O Ibovespa (IBOV) engata a 12ª alta consecutiva nesta quinta-feira (3) e opera no nível dos 188 mil pontos, o maior desde meados de abril, com o mercado precificando uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. Com o avanço recente, apoiado pelo rali eleitoral e retomada do capital estrangeiro, o IBOV acumula alta de 6,3% na primeira semana de setembro. Mas até onde o Ibovespa vai? Segundo o BTG Pactual, o principal índice da bolsa brasileira confirmou uma forte reversão em V, com uma resposta compradora rápida após o IBOV operar cerca de 15% abaixo da média histórica. “No gráfico diário, o price action reforça a dominância da ponta compradora, com uma sequência de máximas e mínimas mais altas que as anteriores, maior amplitude nos pregões de alta em comparação aos pregões de queda e candles com fechamentos próximos das máximas”, afirmam os analistas técnicos Lucas Costa e Gabriela Sporch. A dupla também destaca que o movimento de alta ganhou força após o rompimento dos 180.600 pontos, antiga resistência formada no início de agosto e agora suporte do índice. Os próximos suportes são 192.608, 198.184 e 199.273 pontos. Em um cenário de aceleração acima desses suportes, o IBOV pode atingir os inéditos 200 mil pontos. Na mesma linha, o Itaú BBA considera que o índice pode voltar ao nível recorde dos 199 mil pontos no curto prazo, caso o índice ultrapasse o suporte de 188.700 pontos.“Ibovespa entrou em uma tendência de alta depois de muito tempo indefinido ou em baixa. Este cenário abre espaço para compras em ativos que superarem suas resistências e que acompanhem o índice na tendência de valorização”, avalia o analista técnico Lucas Piza.Eleições no preço As pesquisas eleitorais começaram a movimentar o mercado doméstico nesta semana, a um mês das eleições e em meio à ruídos de ligação entre o Caso Master e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com destaque para Alexandre de Moraes. Na última quarta-feira (2), a pesquisa Quaest mostrou Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno contra 29% de Flávio Bolsonaro. O petista recuou 1 ponto porcentual, ante os 38% da pesquisa passada, divulgada em 14 de agosto, e Flávio Bolsonaro caiu 2 pontos sobre os 31%.Já em um eventual segundo turno, Lula tem 42% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 41%. O presidente recuou 1 ponto porcentual ante os 43% do levantamento anterior e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro cresceu também 1 ponto sobre os 40%.Com o resultado, a diferença entre ambos cai de 3 para 1 ponto, e ambos mantêm o empate técnico, já que a margem de erro é de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos.Lula tem 37%, Flávio Bolsonaro, 29% e Cury vai a 10%, aponta pesquisa QuaestJá hoje, a PoderData/Aya mostrou o senador numericamente à frente do petista em um eventual segundo turno. Flávio tem 45% das intenções de voto contra 44% de Lula. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual.A pesquisa começou a ser feita em maio e é a primeira vez que Flávio aparece à frente de Lula nas projeções de primeiro turno.O acirramento da disputa entre o petista e o senador reforçou a aposta dos investidores em uma troca de governo em 2027. “O movimento é relevante, já que uma parcela de investidores enxerga uma eventual troca de governo como um possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa”, avalia Marcos Bassani, economista e sócio-fundador da Boa Brasil Capital.De modo geral, Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que vê em sua reeleição um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio têm se refletido positivamente nos ativos.“O fluxo de investidores estrangeiros deve seguir como principal balizador do apetite por risco no curto prazo, enquanto a volatilidade associada ao cenário eleitoral tende a aumentar a dispersão dos retornos nas próximas semanas”, avalia a equipe de análise técnica do BB-BI. Ibovespa: alta de quase 10 mil pontos em 3 dias veio para ficar? Entenda o movimento