Iphan recomenda escavação manual na estação 14 Bis-Saracura da Linha 6-Laranja

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O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apresentou recomendações para o resgate dos achados arqueológicos nas obras da estação 14 Bis-Saracura, da Linha 6-Laranja, do metrô de São Paulo. Segundo o órgão, o resgate não impede o prosseguimento das obras, que estão a cargo da concessionária Linha Uni. “O Iphan sempre reconheceu a possibilidade de manutenção de outras frentes de trabalho passíveis de execução no empreendimento, não havendo impedimento para sua continuidade em razão da análise recentemente realizada pelo instituto”, afirmou.No dia 27 de agosto, a Linha Uni informou que as atividades no canteiro de obras da 14 Bis-Saracura, na Bela Vista, foram paralisadas devido a novos achados arqueológicos e que aguardava diretrizes do Iphan sobre o tratamento dos materiais encontrados. Somente após essa definição seria possível replanejar e dar sequência às obras. Nesta quarta-feira, a concessionária comunicou ter tomado conhecimento da nota oficial com as recomendações do Iphan e está analisando tecnicamente os possíveis impactos para definir a reprogramação das próximas atividades.Recomendações do Iphan para a estação 14 Bis-SaracuraO relatório prévio de monitoramento arqueológico referente à Área 6 do Sítio Arqueológico Saracura/Vai-Vai, apresentado pela Lasca Consultoria, empresa contratada pelo empreendedor, indica que o local é um espaço sagrado de religião de matriz africana. As atividades de monitoramento identificaram estruturas de alvenaria, sistemas de drenagem, alicerces, pisos, fragmentos de paredes e diversos vestígios arqueológicos associados. Elementos relacionados a práticas religiosas de matriz afro diaspórica, como cultos ancestrais africanos fora da África, também foram encontrados.O relatório aponta a possibilidade de que o local corresponda a um espaço sagrado associado à prática do Candomblé, com relevante interesse histórico, arqueológico, científico e cultural. Diante da excepcionalidade dos vestígios e da possibilidade de novos achados semelhantes durante as escavações, o Iphan recomenda:Realização de escavação manual em níveis artificiais para exposição, registro e resgate dos pisos, estruturas e demais vestígios excepcionais, tanto na Área 6 quanto em outras áreas com contextos arqueológicos semelhantes;Execução das atividades de pesquisa e resgate com procedimentos e técnicas arqueológicas compatíveis com a complexidade dos contextos identificados;Garantia da participação de arqueólogo com experiência em resgate de sítios relacionados à diáspora africana; Garantia da participação de autoridade religiosa de matriz afro diaspórica durante os procedimentos relacionados aos achados religiosos; Desmonte manual dos artefatos excepcionais e vestígios associados às práticas religiosas, preservando as relações espaciais e simbólicas entre os elementos;Coleta amostral de pisos, tijolos e materiais construtivos, seguindo a metodologia das áreas já escavadas e orientações técnicas do Iphan.Em acordos anteriores entre o empreendedor, o Movimento Saracura Vai-Vai e o Iphan, ficou definido que essa memória será incorporada à própria estação por meio de uma solução museológica que permita à população conhecer e valorizar a história do Saracura, do Bixiga, do Vai-Vai e da presença negra na formação de São Paulo.Região tem potencial arqueológico e continuidade das obrasO Iphan esclarece que sua atuação na Linha 6-Laranja é um serviço público, realizado no exercício de suas competências legais e sem cobrança ao empreendedor. O instituto garante a identificação, pesquisa, documentação e proteção do patrimônio cultural, estabelecendo procedimentos, analisando estudos e fiscalizando o cumprimento da legislação.No caso do Sítio Arqueológico Saracura, a atuação do Iphan contribui para o conhecimento e valorização da história da população negra de São Paulo e sua participação na formação da cidade. O órgão considera indevida a tentativa de atribuir ao Iphan ou aos achados arqueológicos a responsabilidade por eventuais paralisações ou atrasos do empreendimento.A região onde está sendo implantada a Linha 6-Laranja, especialmente o Saracura e o Bixiga, é historicamente reconhecida por seu elevado potencial arqueológico. “Em uma cidade com 472 anos de história, a identificação de vestígios arqueológicos durante a implantação de uma obra de grande porte não constitui fato inesperado, mas uma possibilidade que deve ser considerada no planejamento do empreendimento”, afirmou o Iphan.O instituto destaca que sempre reconheceu a possibilidade de manutenção de outras frentes de trabalho passíveis de execução, não havendo impedimento para sua continuidade. Cabe ao empreendedor incorporar ao planejamento da obra as obrigações relacionadas à proteção do patrimônio cultural, especialmente em áreas de reconhecido potencial histórico e arqueológico.Atualização das obras da Linha 6-laranjaSeis estações da Linha 6-Laranja entraram em funcionamento em julho, entre Perdizes, na zona oeste, e João Paulo I, na zona norte. A obra, inicialmente prevista para outubro de 2025, teve o prazo prorrogado devido a um imprevisto no solo da estação Higienópolis-Mackenzie.O contrato atualizado prevê que a Linha 6 opere de Brasilândia, na zona norte, até São Joaquim, no centro, com baldeação para a Linha 1-Azul, até outubro de 2027. O governo cogita que a estação 14 Bis-Saracura possa ser entregue posteriormente. As obras da estação foram interrompidas em 2022 após a descoberta do sítio arqueológico e retomadas neste ano. A mudança no prazo ainda não foi alterada em contrato.O post Iphan recomenda escavação manual na estação 14 Bis-Saracura da Linha 6-Laranja apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.