O Supremo Tribunal Federal (STF) negou um pedido de anulação de medidas cautelares para uma investigada por desvios na cidade de Manga, em Minas Gerais. O ministro Alexandre de Moraes rejeitou o recurso da defesa na terça-feira (1) e manteve o uso de tornozeleira eletrônica.A mulher figura como alvo central de uma apuração sobre organização criminosa, fraudes em licitações públicas e crimes de lavagem de dinheiro.O esquema operava uma rede estruturada em diversas camadas para esconder o destino de verbas oriundas dos cofres da prefeitura mineira.Um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) baseou as restrições impostas pelo juízo de origem.O documento técnico apontou transferências milionárias atípicas entre as contas da suspeita e plataformas de criptomoedas.Triangulação financeira e uso de plataformas de criptoativosOs investigadores descobriram um fluxo financeiro incompatível com a capacidade econômica declarada pelos indivíduos monitorados na operação.O grupo criminoso recebia créditos elevados de empresas locais e promovia o esvaziamento rápido dos saldos retidos no sistema bancário.O juízo de primeira instância classificou a manobra com o termo técnico “smurfing“, caracterizado pela fragmentação constante de depósitos.A tática busca dificultar o rastreio do capital ilícito por meio de transações menores e em intervalos curtos.A paciente do processo alegou atuar apenas como estudante de medicina em fase de internato hospitalar no estado de Santa Catarina.A defesa argumentou que a administração da empresa da família ficava sob a responsabilidade exclusiva do pai da jovem.Fluxo cruzado e rastreamento em corretoras digitaisOs peritos criminais rejeitaram essa justificativa após a análise detalhada das movimentações na conta da pessoa jurídica, da qual a mulher detém todas as cotas.O cruzamento de informações contábeis revelou repasses frequentes e sem justificativa comercial para as contas em corretoras de criptoativos.A Justiça autorizou a transferência do cumprimento das medidas cautelares para a comarca de Timbó, em território catarinense.Essa flexibilização atendeu à necessidade de continuidade da formação acadêmica da estudante na área médica.O juiz manteve a restrição de recolhimento noturno e a exigência do equipamento de monitoramento no tornozelo da suspeita.O magistrado considerou a ferramenta essencial para impedir o contato da investigada com os ambientes das fraudes.Decisão processual no Supremo Tribunal FederalO tribunal inferior repassou ao juízo de Santa Catarina a fiscalização do cumprimento das regras e horários de plantões da estudante.A defesa tentou reverter essas exigências no Superior Tribunal de Justiça (STJ) sem sucesso.Os advogados de defesa acionaram o STF sob a alegação de ausência de provas materiais concretas para a manutenção das restrições de liberdade.A petição protocolada pedia a suspensão dos efeitos da decisão por suposta falta de fundamentação idônea dos juízes.Alexandre de Moraes indeferiu o pedido final por identificar falhas no esgotamento dos recursos judiciais nas instâncias inferiores.Com isso, o ministro encerrou o trâmite da ação na corte suprema sem anular a validade das apurações financeiras.Fonte: Alexandre de Moraes mantém tornozeleira em suspeita de desvio de prefeitura com criptomoedasVeja mais notícias sobre Bitcoin. Siga o Livecoins no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.