O Secretário-Geral da ONU (Organizações das Nações Unidas), António Guterres, ressaltou a importância de proteger o direito ao voto em eleições que garantem a livre expressão e reflitam a vontade do eleitorado, afirmou o porta-voz da organização nesta quarta-feira (2) em meio à reforma constitucional na Nicarágua.Stéphane Dujarric afirmou a jornalistas que o secretário-geral acompanha de perto os desdobramentos políticos na Nicarágua e está preocupado com a contínua erosão do espaço cívico e político no país.Dujarric afirmou que Guterres lembrou que as autoridades têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos e o Estado de Direito, bem como de garantir que os cidadãos possam participar livremente e com segurança da vida pública. Leia mais Rubio pede isolamento da Nicarágua após reforma constitucional Congresso da Nicarágua aprova reforma de Ortega para eleições sem oposição Países das Américas condenam plano da Nicarágua de acabar eleições livres Eleições sem oposiçãoO Congresso da Nicarágua aprovou na terça-feira (1°) uma reforma constitucional que proíbe partidos de oposição de participarem das eleições e amplia o mandato presidencial. A medida é apoiada por Daniel Ortega, que chegou a declarar o fim das eleições no país, e sua esposa, a copresidente Rosario Murillo.A reforma foi aprovada em primeira votação na Assembleia Nacional e deve ser ratificada em segunda votação no início do próximo ano. A iniciativa já havia sido criticada anteriormente pelos Estados Unidos e por outros países da região.Além de excluir a oposição das eleições, a reforma também amplia de seis para sete anos os mandatos dos copresidentes e de outros funcionários eleitos, assim como dos comandantes das Forças Armadas e da polícia.Ortega havia descartado, em julho, a possibilidade de realizar novas eleições no país, com o objetivo declarado de impedir que a oposição chegasse ao poder. Logo em seguida, a Assembleia Nacional da Nicarágua passou a elaborar um plano para implementar a ordem de Ortega.Vários países da América Central, além de Bolívia, Brasil e Chile, criticaram a declaração de Ortega, considerada um novo retrocesso democrático. Os Estados Unidos, por sua vez, pediram à comunidade internacional que isolasse o governo nicaraguense, enquanto o Panamá retirou seu embaixador de Manágua.Há anos, opositores denunciam fraudes eleitorais e a falta de liberdades civis.Em 2024, o partido governista aprovou uma reforma que ampliou o mandato presidencial de cinco para seis anos e elevou Murillo, então vice-presidente do país, à condição de copresidente. A reforma também adiou as eleições presidenciais, originalmente previstas para o fim deste ano, para o final de 2027.Ex-guerrilheiro de esquerda, Ortega assumiu seu quarto mandato consecutivo em janeiro de 2022, após vencer uma controversa eleição em novembro do ano anterior. Próximo de completar 81 anos, Ortega ajudou a derrubar a família Somoza no fim dos anos 1970 e, com quase duas décadas no poder, é o líder há mais tempo no cargo nas Américas.A Nicarágua vive uma profunda crise política desde abril de 2018, quando o governo reprimiu uma série de protestos contra o regime, deixando mais de 300 mortos e milhares de feridos e provocando um êxodo em massa de nicaraguenses.EUA pede isolamento do paísO secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos “apelam aos parceiros internacionais a interromperem imediatamente as operações ‘como de costume’ com o governo da Nicarágua” em comunicado divulgado nesta quarta-feira.Ele acrescentou que Washington continua comprometida em combater as violações dos direitos humanos cometidas pelo governo.As declarações de Rubio foram feitas depois que o Congresso da Nicarágua aprovou, na terça-feira (1º), uma reforma constitucional que proíbe os partidos da oposição de participarem das eleições e estende o mandato presidencial de seis para sete anos — uma iniciativa que já havia gerado críticas dos Estados Unidos.Diversos países da América Central, assim como Bolívia, Brasil e Chile, também se posicionaram contra o anúncio de Ortega, considerando-o um novo retrocesso democrático, enquanto o Panamá retirou seu embaixador de Manágua.Juan Sebastián Chamorro, ex-candidato à presidência e opositor do regime do Nicarágua, classificou a reforma eleitoral como “um ato para oficializar duas coisas que [o regime] perdeu: legitimidade e tempo”. Chamorro, que está exilado nos Estados Unidos, se pronunciou nas redes sociais.Quem é Daniel Ortega e como é classificado o governo da Nicarágua?