Falso gerente: quadrilha recrutava laranjas para lavar dinheiro de fraudes

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Dentro da hierarquia da organização criminosa especializada em fraudes de falso gerente, cada integrante tinha uma função definida. Entre elas, estava a dos chamados “tripeiros”. Segundo as diligências da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC), os membros atrelados a essa função eram os responsáveis pelo recrutamento e gerenciamento de pessoas que disponibilizavam contas bancárias para o recebimento do dinheiro proveniente das fraudes. Segundo as investigações, a atividade seguia regras próprias, com percentuais de remuneração definidos e orientações para transferência ou saque imediato dos recursos, dificultando o bloqueio e o rastreamento do dinheiro.A atuação dos “tripeiros” faz parte das investigações da operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrada na manhã desta sexta-feira (4/9). O objetivo da ação foi desarticular uma organização criminosa especializada em fraudes do falso gerente bancário.Segundo a investigação, o esquema contava com uma estrutura hierarquizada para fraudar as contas bancárias de moradores do Distrito Federal. Segundo as diligências, os criminosos que integravam o grupo entravam em contato com clientes se passando por funcionários de grandes instituições bancárias, mediante técnicas de engenharia social.Em contato com o cliente, os investigados simulavam atendimentos legítimos e induziam as vítimas a acessar páginas eletrônicas fraudulentas ou a fornecer informações que possibilitavam a realização de movimentações financeiras indevidas. Leia também Na MiraPolícia desarticula quadrilha especializada no golpe do falso gerente no DF São PauloQuadrilha se aproveitou da pandemia para aplicar golpes na Desenvolve SP Alfredo HenriqueAlvo do Gaeco, líder de quadrilha que pagava policiais civis segue foragido Os valores fraudados eram rapidamente fragmentados e transferidos entre diferentes contas, em dinâmica destinada a dificultar bloqueios pelas instituições financeiras e o posterior rastreamento do produto dos crimes.Mais detalhes das investigaçõesAs diligências apontaram que a atividade possuía regras próprias e percentuais de remuneração previamente definidos;O grupo também estabelecia uma padronização das informações dos titulares e orientações para que os recursos fossem imediatamente transferidos ou sacados, demonstrando elevado grau de profissionalização;Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial, mediante utilização de contas bancárias e pessoas jurídicas em nome de terceiros movimentação de grandes quantidades de dinheiro em espécie e utilização de veículos igualmente registrados em nomes de laranjas;Além disso, o grupo ostentava uma vida de alto luxo nas redes sociais, com fotos de carros, embarcações, festas e elevados valore em espécie, contrariando a renda compatível declarada.Mandados de prisãoSegundo o delegado da DRRC Pedro Sardá, as equipes da PCDF cumpriram cinco mandados de prisão preventiva e cinco mandados de busca e apreensão, sendo sendo dois deles na cidade de Planaltina de Goiás (GO) e três em Planaltina (DF).“Os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, sendo que as penas somadas podem chegar a 26 anos de prisão”, disse. Sardá também ressaltou o resultado da investigação e explicou como funcionava o modus operandi da organização criminosa.“Eles convenciam as vítimas sobre pretexto de um procedimento de segurança a acessar uma página falsa que imitava o ambiente do banco. Sendo que essa página era utilizada para obter indevidamente os dados bancários das vítimas. Com essas informações, os criminosos realizavam transferências fraudulentas, utilizavam limites e alguns casos até contraíam empréstimos de forma indevida”.Ainda segundo o delegado, as consequências desse tipo de crime não se limitam ao dano patrimonial. “Um golpe que dura poucos minutos pode consumir economias de uma vida inteira de uma pessoa e provocar um forte abalo psicológico, vergonha e sensação de impotência em que foi enganado”, concluiu.