Se tivesse de apostar hoje em quem vencerá a eleição presidencial, o jornalista e especialista em marketing político Luiz Flávio Lula Guimarães colocaria suas fichas na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A aposta, porém, seria feita sem muita margem para conforto.“Se eu fosse fazer uma aposta hoje, eu apostaria no presidente Lula, na reeleição dele. Claro que isso pode mudar, que é muito arriscado poder falar isso hoje, e esse palpite é por um cabelinho a vitória, mas é o que os números mostram”, afirmou.Quando serão os debates presidenciais de 2026? Veja o calendário completoA avaliação foi feita em uma edição especial que reuniu o Mapa de Risco e o Stock Pickers, ambos do InfoMoney, para discutir os riscos da eleição para a política e para o mercado.Para Guimarães, o favoritismo de Lula não elimina a possibilidade de uma disputa apertada contra Flávio Bolsonaro (PL). O especialista cita como vantagens do presidente a estrutura disponível a um candidato à reeleição e a movimentação dos partidos em Brasília.Leia tambémIbovespa sobe 3% com fluxo estrangeiro e empate técnico entre Lula e FlávioÍndice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,05%, a 185.205,09 pontos, maior alta percentual em um dia desde marçoQuaest: Lula abre 7 pontos sobre Flávio no 1º turno, mas 2º turno fica empatadoPetista tem 37% contra 30% do candidato do PL em cenário de primeiro turnoDo outro lado, Flávio chega à campanha com dificuldades para ampliar sua aliança. Segundo Guimarães, a candidatura não conseguiu atrair o Centrão e começou a disputa sem a capilaridade que esses partidos poderiam oferecer nos estados.“Hoje é mais possível precificar a vitória do presidente Lula, mas não dá para desprezar no segundo turno dois fatores. O primeiro deles são as alianças políticas mesmo. Então você vê: a candidatura do Flávio Bolsonaro foi abandonada pelo Centrão. E outra coisa é o próprio poder da máquina”, afirmou.Segundo turno pode mudar a contaApesar da vantagem atual de Lula, o segundo turno traz um desafio adicional para o petista, baseado na tendência de concentração dos votos da direita em Flávio.Eleitores que escolherem Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) ou Renan Santos (Missão) no primeiro turno podem migrar majoritariamente para o candidato do PL em uma eventual disputa direta contra Lula.Tarlula? Pesquisa mostra voto cruzado de Tarcísio com Lula crescendo em São PauloDurante o programa, a avaliação foi de que essa soma pode tornar a eleição mais apertada, especialmente porque a transferência não exige uma mudança ideológica relevante: parte desses eleitores já está posicionada no campo da direita.É uma das razões pelas quais a campanha de Lula busca ampliar sua vantagem ainda na primeira etapa da eleição e reduzir a rejeição ao presidente.O cenário também ajuda a explicar a movimentação recente em Brasília. No programa, foram citados como sinais o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, a Lula e os gestos de aproximação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.Flávio, por sua vez, iniciou a campanha com uma chapa formada pelo próprio PL e encontrou dificuldades para atrair partidos que estiveram próximos do bolsonarismo. A federação formada por União Brasil e PP se afastou, enquanto o Republicanos optou pela neutralidade no primeiro turno.Máquina pode pesarGuimarães também chama atenção para uma vantagem inerente à candidatura de quem ocupa a Presidência da força política do governo federal.Ele lembra que Jair Bolsonaro chegou à eleição de 2022 no Planalto e utilizou medidas como a ampliação do então Auxílio Brasil em busca de apoio entre os eleitores de menor renda. Mesmo assim, terminou derrotado por uma margem estreita. Agora, Lula é quem entra na eleição como incumbente.“O poder da máquina ainda é muito grande”, afirmou Guimarães.Outro fator pode ganhar importância após o primeiro turno. A conclusão das disputas estaduais e legislativas. Deputados, senadores e candidatos a governador ajudam a movimentar as campanhas presidenciais nos estados, mas parte dessa estrutura deixa de estar diretamente envolvida depois de 4 de outubro.“Tesouraço”: como é o plano de Flávio Bolsonaro para corte de gastos e impostosIsso pode ser especialmente relevante em São Paulo. Caso Tarcísio de Freitas resolva a disputa pelo governo estadual já no primeiro turno, Guimarães avalia que sua participação na campanha presidencial de Flávio tende a ser diferente daquela que teria caso também estivesse disputando votos no segundo.“Uma coisa é o Tarcísio estar disputando o segundo turno e fazendo uma dobradinha numa campanha […]. Outra coisa é o Tarcísio já eleito fazendo uma campanha muito mais relaxada, fora desse jogo político e sem a chance de poder atrelar um voto a outro para tracionar o Flávio Bolsonaro”, afirmou.Por isso, apesar de apontar Lula como favorito neste momento, Guimarães evita tratar o resultado como definido. A distância entre os dois principais campos permanece pequena e, nas próximas semanas, propaganda eleitoral, alianças e acontecimentos inesperados ainda podem mudar o cenário.“Esse cenário pode mudar”, resumiu.O Mapa de Risco, programa de política do InfoMoney, vai ao ar todas as sextas-feiras, a partir das 6h da manhã, no YouTube e no seu tocador de podcast preferido.The post Quem ganha Lula x Flávio? Marqueteiro faz aposta e aponta vantagem “no fio de cabelo” appeared first on InfoMoney.