo dos dois dígitos: Lula aparece com 38,7%, Flávio com 33,6% e o candidato do Avante com 9,9.