Um estudo da ConsumerChoice revela que 97% dos consumidores reutiliza artigos do ano letivo anterior, procurando reduzir os custos, prolongar a vida útil dos produtos e evitar substituições desnecessárias.As mochilas, o material de escrita e as calculadoras, todos com 68% das respostas, estão entre os artigos mais reaproveitados. Seguem-se os estojos, referidos por 63% dos inquiridos. A poupança é, para 39% dos entrevistados, a principal razão para reutilizar, enquanto 36% aponta o prolongamento da vida útil dos produtos.Os números sugerem, assim, que a reutilização deixou de ser apenas uma estratégia de contenção financeira. Para muitas famílias, tornou-se também uma forma de consumo mais ponderada, sobretudo num contexto de aumento dos custos associados ao início do ano letivo.Apesar do crescimento do comércio eletrónico, a compra de material escolar continua a acontecer sobretudo em lojas físicas. 69% dos participantes prefere comprar presencialmente, enquanto agosto permanece como o principal mês para preparar o regresso às aulas, concentrando metade das compras realizadas pelas famílias.Atividades extracurriculares mantêm lugar no orçamentoA necessidade de poupar não significa, contudo, que as famílias estejam dispostas a cortar em todas as despesas relacionadas com os filhos. 81% dos inquiridos considera as atividades extracurriculares importantes para a rotina dos estudantes, com o desporto a surgir como a opção mais valorizada, escolhido por 49% das famílias.O apoio ao estudo, com 42%, e a música, com 35%, completam as três atividades mais valorizadas. Os resultados mostram que, mesmo num contexto de maior contenção, as famílias continuam a atribuir importância a experiências que complementam a formação escolar e contribuem para o desenvolvimento dos estudantes.O preço, no entanto, continua a afastar algumas famílias destas atividades. Entre os consumidores que não inscrevem os filhos em atividades extracurriculares, 31% aponta o custo elevado como principal motivo. A falta de tempo ou a incompatibilidade de horários são referidas por 16%.«Este estudo mostra que as famílias não estão simplesmente a cortar despesas, estão a redefinir prioridades», afirma Nassrin Majid, Diretora-Geral da ConsumerChoice. Para a responsável, reutilizar materiais em boas condições combina poupança com um consumo mais consciente, enquanto as atividades extracurriculares continuam a ser vistas como um investimento no desenvolvimento dos estudantes.A tendência poderá ganhar ainda maior expressão nos próximos anos. 86% dos entrevistados acredita que os custos associados ao regresso às aulas vão continuar a aumentar, reforçando a necessidade de antecipar compras e gerir com maior rigor o orçamento familiar.Entre mochilas que passam de ano, estojos que ganham uma segunda vida e atividades que resistem aos cortes, o regresso às aulas parece estar a transformar-se num exercício de equilíbrio: poupar onde é possível, reutilizar o que ainda serve e preservar aquilo que as famílias consideram essencial.O conteúdo Quase todas as famílias portuguesas reutilizam material escolar no regresso às aulas aparece primeiro em Revista Líder.