Escândalos de Lula e Flávio esbarram em eleitor que “passa pano” para seu campo

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Os escândalos envolvendo pessoas próximas a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) colocaram as duas campanhas sob pressão, mas encontram uma barreira para provocar mudanças mais profundas na eleição na disposição do eleitor mais identificado com cada campo de relativizar problemas do próprio lado.A avaliação é do jornalista e especialista em marketing político Luiz Flávio Lula Guimarães. Em edição especial que reuniu o Mapa de Risco e o Stock Pickers, ambos do InfoMoney, ele apontou os episódios envolvendo os filhos dos candidatos como alguns dos principais riscos das campanhas.Quando serão os debates presidenciais de 2026? Veja o calendário completoNo caso de Flávio, Guimarães citou as revelações envolvendo Daniel Vorcaro. Do lado de Lula, mencionou as suspeitas envolvendo um dos filhos do presidente e da lobista ligada ao escândalo do INSS.Apesar do potencial de desgaste, Guimarães avalia que a polarização dificulta uma migração direta entre os dois principais candidatos.“Para o eleitor petista, ele também pode passar pano para essa questão do Lulinha, do filho do presidente, porque ele é tão antibolsonarista a ponto de poder não considerar essas questões”, afirmou. O raciocínio, segundo ele, também vale para o campo adversário.Leia tambémQuaest: para 40%, caso Lulinha prejudica Lula; 42% veem dano a Flávio com MasterSegundo a Quaest, 66% dos eleitores afirmam conhecer o caso Lulinha. O mesmo porcentual declara ter conhecimento das suspeitas relacionadas a Flávio BolsonaroPara o especialista, parte do eleitorado chega às urnas movida mais pela rejeição ao adversário do que pela preferência pelo próprio candidato.“A gente está talvez num momento de uma polarização tão grande onde talvez a escolha do candidato […] não é uma escolha pelo que é melhor, é uma escolha pelo qual você não quer que o outro ganhe. É uma escolha pela rejeição”, disse.Essa dinâmica apareceu nas pesquisas após as revelações envolvendo Vorcaro. Flávio perdeu apoio, mas a queda não produziu avanço equivalente de Lula ou das candidaturas alternativas. Parte dos eleitores passou para o grupo dos indecisos, brancos e nulos antes de começar a retornar ao senador.Tarlula? Pesquisa mostra voto cruzado de Tarcísio com Lula crescendo em São Paulo“A gente não viu subir o Caiado, a gente não viu subir o Renan. Não foi uma migração automática”, afirmou Marina Verenicz, apresentadora do Mapa de Risco, durante o programa.Do outro lado, a avaliação apresentada no programa é que Lula também não registrou perda significativa de apoio após as revelações envolvendo seu filho.Escândalos devem entrar na propagandaA resistência dos eleitores a atravessar a polarização não significa que os casos ficarão fora da campanha. Guimarães espera que os episódios sejam explorados na propaganda eleitoral como parte da tentativa de elevar a rejeição ao adversário.“É uma campanha de construção da candidatura, mas também é uma campanha de desconstrução do adversário”, afirmou.Lula x Flávio: o que cada lado sinaliza fazer com as contas públicas em 2027Para ele, a divisão pode ser praticamente equilibrada: “É bem provável que a campanha seja de construção em 50% do tempo e de desconstrução nos outros 50% do tempo.”Nesse cenário, o alvo mais disputado tende a ser o eleitor que ainda não consolidou sua escolha. O desafio das campanhas será transformar o desgaste do adversário em voto — algo que, até agora, a polarização tem dificultado.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Escândalos de Lula e Flávio esbarram em eleitor que “passa pano” para seu campo appeared first on InfoMoney.