O regime venezuelano, atualmente sob gestão da líder interina do país, Delcy Rodríguez, não fez nenhuma menção à libertação do ditador deposto Nicolás Maduro durante as negociações com a oposição do país, informou o jornal britânico Financial Times citando pessoas presentes nas conversas.Segundo o jornal, Rodríguez realizou cinco rodadas de negociações com membros da oposição ao longo de duas semanas.As conversas teriam como objetivo chegar a um acordo sobre as medidas necessárias para uma nova eleição presidencial, mas não obtiveram resultados concretos, informou o Financial Times. Leia mais Análise: Apetite dos EUA por ações na América Latina traria tensões Atingir economia do Irã é opção menos pior dos EUA, diz militar aposentado Zelensky promete resposta à ataque contra shopping que deixou 15 mortos Ainda segundo a reportagem, os lados se concentraram em financiar a recuperação após os terremotos devastadores que atingiram o país em junho, deixando mais de 6 mil mortos, além de iniciar os trabalhos para uma reforma no sistema judiciário.Maduro e sua esposa, Cilia Flores, estão detidos em uma prisão federal em Nova York desde janeiro, quando foram capturados por Forças Especiais dos EUA durante uma operação noturna em Caracas.O ditador deposto é acusado de narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e conspiração. O ditador e a esposa se declararam inocentes.Os EUA classificam Maduro como um ditador corrupto, cuja má gestão levou ao colapso da economia da Venezuela. Além disso, o acusam de fraudar as eleições de 2018 e 2024.O governo americano deixou de reconhecê-lo como presidente legítimo do país em 2019.Venezuela fala cada vez menos em MaduroO governo da Venezuela mudou a forma como se refere a Delcy Rodríguez em suas comunicações oficiais. O Ministério da Comunicação e Informação deixou de utilizar a expressão “presidenta interina” para designá-la e passou a chamá-la simplesmente de “presidenta”.Rodríguez assumiu o comando do país em janeiro. Embora ainda utilize a expressão “presidenta interina” em suas redes sociais e em alguns comunicados da Presidência, o termo deixou de aparecer nas publicações do Ministério da Comunicação desde julho.A mudança também foi adotada por outros setores do governo. Jorge Rodríguez, irmão de Delcy Rodríguez e presidente da Assembleia Nacional, passou a se referir a ela como “presidenta” em publicações na rede social X. A chancelaria venezuelana e contas vinculadas ao aparato de comunicação chavista também adotaram a denominação.Segundo o cientista político venezuelano John Magdaleno, professor universitário e diretor da consultoria Polity, a mudança indica uma aceitação, dentro da coalizão que governa o país, da permanência de Rodríguez no cargo.O analista avaliou ainda que o governo de Rodríguez vem adotando uma posição própria em relação à permanência dela no cargo, em um contexto no qual os pedidos pela libertação de Maduro perderam espaço no discurso oficial.Os pedidos pela libertação de Maduro eram frequentes em janeiro, mas passaram a ser menos comuns nas manifestações públicas do governo venezuelano.(Com informações de Gonzalo Zegarra, da CNN em Espanhol)Saiba quem é Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela